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Aos 100 anos, mulher mantém estudo diário da Lição da Escola Sabatina

Adélia Almeida ainda compartilha aquilo que aprende: hoje ensina a Bíblia para um vizinho de 91 anos.

Por Heron Santana e Jefferson Paradello 12 de outubro de 2019

Tiago White dedicou uma parcela significativa de sua vida às publicações (Foto: Escritório de Arquivos, Estatísticas e Pesquisa da sede mundial adventista)

Em 1852, a Igreja Adventista do Sétimo Dia ainda nem havia nascido oficialmente (o que ocorreria apenas em 1863), mas alguém já pensava em como instigar os jovens a tornarem-se discípulos de Cristo. Foi um homem de 31 anos, que tinha em seu currículo acadêmico apenas 41 semanas de estudos formais, quem deu início ao que hoje é um curso regular que conecta milhões de alunos espalhados pelo globo. 

Preocupado com a falta de conteúdo específico para aqueles que estavam descobrindo a vida cristã em um mundo de acelerado crescimento social e tecnológico no início da segunda metade do século XIX, Tiago White preparou as quatro primeiras lições da publicação que ele chamou de The Youth’s Instructor (O Instrutor Jovem). Na segunda página da edição inaugural, o então editor esclareceu: “Projetamos que o instrutor seja preenchido com assuntos sensíveis, não apenas para o benefício de crianças pequenas, mas também para a instrução dos jovens de 16 a 20 anos de idade.”

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Assim surgiu a Lição da Escola Sabatina, um guia de estudos que posteriormente se tornou trimestral, ganhou versões para todas as faixas etárias, foi traduzido para outros idiomas e até hoje amplia e aprofunda o conhecimento bíblico dos mais de 22 milhões de membros da Igreja Adventista espalhados em mais de 200 países. 

No ano seguinte, 1853, Tiago organizou a primeira reunião para refletir e debater – em grupo – sobre os assuntos abordados pelo manual. O encontro ocorreu em Rochester, nos Estados Unidos, e inaugurou a Escola Sabatina como um ambiente regular para a troca de percepções à luz da compreensão bíblica. Isso viria a ser peça essencial nos programas sabáticos da denominação. De lá pra cá são 166 anos. 

Assim, podemos fortalecer nossa identidade como povo profético, nossa unidade doutrinária e, principalmente, aprofundar nosso conhecimento da Palavra de Deus”, justifica o pastor Edison Choque, diretor do departamento de Escola Sabatina da sede adventista para oito países sul-americanos, ao referir-se aos benefícios da troca e complementação de conhecimentos. 

Seu funcionamento é como o de uma escola: ao longo da semana, os alunos estudam as lições diariamente e, no sábado, geralmente às 9h, reúnem-se em classes para revisar e ampliar o que aprenderam. O assunto é o mesmo em todo o mundo. Ou seja, ao visitar outro templo adventista em qualquer local, os membros estarão envolvidos na discussão do mesmo tópico. 

Base bíblica: caminho seguro

O aprendizado sistemático tem norteado a vida de Adélia Almeida, que em 2019 completou 100 anos de idade. “Minha maior companheira é a Bíblia”, garante a baiana nascida em 15 de abril de 1919. Naquele ano, o mundo vivia o trauma deixado pela Primeira Guerra Mundial, encerrada pouco tempo antes. O Tratado de Versalhes foi assinado e colocou um fim ao conflito.  

Adélia em sua casa durante o estudo da Bíblia e da Lição da Escola Sabatina (Foto: Divulgação)

Na ocasião, o Brasil tinha menos de 30 milhões de habitantes. E no mundo, a gripe espanhola se espalhava como uma das maiores epidemias da história. Chegou ao País fazendo como vítima até mesmo o presidente da nação, Rodrigues Alves, que morreu em janeiro. O adventismo ainda dava seus passos iniciais em território nacional. O primeiro templo estabelecido na Bahia, por exemplo, data de 1912.  

