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Refugiados chegam a Uberlândia com emprego e moradia

Com a ajuda da Agência Humanitária de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), eles assinaram o contrato de trabalho e já se mudaram para um apartamento mobiliado.

Por Renata Paes 3 de julho de 2019

Pai e filho assinaram contrato de trabalho. (Foto: Divulgação)

“Olhar para minha mãe e ver ela chorando porque não sabia o que teria no próximo dia para comer era triste demais”, rememora Richard Gabriel Garcia Gonzalez, de 19 anos. Ele conta com tristeza sobre os últimos dias vividos na Venezuela antes de buscar refúgio no Brasil. A data de ingresso no novo país ainda está clara em sua memória. “ Quando terminei o ensino médio, minha vó pediu para mudarmos. Chegamos aqui em 29 de agosto de 2018”, diz ele.

Ele, o pai, a mãe e a irmã foram para Boa Vista, em Roraima, morar com a avó em uma casa alugada. O jovem trabalhava como prestador de serviço temporário em manutenção, na sede de um clube de futebol. Por meio de um amigo, que é voluntário da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), soube da oportunidade de emprego estável e carteira assinada em outro Estado.

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Gonzalez se interessou, mas não criou expectativas. Dias depois, em 1º de julho, ele e o pai, Richard Rafael Garcia Rondón, de 47 anos, desembarcaram em Uberlândia, Minas Gerais: agora com emprego fixo e um apartamento moniliado para morar.

Eles foram trazidos por uma aeronave da Força Aérea Brasileira. No aeroporto, voluntários da ADRA os aguardavam. Após a recepção, uma família os convidou para jantar e depois conheceram o local onde já começaram a morar.

Grupo recebeu imigrantes para dar boas vindas e acomodá-los na nova moradia (Foto: Divulgação)

O apartamento é amplo e foi mobiliado a partir de doações da população, destinadas à ADRA. O local está localizado no bairro Jardim Holanda.

Na terça-feira, 2, os voluntários apresentaram a cidade a Rafael e Gabriel, e o local em que vão trabalhar, que é uma indústria de produção de alumínio. Ao término da visita à empresa, eles saíram com o contrato de emprego assinado. Nesta quarta, 3, realizaram os exames médicos admissionais.

Desejo de fazer o bem

A responsável em conseguir as vagas para ambos foi a gerente de Recursos Humanos, Lauricelly Corrêa. Ela conta que no início do ano, ao passar em frente a um presídio, lembrou de um verso bíblico em que Jesus diz que hospedar um estrangeiro, vestir um necessitado e visitar um preso é fazer o bem ao próprio Cristo.

O desejo de ajudar o próximo sempre esteve presente no coração de Lauricelly. Ao saber do projeto da ADRA com os refugiados para arrecadar móveis, eletrodomésticos, emprego e recrutar voluntários para receber cerca de 100 famílias que chegarão a Minas Gerais até agosto, ela sentiu que essa era a hora de agir pelo próximo.

Cozinha do apartamento em que os imigrantes estão vivendos. (Foto: Divulgação)

“Mergulhei de cabeça e foram dias bastante intensos para conseguir encontrar o apartamento, móveis e tudo mais. Ao ver essas pessoas vivendo nos assentamentos, senti que eles precisavam retomar a dignidade e terem uma nova oportunidade de seguirem a vida”, enfatiza Lauricelly.

Durante três meses, o escritório internacional da ADRA e a filial para todo o território nacional custearão, por meio de recursos vindos do governo norte-americano, os salários e os aluguéis das moradias dos venezuelanos. Os móveis, roupas e sapatos são de doações da comunidade. A ideia é que o restante a família de Gabriel e Rafael cheguem à cidade em breve.

O projeto de interiorização dos refugiados visa transferir 2.400 abrigados em Boa Vista (RR) e direcioná-los às capitais de Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS), Curitiba (PR), Salvador (BA) e Manaus (AM).

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