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Radiografia mostra o desafio da fidelidade bíblica

Relatório da Tesouraria durante Comissão Diretiva Plenária da Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul reforça gratidão e atenção.


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Pastor Edson Medeiros ressaltou a profunda gratidão pela fidelidade dos membros adventistas e trouxe reflexões importantes quanto ao cuidado de cada pessoa que se torna adventista. (Foto: Gustavo Leighton)

O conceito bíblico de fidelidade a Deus é retratado como um dos principais temas na relação entre a criatura e o Criador. Há pelo menos três dimensões presentes. A fidelidade nos dízimos e ofertas é considerada um atributo essencial do caráter de Deus (Deuteronômio 7:9), ou seja, parte de quem Ele é. Fidelidade também é um conceito relacionado à lealdade estabelecida na aliança dos seres humanos com Deus (Oseias 2:19,20).

E, finalmente, como uma derivação das duas primeiras dimensões, fidelidade é compreendida como a integridade prática dos que amam e obedecem a Deus (Mateus 25:21). A partir deste entendimento, foi apresentado e votado, na segunda-feira, 4 de maio, o relatório da Tesouraria da sede sul-americana adventista durante a Comissão Diretiva Plenária.

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O pastor Edson Medeiros, tesoureiro da Igreja Adventista do Sétimo Dia para oito países sul-americanos, apresentou aos delegados uma radiografia da fidelidade dos membros adventistas no território. O objetivo foi mostrar como é possível fortalecer o compromisso com Deus e identificar pontos de atenção quanto a tendências futuras.

Características dos dizimistas

A radiografia identificou que a idade média dos membros fiéis nos dízimos é de 48 anos. Entre eles, 60% são mulheres, 53% são casados, 35% são solteiros e a maioria tem até 15 anos de batismo. Outro dado relevante, que aponta para o futuro, é o de que 44% desses dizimistas são usuários ativos do aplicativo 7Me — recurso que permite ao membro adventista acessar diferentes serviços e informações oficiais da igreja, incluindo a possibilidade de fazer a devolução do dízimo e de ofertas de forma digital.

Há diferenças no percentual de fidelidade por faixa etária. Até 40 anos de idade, conforme dados de 2026 da Tesouraria, o percentual de dizimistas chega a 35% do total. Entre 41 e 60 anos, o percentual sobe para 36% e, acima de 61 anos, outros 30%.

Fidelidade, permanência e saídas

Os dados levantados pela Tesouraria evidenciam que, nos últimos dez anos, 56% dos membros batizados permaneceram na igreja; por outro lado, 43,1% a deixaram no mesmo período. Entre os que permaneceram, o percentual de dizimistas era maior (26,8%) do que entre os que saíram (21,3%). Há, portanto, uma relação estabelecida entre o hábito de fidelidade nos dízimos e a permanência na igreja. Os dados indicam que 9 em cada 10 membros adventistas que abandonam a igreja não são dizimistas regulares, considerados aqueles que doam até oito vezes por ano.

Essa realidade confirma o que já apontava o pastor Marcos Bomfim, diretor mundial da área de Mordomia Cristã da Igreja Adventista, responsável pela promoção do conceito de fidelidade bíblica. Bomfim falou recentemente sobre as modificações relativas ao tema no Manual da Igreja Adventista do Sétimo Dia. "Elas apresentam o ato de dizimar e ofertar sob uma perspectiva de disciplina espiritual, e não como mera doação ou contribuição para a igreja. Promovem essa prática como um ato de submissão a Deus e à Sua Palavra."

Hábitos consolidados

Outro aspecto importante destacado pelo pastor Edson Medeiros diz respeito aos hábitos desenvolvidos por novos membros. Os dados mostram que quem devolveu o dízimo nos primeiros 13 meses após o batismo tende a permanecer na igreja. Do total de novos membros fiéis no dízimo nesse período, apenas 18,1% deixaram a igreja. Entre os que não foram fiéis na devolução do dízimo no mesmo período, o índice de afastamento subiu para 31,8%.

Atenção para a fidelidade

Os desafios futuros quanto à fidelidade, nos dízimos e ofertas, merecem atenção significativa da liderança adventista. O relatório da Tesouraria indicou que há um grupo de membros dizimistas que precisa ser acompanhado de perto. A razão é clara: se a tendência estatística se confirmar, quatro de cada dez membros com perfil de não devolução de dízimos deixará a Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul nos próximos anos.

O alerta do tesoureiro se sustenta também nos dados históricos do período entre 2016 e 2025: 53,8% dos membros ainda se mostravam dizimistas ao longo desses dez anos.

Por outro lado, o relatório aponta que, na última década (2016–2026), 62,1% dos dizimistas são novos membros que nunca registraram dízimo antes ou recém-batizados. Outros 37,9% são os chamados retornantes: aqueles que já devolverem o dízimo em algum ano anterior, mas de forma inconstante.

Segundo Medeiros, a devolução dos dízimos e ofertas não deve ser compreendida como uma questão meramente financeira, mas como uma expressão clara do compromisso com Deus, de pertencimento à comunidade de fé local e mundial. Para o líder, o acompanhamento intencional dos novos membros desde o início de sua jornada espiritual é essencial, pois é nesse cuidado contínuo que se encontra um dos maiores potenciais de crescimento e fortalecimento da igreja.

Referência:

1.Alterações no Manual da Igreja: Mordomia, pastoreio e formação de discípulos: https://noticias.adventistas.org/pt/alteracoes-no-manual-da-igreja-mordomia-pastoreio-e-formacao-de-discipulos/


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