São acontecimentos que ocorrem em uma linha paralela à história de Adélia. Ela se deu conta da Bíblia no dia em que viu o tio explicá-la aos filhos. “Eu passei em frente à casa dele. Estava sentado com os meninos, em uma madeira, estudando”, recorda. A imagem marcou a mulher de forma que ela desejou conhecer mais sobre aquele livro. Foi quando alguém próximo se ofereceu para estudá-lo com ela, fato que mudaria sua vida. 

Para a revolta da mãe, a moça se tornou adventista. O impasse foi capaz de levar a progenitora a ameaçar renunciar a benção para a filha. Mas a coragem da jovem recém-convertida foi recompensada quando, meses depois do batismo, decidiu ensinar o que aprendeu para outras pessoas. 

Lá estava sua mãe, em pé na porta, assistindo-a dar estudos bíblicos. Adélia lembra com carinho da emoção experimentada diante daquele episódio. “Minha mãe passou a dizer: ‘Está vendo que Jesus vai voltar? Tá na Bíblia. Eu vi quando Adélia leu’”, resgata. De oposição, ela passou a apoiar o novo estilo de vida cristã de sua descendente. 

Hoje, a centenária mantém religiosamente o estudo da Palavra de Deus. A Lição da Escola Sabatina é o guia que a ajuda a entendê-la mais. E a rotina mantém-se a mesma. “Acordo, escovo os dentes, bebo água e venho para aqui”, afirma, apontando para a mesa na sala de sua casa, onde mantém o livro sagrado e o guia de estudos. 

Na sede da Igreja para a Bahia e Sergipe, Adélia comemorou os 166 anos da Escola Sabatina (Foto: Divulgação)

E seu conhecimento, até hoje, é empregado para benefício de outros. Atualmente, ela ensina sobre o amor de Cristo para um vizinho de 91 anos. “Já comprei uma Bíblia para ele. Eu quero é que ele entenda a importância da Bíblia e siga esse caminho”, disse, sem esconder um sorriso de satisfação pela experiência de compartilhar aquilo que acredita. 

Fortalecido pelo tempo

Assim como Adélia, aqueles que dedicam tempo diariamente para aprender o que Deus tem a dizer confiam mais nEle, pontua Choque. Ele compara os ensinos e conselhos encontrados no livro milenar a uma bússola que conduz a um caminho seguro. O hábito de estudar a Bíblia e Lição da Escola Sabatina diariamente é um elemento chave no crescimento espiritual, reforça.

Por isso, ele lista cinco motivos fundamentais para se fazer isso todos os dias:

  • O estudo sistemático e permanente provê um conhecimento mais profundo da Palavra de Deus;
  • Meditar nos conceitos ensinados pela Lição leva à oração; 
  •  Os conteúdos dão a certeza de que esse alimento pode ser uma bênção para outros, o que leva o indivíduo a compartilhar o que descobre com alegria;
  • A Bíblia une pessoas;
  • Mergulhar no texto bíblico leva a uma dependência diária de Deus. 

Na América do Sul, a Igreja Adventista tem incentivado o envolvimento dos membros com a Escola Sabatina. As reuniões também proporcionam um ambiente de companheirismo, troca de experiências e fortalecimento da fé. 

Para esquadrinhar os assuntos bíblicos, o projeto Maná, por exemplo, estimula a aquisição do guia com base em um princípio básico: cada dia, cada um, cada manhã. Nos últimos anos, as versões eletrônicas da Lição também tem possibilitado uma experiência mais interativa, com a facilidade para acessar textos bíblicos e compartilhar frases instantaneamente com outras pessoas. 

Seja na Austrália, nas áreas mais remotas do Canadá ou em qualquer região do mundo, a Escola Sabatina continua a manter seu propósito, como aclara Choque, mesmo após os 166 anos desde que a primeira reunião aconteceu: fazer discípulos de Cristo.

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