Em busca de uma fé coerente
O que começou como uma busca pela verdade culminou em um encontro real com Cristo e em uma fé verdadeiramente coerente

Meu nome é Marcelo e durante 46 anos da minha vida fiz parte de outra denominação; 13 deles servi como sacerdote. Meu caminho, marcado pela fé e pelo serviço, deu uma guinada muito importante há nove anos, quando decidi voluntariamente deixar o ministério sacerdotal. O cansaço e a insatisfação espiritual, entre outros fatores, levaram-me a tomar essa decisão, que trouxe tranquilidade e paz à minha vida.
Com o tempo, longe da “obediência cega” a critérios inquestionáveis que eu havia aprendido como “divinamente revelados” fora das Escrituras, percebi que tantos anos de estudo, oração e serviço não haviam me preparado o suficiente para responder a mim mesmo as perguntas que começaram a surgir em meu interior.
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A busca por respostas me levou a explorar diferentes correntes teológicas, mas foi um vídeo da Igreja Adventista do Sétimo Dia que tocou meu coração. O ensino sobre a não imortalidade da alma e a inexistência do inferno ressoou profundamente em mim, desafiando tudo o que eu havia acreditado e ensinado.
Logo entrei em contato com um conhecido adventista para que me contasse mais sobre suas crenças. As conversas, pelo WhatsApp e também presenciais, eram intermináveis, embora para mim parecessem apenas alguns minutos.

Com o passar dos dias, o amigo adventista foi me contando sobre sua fé e me oferecendo um estudo bíblico inesquecível, e convidou-me para participar, em um sábado, da Escola Sabatina e do culto. Era a primeira vez que eu ia a uma igreja de outra denominação. Eu estava um pouco nervoso, mas muito confiante de que aquele era o meu lugar: Deus queria que eu estivesse ali. Assim começaram as conversas com outros adventistas e com o pastor do distrito ao qual agora pertenço.
Uma nova comunidade de fé
Depois de um processo de reflexão e oração, tomei a decisão de abandonar minha antiga fé e buscar um novo caminho. No início de fevereiro, fui batizado na Igreja Adventista, marcando um novo capítulo em minha vida, cheio de plenitude e clareza, de confiança e de verdadeira paz em Cristo, o único Salvador.
Essa mudança não foi fácil. Deixei para trás uma comunidade, uma identidade e um estilo de vida que conheci durante décadas. No entanto, a busca pela verdade e a coerência com aquilo que fui descobrindo como verdadeiro me impulsionaram a seguir em frente.
A Igreja Adventista do Sétimo Dia se tornou meu novo lar, minha nova família, oferecendo-me uma perspectiva diferente sobre a vida, a morte e o propósito da própria existência.
Decisão transformadora
A capacidade humana, iluminada por Deus, de buscar, questionar e encontrar um novo caminho pode ser considerada não apenas uma opção, mas eu diria uma exigência da minha própria existência: fui criado por Deus e para Deus. Sem Ele, eu não teria encontrado paz interior.
À medida que fui avançando nessa nova etapa, percebi que a fé não se trata de seguir dogmas ou tradições, mas de viver um relacionamento autêntico com Deus e consigo mesmo. A Igreja Adventista me ofereceu uma comunidade acolhedora e uma compreensão mais profunda e, acima de tudo, real da Bíblia.

Fé viva
Meu caminho espiritual me lembra, cada vez que o observo, que nunca é tarde demais para buscar a verdade e encontrar um novo propósito. Também estou consciente de que, sem um irmão que me tivesse feito reconsiderar minhas crenças religiosas, eu jamais teria conhecido a Verdade. Estou convencido de que a graça e a misericórdia de Deus podem transformar vidas e oferecer um novo começo.
Meu coração está cheio de gratidão; meu espírito foi renovado pela Palavra da Vida e estou pronto para enfrentar os desafios e as oportunidades de anunciar a todos os que cruzarem o meu caminho que Cristo em breve voltará.
A oração tem, em todo esse processo de transformação interior, um papel decisivo: cada versículo da Bíblia que leio, cada reflexão que medito, ao me deixar iluminar pela graça, continua me transformando. Isso é o que desejo: que seja Cristo quem realmente viva em mim.
Marcelo de la Concepción é natural da cidade de Gualeguaychú e vive em Rosario del Tala, Entre Ríos, Argentina, e trabalha há alguns anos como professor de filosofia.