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Agência humanitária socorre mais de 330 mil refugiados e migrantes

Trabalho com refugiados conta com parcerias. Na América do Sul, agência adventista implementou 20 projetos com esse público no Brasil e em outros três países.

Por Felipe Lemos 20 de junho de 2019

Grande atenção é dada para famílias inteiras que buscam ajuda na fronteira e encontram esperança com trabalho da ADRA. (Foto: Miguel Roth)

Dados da Acnur, agência da Organização das Nações Unidas (ONU) para refugiados, apontam que 68,5 milhões de pessoas foram deslocadas à força em todo o mundo. Isso gera um número de 25, 4 milhões de pessoas na condição de refugiados. É mais ou menos o equivalente à população de um país como a Austrália.

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Na América do Sul, no ano passado, a agência humanitária adventista (ADRA) implementou um total de 20 projetos com refugiados e migrantes em quatro países (Brasil, Argentina, Equador e Peru). O total de beneficiários chegou a 338.692 pessoas e o valor total investido foi de 4 milhões, 404 mil e 95 dólares.

Um dos principais desafios no continente sul-americano tem a ver com a Venezuela. Os dados oficiais afirmam que o Brasil é a quinta nação que mais recebeu refugiados deste país. São 168 mil. Para a ONU, refugiados são pessoas que escaparam de conflitos armados ou perseguições. Costumam cruzar fronteiras internacionais em busca de segurança nas nações mais próximos. Já os migrantes fazem isso, principalmente, para melhorar sua vida e buscar melhores oportunidades de trabalho e educação, diferentemente dos refugiados, que não podem voltar ao seu país, os migrantes recebem a proteção do seu governo.

Projetos desenvolvidos pela ADRA com público venezuelano (Arte: Antônio Abreu)

5 projetos somente com venezuelanos (refugiados e migrantes)

São pelo menos cinco projetos desenvolvidos especificamente com venezuelanos que cruzam a fronteira com Brasil em busca de oportunidades. Neste caso, são mais de 47 mil beneficiados e um investimento de 8 milhões e 84 mil dólares. Em quatro deles, há parceria com organismos da ONU e governo norte-americano, e um deles é implementado diretamente com apoio da Igreja Adventista do Sétimo Dia. São os projetos SWAN (assentamento, água, saneamento e higiene para refugiados e migrantes), CARE (apoio regular em várias áreas para refugiados e migrantes), SAVEB (segurança alimentar), Emergência Roraima (saúde, nutrição, água, saneamento e higiene) e Alimentando Esperança (distribuição de refeições quentes para população de rua).

Veja o depoimento de quem já foi beneficiado:

Esperança para futuro

Um exemplo que retrata o drama de quem teve de deixar a Venezuela é a história da família Valencia. Pai e mãe, Vicente e Yasenis, devem continuar no país vizinho, mas os filhos Rómulo e Issacar se organizam para ficar no Brasil por conta da crise política e econômica. Rómulo, de 25 anos, estudante de psicologia, deixou sua terra natal há dois anos. Enquanto estava na Venezuela, sentiu na pele problemas como hiperinflação, escassez de alimentos e violência urbana.

Nos inusitados momentos vividos, chegou a pagar corrida de táxi com um quilo de açúcar e viu amigos de faculdade mortos em confronto com a guarda nacional. Perdeu dez quilos em um curto período de tempo, pois alega que compartilhou os alimentos que tinha com os colegas, muitos dos quais passavam fome.

Seu sonho é refazer a vida por aqui e concluir o curso. “Durante um período, meu registro como cidadão só me permitia comprar mantimentos às terças e quintas-feiras na Venezuela. E não tinha variedade de marcas e nem quantidade. E já me vi próximo de conflitos violentos. Em dado momento, o salário de um dia de atividade como servente de pedreiro no Brasil era o equivalente à remuneração mensal do meu pai. Uma situação muito complicada”, descreve.

Confirma mais imagens dos projetos realizados pela ADRA e parceiros:

Yasenis, sua mãe, professora de espanhol e que também é migrante, vai e volta para a Venezuela. Ela experimentou a caminhada a pé de mais de 4 horas e meia em alguns lugares. E foi transportada de uma cidade para outra em veículos usados para carregar animais. Mesmo assim, olha com esperança para o futuro da família. Mostra-se confiante em Deus e tem feito a diferença para ajudar na interiorização de mais de 30 pessoas de seu país para diferentes regiões do Brasil.

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