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Adventistas do Sul do Brasil colaboram com ações de combate a violência

Além das passeatas, fieis promoveram projeto Quebrando o Silêncio junto às escolas em foram destaque na TV.

28 de agosto de 2015
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Garoto participa de passeata do projeto em União da Vitória (PR). (Foto: Jéssica Guidolin)

Curitiba, PR… [ASN] De acordo com um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado em dezembro de 2014, uma em cada quatro crianças sofreu abuso físico em 2012. A pesquisa, feita com representantes de 133 países, também estima que uma em cada três mulheres já sofreu violência física em algum momento de sua vida pelo próprio parceiro. Entre pessoas de mais idade, ao menos uma entre 17 pessoas já foi alvo de maus tratos considerando apenas um dos meses.

O mesmo relatório também revelou que serviços brasileiros de emergência registraram 4,8 mil casos de violência em apenas um dos meses de 2012, sendo que 91% destas pessoas foram vítimas de violência interpessoal.

Uma outra pesquisa, essa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), avaliou o índice de feminicídios no país. Entre os Estados da região Sul, o Paraná possui a taxa mais alarmante. A cada grupo de 100 mil mulheres, 6,49 são mortas, enquanto que o Rio Grande do Sul apresenta uma taxa de 4,64 e Santa Catarina, de 3,28%.

Dados como estes demonstram que o assunto da violência doméstica merece atenção. A cada ano, a Igreja Adventista do Sétimo Dia busca colaborar com órgãos e instituições que atuam na conscientização social sobre o problema da agressividade e do abuso contra crianças, mulheres e idosos. No Sul do País, ações variadas do projeto Quebrando o Silêncio foram desenvolvidas em diversas cidades com o objetivo de levar à tona de que se deve fazer a denúncia através dos órgãos públicos e prevenir através da educação dos públicos. Neste ano, o gancho se concentrou a partir do tema da pornografia – que pode, entre outras coisas, resultar em violência nas relações.

Divulgação nas ruas e em salas de aula

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Passeata contra pornografia e feira de saúde alcançou milhares de pessoas em Cianorte-PR. (Foto: Wendy Almeida)

No Paraná, uma mobilização em forma passeata que ocorreu em Cianorte – considerada capital do vestuário por conta da quantidade de fábricas de roupas – teve parceria com comerciantes, empresários e distribuidoras da cidade. Mais 1,5 mil revistas e folhetos informativos sobre o tema foram entregues a milhares de pessoas que circularam pelo local e o evento foi destaque do jornal Bem Paraná, da RPC TV, afiliada da TV Globo no Estado.

Em União da Vitória (PR), o trabalho de conscientização já vem sendo feito de forma densa com apoio da prefeitura e da secretaria de educação. Os mais de 8 mil alunos da rede municipal têm tido a oportunidade de discutir de maneira aberta, em sala de aula, os temas abordados nas revistas, direcionadas ao o público infantil, adolescente e adulto. O projeto também teve apoio da igreja adventista de Porto União – cidade catarinense que faz divisa com o Paraná. Na mesma cidade, o projeto Quebrando o silêncio também foi objeto de passeata e, ainda, apresentado na Universidade do Estado do Paraná (Unespar), acompanhada da exibição do filme O Silêncio de Lara, média-metragem que aborda a história de uma adolescente que sofre abuso sexual por um familiar. A produção reforça o alerta de pesquisas como a do Ipea, que constata que metade dos casos de estupro de crianças e adolescentes tem como autor familiares, amigos ou conhecidos da vítima. O mesmo estudo, que utilizou dados coletados pelo Ministério da Saúde, revela ainda que 70% das vítimas de estupro em 2011 tinham menos de 18 anos.

No oeste do Estado, as cidades de Cascavel, Mamboré e Umuarama também realizaram passeatas. “Essa campanha é muito importante. Nós temos visitado entidades, abrigos de crianças, creches, mas a maior barreira que nós encontramos é exatamente o crime que acontece dentro de casa e aí é muito difícil de perceber. Então a gente tem orientado justamente que as pessoas quebrem o silêncio. Às vezes até um vizinho ou parente da criança sabe, mas não quer falar”, enfatizou o presidente da Comissão de Defesa Dos Direitos da Criança, do Adolescente e do Idoso, da Assembleia Legislativa do Paraná, Leonaldo Paranhos, que acompanhou a mobilização em Cascavel.

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Crianças e adolescentes tiveram acesso aos conteúdos do projeto Quebrando o Silêncio de acordo com a faixa etária em escolas públicas do Rio Grande do Sul.

Aprendizado entre crianças e adolescentes

No Rio Grande do Sul, o projeto também chegou às escolas públicas com o objetivo de alertar crianças e adolescentes. Um exemplo da ação ocorreu na Escola Municipal Maria Ruth Raymundo, em Sapiranga (RS), onde os mais novos aprenderam a se proteger e denunciar casos de abuso sexual, além de compreenderem que não devem acessar sites desconhecidos ou estar expostos a qualquer conteúdo relacionado à pornografia. “Aprendi que temos que dizer não aos estranhos porque muitos deles podem fazer mal para nós”, conta a aluna do quinto ano do Ensino Fundamental, Ana Laura Müller. Já a adolescente Agnes Kunzler, sabe exatamente o que fazer em caso de problemas. “Aprendi que quem sofre com isso precisa ligar no disque 100 e denunciar, porque se a pessoa guardar segredo, pode piorar a situação das agressões ou abusos”, enfatiza a aluna do nono ano.

Bocas atadas

Em Santa Maria, uma passeata que teve envolvimento de estudantes do colégio adventista do município e jovens do clube de Desbravadores chamou a atenção por um detalhe: os participantes caminharam com fitas adesivas na boca e desenhos de hematomas no rosto. “Essas fitas representam o silêncio das crianças e mulheres que são agredidos e ameaçados. Tal silêncio que precisa ser quebrado através de denúncias e do desabafo das vítimas. Já os hematomas fictícios não simbolizam apenas as marcas físicas da violência, mas também as cicatrizes mentais, sociais e emocionais que uma vida de agressão gera na pessoa. Essas sim são mais difíceis de serem sanadas”, reflete Silvana, do departamento que atende às mulheres e organizadora da mobilização.

Cidades como Porto Alegre, Cachoeirinha, Nova Hartz, Imbé, Guaíba, Pelotas, Canela e Viamão também realizaram passeatas ou ainda, outros tipos de mobilizações do projeto.

Debate

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Pastor adventista participou de debate que discutiu violência doméstica e exposição excessiva na internet, em programa de uma emissora de TV catarinense.

Já em Santa Catarina, o projeto Quebrando o Silêncio foi divulgado em uma emissora de TV. O pastor adventista Elias Leichsenring, responsável por igrejas de Rio do Sul, participou de um debate no programa Toda Manhã, da TV RBA, junto a uma psicóloga, onde dialogaram sobre perigos e consequências do contato com a pornografia, além da questão da exposição excessiva na internet.

Além disto, uma passeata também realizada na cidade de Guabiruba. [Equipe ASN, Willian Vieira, com colaboração de Wendy Almeida, Jéssica Guidolin, Juliana Muniz, Andreia Silva, Douglas Pessoa, Bianca Lorini, Paulo Ribeiro, Daniel Gonçalves]

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