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Acrobata deixa palco de circo ao conhecer profundidade da mensagem bíblica

Nascida em família circense, Michelly escolheu interromper a carreira para servir a Deus

Por Rafael Brondani 17 de setembro de 2021

Durante 31 anos, Michelly Campelo trabalhou em um circo, percorrendo diversas cidades do Brasil. (Foto: Arquivo pessoal)

“Senhora e senhores! Respeitável público!” Essa foi a frase ouvida por Michelly Campelo durante as mais de três décadas em que atuou no circo. Vindo de uma linhagem circense desde que nasceu, o picadeiro (local de apresentações), holofotes, brilho e palmas fizeram parte de sua história.

Ainda criança, quando as cortinas do circo se abriam, em meio aos risos de palhaços e acrobacias, a pequena Michelly era despertada por um desejo forte de servir a Deus. “Eu sempre fui apaixonada por Jesus. Quando criança, queria ser freira, pois falavam que elas eram casadas com Jesus. Sempre tive vontade de estar perto dEle”, frisa.

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Na infância, apesar da pouca idade, pediu ao seu pai uma Bíblia ilustrada, e a estudava diariamente. O tempo passou e ela se tornou uma jovem acrobata, com muita destreza na profissão. Mas o que realmente necessitava, de acordo com ela, era de equilíbrio espiritual. Foi aí que começou uma busca incessante para aquietar seu coração. “Enquanto o circo andava pelo Brasil, comecei a buscar a Deus. Entrava em várias igrejas evangélicas”, relembra.

Holofotes, brilho e palmas fizeram parte da história da acrobata. (Foto: Arquivo Pessoal)

Encontro inesperado

Em 2014, num certo sábado, já adulta e mãe de dois filhos, Michelly fazia uma caminhada com uma colega do circo na capital do Brasil, quando avistou um templo adventista. “Minha amiga perguntou se eu conhecia aquela igreja. Eu não conhecia. Então ela contou que os cultos eram aos sábados e me convidou para ir. Aceitei, pois além de cuidar da saúde física, eu precisava cuidar também da saúde espiritual”, explica.

Ao chegar no local, os sorrisos e o carinho dos membros cativaram o coração da jovem. “Quando entrei pela primeira vez, me apaixonei pela recepção e pelos louvores. Foi algo que me deixou maravilhada. A Escola Sabatina, tudo me deixou deslumbrada”, pontua.

No entanto, algumas crenças arraigadas impediram a acrobata de seguir a jornada cristã naquele momento. Com isso, Michelly frequentava esporadicamente a igreja. Porém, sempre que saía com o carro de som para fazer propaganda do circo, passava por algum templo adventista. O desejo de frequentar, então, só aumentava.

Quando tudo mudou

“Mas eu só senti que realmente precisava tomar uma decisão quando sofri um acidente em um número que fazia com meu enteado. Ele ficou em estado grave, mas graças a Deus não teve sequela. Fomos à igreja agradecer”, conta.

A acrobata conheceu a TV Novo Tempo e as programações da emissora começaram a fazer parte de sua rotina, despertando o desejo de conhecer ainda mais a Bíblia. “Na cidade em que estávamos, na Bahia, fui à igreja e pedi um estudo bíblico. Começamos a estudar e o circo foi embora. Chegava em outra cidade e explicava onde tinha parado nos estudos e assim demos continuidade, em várias cidades diferentes até eu concluir”, destaca Michelly.

A cada nova cidade, Michelly procurava a igreja e dizia que era funcionária do circo. Os membros, então, se dirigiam até o local e estudavam a Bíblia com ela. Em dado momento, a família toda estava estudando.

Decisão

Batismo de Michelly e de seu esposo (à direita). (Foto: Arquivo Pessoal)

As dificuldades começaram a aparecer. Ao saber que a Igreja Adventista segue os 10 mandamentos bíblicos e guarda o sábado, algumas mudanças precisaram ser feitas.

A família decidiu que guardaria o sábado. “Montamos um circo nosso e começamos guardando o sábado. Na primeira cidade começaram as dificuldades. Meu marido falou que eu teria que trabalhar aos sábados e que quando tivéssemos condições, observaríamos esse dia”, diz.

Muitas vezes, a acrobata ia dormir chorando e pedindo que Deus conduzisse todas as coisas, até que certo dia ela tomou a decisão de não mais trabalhar no sábado. Michelly informou sua decisão ao esposo e pediu que ele a respeitasse.

A circense conheceu o pastor Joaquin Rocha, que, segundo ela, lhe foi como um pai. No dia 18 de março de 2018, ao lado do esposo, Michelly se entregou a Cristo através do batismo.

Recomeço

Uma nova fase começou. “Sempre estou envolvida na missão, como Escola Sabatina, Aventureiros, entre outros. Amo demais! Os irmãos me receberam com muito carinho e acreditaram em mim. Comecei a pregar e a fazer a obra de Deus”, salienta.

Apesar das dificuldades, a ela viu que aquela era uma oportunidade para Deus fazer milagres na vida de sua família.

Hoje Michelly é colportora e ganha seu sustento através da venda de literaturas cristãs que promovem qualidade de vida e carregam mensagens de amor e esperança às pessoas. “Me apaixonei pela colportagem. Atualmente faço faculdade de Educação Física e presto consultoria familiar. Isso tem enchido meu coração de alegria. Também tenho estudado mais sobre tratamentos naturais e hidroterapia”, acrescenta.

“Desde a época em que estava no picadeiro, Deus já me preparava para esta transição. Eu era apaixonada por isso, por receber os aplausos, brilhos, holofotes… Mas não tem como eu comparar isso com o meu amor por Jesus”, acentua.

Michelly olha para trás e vê que valeu a pena enfrentar as dificuldades. “Eu passaria por tudo novamente. A certeza de que Jesus vai voltar e nos levar para um lugar lindo não tem comparação nem mesmo com todos os aplausos de um picadeiro”, conclui.

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