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Ricardo Vargas

Ricardo Vargas

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Como manter seu cérebro jovem – Parte 1

Quando o assunto é saúde, o cérebro deve receber atenção especial  (Foto: Shutterstock)

Envelhecimento é uma palavra que assusta, apavora e gera preocupação em muita gente. Mas, infelizmente, na maioria das vezes as preocupações são meramente estéticas. Ninguém, ou talvez um grupo muito pequeno, está preocupado com o envelhecimento dos órgãos internos. De todos eles, a maior atenção deveria ser dada ao maestro de todo o organismo: o cérebro.

Quando nascemos, ele é como um HD (hard disk, ou disco rígido): limpinho, pronto para armazenar nossas memórias, que podem ser divididas em três tipos diferentes:

Memória genética: armazena experiências e informações vividas ainda no útero da mãe e nos primeiros anos de vida, durante o que chamamos de primeira infância. Essa memória ajuda a explicar muito do nosso comportamento, que às vezes temos dificuldade de decifrar, porque agimos de determinada maneira diante de algumas situações.

Memória existencial: são todas as experiências que vivemos e informações que adquirimos durante nossa vida, mas que não necessitam ser utilizadas ou recordadas no dia a dia. Estão ali, quietinhas, só esperando para ser lida por algum dos fenômenos de leitura da memória. Quando acessadas, podem nos recordar de experiências amargas, trazer um sentimento de angústia, um vazio existencial ou um nó na garganta. Já outras memórias trazem sensações agradáveis: tornam nosso dia mais feliz, produtivo e o céu fica mais colorido.

Memória de uso contínuo: esta memória contém as experiências recentes e as informações que mais precisamos acessar devido o trabalho, estudo ou relacionamentos que estamos vivendo. Toda informação contida na memória de uso contínuo pode migrar para a memória existencial se não for recordada com certa frequência. Por isso, é importante relembrar os bons momentos da vida, das pessoas queridas e dos lugares que marcaram.

Infelizmente, o estilo de vida do mundo atual não contribui para a longevidade do cérebro. Ele tem envelhecido precocemente e levado nossas memórias para algum buraco negro onde não conseguimos mais acessá-las. Doenças como Alzheimer e demência, que se manifestavam somente na terceira idade, tem batido a porta precocemente.

Quando chegamos aos 40, um processo de morte neuronal chamado gliose (morte de células da glia – um tipo de neurônio) se intensifica. Esse fenômeno pode ser observado quando realizamos uma tomografia computadorizada: é possível ver espaços em branco, o que representa a morte de neurônios.

Isso acontece quando não são substituídos. Mas existe um alento: um processo chamado plasticidade neural, capacidade que o neurônio tem de prolongar seus detritos, cobrindo os espaços vazios que surgiram em decorrência da morte neuronal. No entanto, para que isso ocorra, é importante ter um estilo de vida saudável.

Por isso, veja algumas dicas importantes que lhe ajudarão a manter seu cérebro jovem, mesmo na velhice.

Mantenha o peso ideal: temos no Brasil uma estatística assustadora: aproximadamente 60% da população encontra-se acima do peso. Quando o percentual de gordura corporal aumenta, formam-se pontos de acúmulo de gordura distribuída pelo organismo. A região abdominal é o local de maior depósito, mas exames apontam acumulo de gordura no cérebro, o que gera inflamação. Estes processos inflamatórios inferem no bom funcionamento cerebral. Quanto maior o peso, maior é a sobrecarga de trabalho ao coração. Estar acima do peso também prejudica a circulação.

Troque os alimentos refinados pelos integrais: o processo de refinamento promove inúmeras perdas de nutrientes. O alimento que já vem empobrecido devido aos solos sem a devida adubação sofre perdas que comprometerão sua qualidade nutricional. Durante o processo industrial, 100% da fibra insolúvel é perdida, 90% das vitaminas do complexo B e também a vitamina C são eliminadas e, por fim, 80% dos minerais se perdem durante o processamento. Os refinados são os famosos alimentos ricos em calorias vazias. Eles mantêm o amido, que favorece o ganho de peso, mas em nada ajuda a nutrir o organismo.

Faça atividade física: o bom funcionamento cerebral depende de uma boa circulação sanguínea. A prática da atividade física melhora a circulação, leva mais nutrientes e favorece a retirada do lixo que é produzido pela atividade cerebral. Ela ainda melhora o humor, aumenta a autoestima das pessoas, promove melhores escolhas no dia a dia e livra da necessidade de ser dependente da dopamina (hormônio do prazer). O exercício também cansa o corpo e melhora a noite de sono.

Controle o consumo de sal: o sódio presente no sal de cozinha aumenta o volume de sangue. Como consequência, ocorre o aumento da pressão sanguínea, o que pode elevar o atrito sobre os vasos sanguíneos. Isso predispõe a formação das placas de ateroma, placas de gordura que se formam dentro do vaso sanguíneo e que dificultam a passagem do sangue. Menos sangue chegando ao cérebro é igual a menos nutrição. Em decorrência desse aumento, cresce a taxa de filtração glomerular: os rins vão trabalhar mais e assim muitos minerais serão perdidos na urina, o que prejudica o funcionamento cerebral.

Não fume: o cigarro aumenta a pressão e gera problemas parecidos com o excesso de sódio. Mas além dessa condição, o que preocupa é a formação dos radicais livres, que são espécies radioativas de oxigênio. Eles promovem oxidação das células e geram lesões. Quando nos vasos sanguíneos, pode ocorrer a formação de placas de ateroma, como também o enrijecimento das artérias, o que prejudica a circulação. O cigarro ainda destrói a vitamina C, fundamental para o transporte de oxigênio.

Evite o consumo de estimulantes: risque do seu cardápio a cafeína presente no café, refrigerantes à base de cola, energéticos e chocolate. Também retire a teína presente no chá mate (Ilex paraguariensis) e nos chás verde, preto, branco, vermelho e amarelo (Camelia sinensis). Outro estimulante é a teobromina presente no chocolate. O açúcar e a gordura, principalmente a saturada, também têm ação estimulante e devem ser retiradas do cardápio.

No próximo artigo veremos outras orientações para manter o cérebro em pleno funcionamento.

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