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Tesouros escondidos

Como Deus me encontrou no meio da dor e transformou completamente minha história


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Clarice pregando sorridente na igreja com um fundo infantil e colorido. Por anos, ela buscava pelos "tesouros escondidos" de Deus para sua vida.
Sempre tive no coração o chamado de servir, cuidar e fortalecer mulheres na caminhada com Deus (Foto: Arquivo pessoal)

Minha vida sempre foi muito corrida. Eu acordo cedo, antes mesmo do sol nascer. Às 5h40 já estou em pé, me preparando para correr e treinar. Depois sigo para o trabalho. Começo às 7h, e o dia vai passando em um ritmo acelerado. Às 12h30 volto para casa, descanso um pouco, mas logo preciso sair novamente para levar minha mãe à fisioterapia. 

Sou cuidadora de idosos e de uma criança com necessidades especiais. Isso exige muito de mim, tanto fisicamente quanto emocionalmente e espiritualmente. Sempre fui muito ativa, comunicativa, gosto de conversar, de estar com pessoas. Mas, apesar de toda essa movimentação, havia um silêncio dentro de mim que ninguém percebia. 

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Sou viúva há seis anos. Fui casada durante 29 anos com um pastor de outra denominação, e a igreja sempre fez parte da minha vida. Sempre servi a Deus por meio do ensino, da ministração, de cursos cristãos e palestras. Mas quando meu marido faleceu, algo dentro de mim se fechou. Passei dois anos vivendo praticamente isolada. Eu me recolhi, me calei, me escondi dentro do meu próprio quarto. 

Welder Paula da Silva foi meu parceiro de vida por quase três décadas (Foto: Arquivo pessoal)

Uma pergunta inquietante 

Mesmo orando, havia algo que me incomodava profundamente. Eu falava com Deus e dizia: “Senhor, deve haver algo mais… não é só isso.” Essa frase começou a crescer dentro de mim. Eu sentia que Deus tinha algo além daquilo que eu já conhecia. Como se existissem “tesouros escondidos” que ainda não tinham sido revelados ao meu coração. Eu não sabia, mas essa busca já era Deus me conduzindo. 

Um dia, recebi uma ligação inesperada. Era o Israel, um colega de trabalho do meu irmão. Ele era membro da Igreja Adventista, soube da minha inquietação e resolveu me ligar. Começamos a conversar, e ele me perguntou sobre minha rotina, minha vida e minha fé. Fui contando tudo, naturalmente. 

Até que, em um momento da conversa, ele disse: “Clarice, você sabia que Papai do Céu tem mais para você? Existem tesouros escondidos.” Na mesma hora, algo aconteceu dentro de mim. Foi como se Deus estivesse falando diretamente comigo. Aquela era exatamente a frase que eu repetia em minhas orações. Ali, eu entendi que Deus estava me respondendo. 

Na semana seguinte eu comecei a participar de estudos bíblicos conduzidos pelo Israel. Eu ia com sede. Fazia as lições com dedicação, anotava perguntas, queria entender tudo. Meu coração estava aberto. 

Entre a descoberta e a resistência 

Conforme os estudos avançavam, especialmente sobre o livro de Daniel, eu passei a compreender muitas coisas. Mas nem tudo foi fácil de aceitar. O tema do sábado mexeu profundamente comigo. Era justamente o dia em que minha vida era mais intensa, o dia em que eu mais trabalhava, mais atendia, mais ganhava dinheiro. 

Eu lembro de dizer claramente: “Isso eu não vou mudar.” Fiquei incomodada, questionei, resisti. Cheguei a pensar em parar de estudar. Porém, mesmo quando eu quis recuar, Deus continuou trabalhando em mim. 

Durante aquela semana, no meu trabalho, no horário de almoço, senti o Espírito Santo falar comigo de maneira muito pessoal e, aos poucos, meu coração foi sendo moldado. 

O cuidado de Deus 

Decidi visitar a Igreja Adventista. Fui sozinha. Durante o culto, uma mulher chamou minha atenção: Gláucia Quiles. Ela foi chamada ao púlpito para orar e, quando começou a falar, algo tocou meu coração. 

Selfie de Clarice junto com Gláucia Quiles, líder do Ministério das Mulheres. Ela foi um dos tesouros escondidos.
Gláucia Quiles é minha líder do Ministério da Mulher no Vale do Paraíba (Foto: Arquivo pessoal)

Naquele exato momento a procurei nas redes sociais porque queria saber quem era aquela mulher. Descobri. Gláucia é a diretora do Ministério da Mulher da Igreja Adventista para a região do Vale do Paraíba. Mandei mensagem e fiz perguntas, muitas perguntas. Eu estava com sede. E ela percebeu isso. 

Gláucia respondeu minhas mensagens de maneira muito carinhosa, até que me fez um convite para participar de um encontro de mulheres chamado SPA Espiritual. Eu nem sabia direito o que era, mas aceitei. E aquele dia marcou a minha vida. 

O SPA Espiritual é um projeto promovido pela Área Feminina da Associação Ministerial (AFAM) da Igreja Adventista. A proposta é envolver mulheres em um momento de conexão real com Deus por meio de diversas atividades espirituais. 

E foi ali, em meio àquelas mulheres, que eu vivi algo que nunca tinha experimentado. Vivi um cuidado profundo, um carinho verdadeiro, um amor que vinha de Deus. Houve um momento de oração em que fui abraçada, e palavras foram ditas sobre mim. Eram coisas que ninguém sabia, dores que eu nunca tinha compartilhado e foi como se Deus estivesse dizendo: “Eu estou aqui. Eu sempre estive.”

Eu costumo dizer que naquele dia senti um “chamego” de Deus. Um cuidado íntimo, pessoal e necessário. Um dos tesouros escondidos.

A decisão  

Saí daquele encontro diferente. Estava pensativa, mas, acima de tudo, decidida. Eu entendi que não queria mais viver uma fé parcial. Não queria apenas momentos com Deus. Eu queria tudo o que Ele tinha para mim. Mesmo sendo evangélica, mesmo tendo sido esposa de pastor, eu percebi que Deus estava me chamando para algo mais profundo e mais completo. 

Naquela semana, tomei minha decisão. Fui batizada na Igreja Adventista. 

Clarice dentro do tanque batismal ao lado do pastor que a batizou.
Fui batizada na Igreja Adventista no dia 6 de junho de 2025. (Foto: Arquivo pessoal)

Hoje, quando olho para trás, vejo claramente que Deus nunca deixou de me buscar. Mesmo na dor, no silêncio e na correria, Ele estava ali. E eu encontrei, ou melhor, fui encontrada, pelos tesouros escondidos que Ele tinha preparado para mim. 

Hoje posso dizer com toda certeza que, desde aquele dia do SPA, minha vida é outra.  


Clarice Ferreira da Silva é mãe, avó e cuidadora de idosos e de crianças com necessidades especiais. Reside em São José dos Campos, interior de São Paulo.  

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