Encontro em Porto Alegre motiva jovens que querem viver ou aprimorar experiência missionária
Encontro "Por Toda Terra" na PUC-RS celebra formatura da Escola de Missões, apresenta relatos de quem vivenciou a missão na prática e incentiva a participação de novos voluntários

No último sábado, 6, um congresso realizado no centro de eventos da PUC-RS reafirmou o chamado de jovens que tem, no coração, o desejo de terem um estilo de vida missionário, seja onde estão ou, ainda, em outras cidades e, por fim, em outros países e culturas. O evento "Por toda terra" teve como base central, o texto bíblico de Atos 1:8, onde o Espírito Santo é prometido aos discípulos como reforço de que eles poderiam ser testemunhas de Jesus em Jerusalém, uma referência ao contexto local; Judeia e Samaria, uma indicação sobre serviço em outras cidades e estados e, por fim, nos confins da terra, um incentivo para ampliar o evangelismo de tal forma que alcance outros países e culturas além das fronteiras brasileiras.
Na primeira plenária, o líder de jovens adventistas da região central do Rio Grande do Sul, pastor Wagner Willyam, falou sobre a necessidade que os cristãos tem de sair da zona de conforto, orando menos por proteção ou por si mesmos, e mais por ousadia para a missão. O evento, que contou com louvor e mensagens especiais do Ministério Faces, da Gravadora Novo Tempo, também esteve repleto de testemunhos relacionados a esse aspecto, além de um momento especial de envio missionário.
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Ainda no primeiro bloco, quem esteve no local acompanhou a formatura da Escola de Missão, uma parceria entre o Serviço Voluntário Adventista, Ministério Jovem e Instituto UNA Brasil, consolidando um ciclo de preparo que vem formando voluntários para frentes de curta, média e longa duração. Nos últimos meses, a iniciativa foi apresentada à juventude regional como um ambiente imersivo de capacitação espiritual e prática para o serviço, com ênfase em realidades como a Amazônia e o contexto transcultural.

Em sua mensagem, o pastor Gustavo Marques, líder de Jovens da Igreja Adventista para o Sul do Brasil, contou um pouco da sua experiência como estudante de teologia no momento em que foi enviado para uma região repleta de desafios com objetivo de apoiar a pregação do evangelho. Apesar de uma série de dificuldades vividas, foi neste local em que viu a mão de Deus atuando em cada detalhe, especialmente em relação a proteção diante dos perigos, sem falar no mais importante: pessoas manifestando de forma pública, a desejo de colocar a Deus como o centro da vida e das ações.
Diante disso, Marques convidou a juventude a uma decisão pública no que chamou de oração perigosa. “Peça a Deus uma oportunidade e Ele vai colocar pessoas no seu caminho. Desvie daqueles que atrapalham a missão e entenda que a batalha é do Senhor. Seja sincero e diga, ‘Senhor, eu não sei como e nem tenho condições, mas estou aqui para que você me use – seja em casa, do outro lado da rua, em outra cidade ou estado... Abra portas para que eu seja um missionário”, sublinhou o líder.
O evento também foi palco para o lançamento da Missão Calebe 2026 que, inclusive, deve retomar, desta vez, com a possibilidade de participação no formato de confinamento, onde um grupo de jovens voluntários viajam para uma cidade específica durante parte das férias e realizam visitações durante o dia e séries evangelísticas durante a noite.

Na sequência, o pastor Victor Bejota, um dos convidados especiais do encontro - conhecido por mostrar a rotina e o voluntariado realizado em outras culturas -, trouxe relatos sobre vivências em países da janela 10/40, em especial na Tailândia e na fronteira com Mianmar.
Além dele, o pastor William Geisler, que serviu por um ano como missionário no Camboja, descreveu um terreno cultural marcado por desafios ligados ao contexto religioso local, o que precisou de uma contextualização mais específica para se comunicar de forma efetiva. Além disso, o líder espiritual que atua como auxiliar na Igreja Adventista do Estreito, em Florianópolis, reforçou que o campo missionário existe pela necessidade urgente advinda das pessoas do local. “Missão não é um sonho a ser realizado; é um dever a ser cumprido”, reforçou.
A experiência o levou a avaliar o próprio coração. “Eu achava que Deus precisava de mim… Ali, entendi que o que acontecia não era sobre mim; era sobre o que Ele já estava fazendo. Missão não é um favor que Deus nos pede; é um privilégio que Ele nos concede”, refletiu o pastor.
O congresso voltou então a “Judeia e Samaria” com a lembrança da Missão Amazônia, ocorrida via projeto Send Me, que levou 26 voluntários da região central do RS à comunidade ribeirinha de Vila Monteiro, no Amazonas. O grupo navegou cerca de 40 horas a partir de Manaus, montou redes no barco, atendeu famílias, construiu banheiros e uma pequena biblioteca e celebrou decisões batismais. O pastor Wagner Willyam, que liderou a equipe, resumiu o sentido da viagem: atendimento médico essencial onde tudo é distante e caro, muito trabalho físico e um impacto espiritual concreto para quem foi e para quem recebeu.

Quase no fim, os jovens se uniram num momento de consagração e envio de dois voluntários que passarão por um período em missão. Francielli e seu noivo, Tobias, ambos fieis da Igreja Adventista do bairro Sarandi, em Porto Alegre, partirão para a Rússia. Diante disso, o pastor Wagner convidou os jovens a orarem e oportunizou cada presente a contribuir com os custos de deslocamento através de um QRCode.
Durante o evento, jovens tiveram acesso a formulários de candidatura para os próximos passos do movimento Por Toda Terra: Missão Calebe como expressão de “Jerusalém”, o retorno do Send Me à Amazônia como “Judeia e Samaria”, a perspectiva de uma frente no Peru e o acesso ao Serviço Voluntário Adventista (SVA) para quem sente o chamado aos “confins da terra”, com oportunidade de voluntariado em outros países. A agenda dialoga com a trilha de formação consolidada pela Escola de Missão, que a juventude regional vem acompanhando ao longo do ano.
A apresentação da Mission House encerrou o programa com um retrato do movimento missionário internacional sediado na Tailândia, voltado a preparar e enviar a próxima geração de líderes cristãos na Ásia e a inspirar jovens a viver a missão. O vídeo exibido narra a jornada de brasileiros que decidiram se dedicar integralmente ao serviço e traz a história de Ingridy e seu encontro com crianças da escola Peace River, na fronteira com Mianmar — relatos de guerra, fuga e sobrevivência que evidenciam a urgência de oferecer dignidade social e, sobretudo, o amor de Jesus.
