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Coluna | Eduardo Lopes

Identidade organizacional: A responsabilidade estratégica da liderança

O líder é responsável por reforçar a importância de ter uma identidade alicerçada para não perder a essência da organização que lidera


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Preservar a identidade de uma empresa não é sobre fazer sempre as mesmas coisas, mas sobre não perder a essência em tudo o que fizer (Foto: Shutterstock)

Quando alguém fala em Ferrari, logo pensamos em velocidade e desempenho. Toyota lembra confiança. Fiat passa a ideia de praticidade. No futebol é igual: cada time tem seu estilo, sua camisa, sua história. A torcida percebe quando o time joga com sua identidade. Isso não é acaso. É construção ao longo do tempo.

Identidade é o que diferencia, é o que faz uma marca ser reconhecida mesmo sem mostrar o logotipo. É o que cria conexão emocional. Não é apenas o que se vende, mas o que se representa. É isso que gera valor duradouro.

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Agora pense como organização. Se alguém perguntar quem somos, qual é nossa essência e o que nunca negociamos, a resposta será clara? Ou dependerá da área, da unidade ou da pessoa que responde? Quando não há clareza, há ruído. E ruído enfraquece a cultura.

Identidade perdida

A história empresarial mostra o que acontece quando a identidade se perde. O Mappin foi referência no varejo brasileiro. A Varig foi símbolo de excelência na aviação. A Kodak dominou a fotografia mundial. Eram fortes, eram conhecidas, mas perderam espaço e relevância. Mudanças acontecem. Perder a essência se torna fatal.

A Kodak é um caso emblemático. Criou a câmera digital, mas demorou para adotá-la porque sua identidade estava presa ao filme fotográfico. Quando identidade se confunde com produto, a organização fica rígida. Ela protege o passado e perde o futuro.

Já o Mappin e a Varig enfrentaram mudanças profundas sem uma cultura forte que orientasse decisões. Faltou clareza de essência. Faltou um eixo firme. Tamanho, estrutura e tradição não substituem identidade.

Em contraste, Apple e Amazon mostram outro caminho. A Apple mudou seus produtos várias vezes, mas manteve sua essência ligada à inovação e à experiência. A Amazon começou como livraria online, mas sempre colocou o cliente no centro. O que vendem mudou. O propósito, não. Essa coerência sustenta crescimento.

Orientações bíblicas

A Bíblia confirma esse princípio. Provérbios 29:18 diz: “Não havendo visão, o povo se corrompe.” Onde não há visão clara, surge desordem. Identidade está ligada à visão. Sem visão viva, a organização perde foco e se fragmenta.

O texto de Deuteronômio 6:6-7 orienta que os princípios fossem ensinados todos os dias, em todos os momentos. Em Josué 4, as pedras erguidas após a travessia do Jordão serviam como memorial para que a história fosse contada às próximas gerações. A repetição preservava a identidade. História lembrada fortalece a cultura.

O alerta aparece em Juízes 2:10 (NVI): “Surgiu uma nova geração que não conhecia o Senhor nem o que ele havia feito por Israel.” Houve quebra na transmissão. Quando deixam de contar a história, a identidade se perde. O mesmo ocorre nas organizações quando valores e propósito deixam de ser reforçados.

O caráter é a base

A escritora Ellen G. White registrou: “Nada temos a temer quanto ao futuro, a menos que nos esqueçamos do caminho pelo qual o Senhor nos tem conduzido”. Esquecer a trajetória enfraquece o futuro. A profetisa também afirma: “É o caráter, e não a posição, que faz o homem verdadeiramente grande” (Educação, p. 57). O mesmo vale para instituições: não é o tamanho que sustenta uma organização, mas seu caráter — sua identidade.

Identidade não se mantém sozinha. Ela precisa ser ensinada, repetida e protegida. Liderar não é apenas entregar resultados; é guardar a essência. É ligar cada decisão ao propósito original. É defender valores quando surgem pressões por atalhos. Produtos podem ser copiados, estratégias podem ser imitadas, mas quando a identidade se perde, a organização perde sua alma. Preservar quem a instituição é não se trata de uma tarefa secundária — é a responsabilidade mais estratégica da liderança.

Eduardo Lopes

Eduardo Lopes

Gestão para Ação

Entenda, reflita e atue melhor para ajudar no desenvolvimento das pessoas

Graduado em Administração, é mestre em Liderança e em Negócios Internacionais, e doutor em Gestão da Competitividade pela FGV. Possui mais de 20 anos de atuação profissional em posições executivas na área de recursos humanos, marketing e direção geral.