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Mãe deixa tudo no Brasil para estudar Medicina com a filha no exterior

Elas estão há dois anos na Universidade de Aquino Bolívia, em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia.

Por Fabiana Lopes 10 de maio de 2019

Mãe e filha estão há 2 anos na Universidade de Aquino Bolívia (Udabol), em Santa Cruz de la Sierra, Bolívia. (Foto: Arquivo pessoal)

Jeniffer Lauren da Silva, de 20 anos, formou-se no ensino médio em 2016, no Instituto Petropolitano Adventista de Ensino (Ipae). No ano seguinte, ingressou num curso pré-vestibular na Argentina, mas não foi aprovada em Medicina. Seu sonho sempre foi “ser missionária em algum país, podendo trabalhar e dedicar o tempo livre para cuidar das pessoas. Quero dedicar minha vida para Deus e fazer diferença na vida das pessoas.”

Elena, sua mãe, é técnica de enfermagem desde 1998 pela Cruz Vermelha Brasileira, enfermeira formada pela Universidade Estácio de Sá desde 2010 e atuava na área da saúde há 21 anos. Mas também acalentava o sonho de estudar Medicina. Então, com a família, decidiram estudarem juntas, mãe e filha, na Bolívia, deixando tudo para trás no Brasil.

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Laura descreve que a amizade delas é fundamental, além de muito respeito com a individualidade uma da outra. “Moramos juntas, em quartos separados, e estudamos algumas matérias separadas. Temos amigos em comum e individuais, embora estejamos no mesmo período e nos ajudemos constantemente nas tarefas da faculdade. Optamos por um espaço, já que estamos juntas uma boa parte do tempo”, declara a mãe.

Dia a dia

Turma de Medicina de Laura e Jeniffer (Foto: Arquivo pessoal)

Elena Laura está com 44 anos e comenta que se uma pessoa tem vontade de estudar, deve fazer logo. “Não é fácil voltar a estudar depois de tanto tempo, mas Deus nos capacita a cada dia. Minha experiência com a Jeniffer tem sido ótima! É muito bom observar de perto que minha filha cresceu, é responsável, madura, inteligente e faz as coisas melhores do que ensinamos”, pontua. “Sem ela eu não conseguiria. Vim para apoiá-la, mas ela tem tido muita maturidade, me ajuda e cuida muito de mim também”.

Elas dividem as tarefas domésticas: Laura cuida da cozinha e Jeniffer, da casa. Quando tiveram dificuldades com a guarda do sábado, Jeniffer foi quem resolveu o impasse na universidade.

Para Jeniffer, “ter a companhia e a comidinha da mãe não tem preço. É uma das melhores partes em ter a mãe por perto. Faz toda diferença! Também sou muito grata por ela me ajudar com as compras. Eu não levo muito jeito pra isso!”. Os amigos de Jeniffer acham engraçado e interessante o fato de mãe e filha estudarem juntas. Eles dizem, às vezes, que “parecemos irmãs e gostariam que as mães deles estivessem aqui. E eu concordo que é maravilhoso.”.

Atualmente, Laura e Jeniffer congregam na Iglesia Adventista Hamacas, de la Mission del Oriente, pastoreada por Marcelo Moreira, que trabalhava como pastor na Igreja Adventista na região sul do Rio de Janeiro (Associação Rio Sul). Elas auxiliam como professoras de classes infantis: primários e adolescentes. Jeniffer começou a ajudar e depois convidou a mãe, e agora cada uma cuida de uma classe. “O envolvimento com a igreja, somado à oração e aos amigos que fizemos lá e na faculdade, ajudam com a saudade”, destaca Laura.

Impulso

A falta de oportunidade a preço acessível foi o que levou os pais de Jeniffer a buscarem o curso de Medicina fora do País. “Pesquisamos a respeito, principalmente a questão do Revalida, prova que é feita para os formandos em Medicina do exterior para atuar no Brasil”.

A Bolívia, sublinha Renan Paulino, pai de Jeniffer, está entre os países que tem o melhor índice de aprovação. “Temos familiares que também estudaram na Bolívia e já estão trabalhando no Brasil, pois conseguiram passar na prova”, descreve.

Renan (pai), Laura, Renan (filho) e Jeniffer (Foto: Arquivo pessoal).

Os pais de Jeniffer, Renan e Laura, são adventistas e sempre prezaram pela educação da filha nos colégios adventistas. Após uma tentativa que não deu certo na Argentina, eles resolveram tentar na Bolívia. “Decidimos juntos que, neste momento, a Jeniffer precisa mais da Laura lá na Bolívia, e assim fizemos. Não é fácil. Nos vemos a cada dois meses, mas nos falamos todos os dias por telefone. Estamos reaprendendo a namorar à distância!”, relata o casal.

Casada há 21 anos com Renan Paulino, Laura diz que a distância e saudade do marido e do filho, que também se chama Renan, são os maiores obstáculos para ela, pois só ficava longe do esposo para trabalhar. A família aguarda ansiosa pelas férias, quando aproveitam ao máximo todo o tempo juntos para matar a saudade.

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