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Pesquisa revela fundamentos bíblicos e desafios cotidianos de novos membros 

Em 2025, quase 200 mil pessoas foram batizadas pela Igreja Adventista no território sul-americano


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Nos primeiros meses após o batismo, fiéis passam por um processo de consolidação de crenças e convicções pessoais (Foto: Gustavo Leighton)

Para a maioria dos recém-batizados, o primeiro ano depois de aceitar a Cristo marca um período de consolidação das crenças fundamentais, hábitos e estilo de vida adventista. Semelhante ao estudo de um idioma, em poucos meses aquilo que aprenderam deixa de ser algo incomum e se incorpora às ações práticas e à maneira de ver o mundo. 

Os princípios bíblicos até então desconhecidos ou incompreendidos transformam-se em convicções pessoais e se consolidam como escolhas cotidianas, deixando de ser apenas conceitos teóricos ou abstratos para integrar-se à identidade pessoal.

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É o que evidenciou uma pesquisa realizada em fevereiro deste ano pela Secretaria Executiva da sede sul-americana da Igreja Adventista com novos membros com até 12 meses de batismo. Dividida em seis grandes áreas, além de constatar como esse grupo se relaciona com as bases teológicas da denominação, os dados apontam desafios na adaptação em áreas como estilo de vida e comportamento.  

O questionário foi respondido por 5.500 pessoas das quase 200 mil que se uniram à Igreja Adventista em 2025 na Argentina, Brasil, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai.  

Adolescentes com até 16 anos representam 32%; já os jovens, de até 30 anos, são 30%, e 38% são adultos acima de 31 anos. As mulheres totalizam 56%, enquanto 44% correspondem aos homens. Sobre as bases religiosas, 59% vêm de lares adventistas e 41% não tiveram contato anterior com a Igreja. Em relação à escolaridade, 68% concluíram a educação básica - até o ensino médio - e 32% cursam ou já cursaram o ensino superior. 

Consolidação das crenças bíblicas 

Pastor Edward Heidinger, secretário-executivo da sede sul-americana adventista, apresenta as macro áreas abordadas pela pesquisa e sua relevância para o acompanhamento e suporte da Igreja aos novos membros (Foto: Gustavo Leighton)

Apresentado aos delegados e convidados da Comissão Diretiva Plenária da Igreja Adventista para oito países da América do Sul, o tópico Minhas Crenças, que aborda a compreensão das bases bíblicas, mostra alta uniformidade nas respostas, com mais de 90% de concordância nas afirmações apresentadas, como Cristo morreu em nosso lugar; Deus criou o universo; Cristo venceu a morte e dará vida eterna; Dízimos e ofertas mostram fidelidade a Deus; Devemos cuidar do corpo evitando drogas; Deus é Pai, Filho e Espírito Santo; O sábado é o dia bíblico de descanso e Ellen White é uma profetisa de Deus. 

No entanto, 27,9% creem que a alma vive depois da morte, e 58,6% consideram que a liberdade humana é limitada e determinada por Deus. De modo geral, tanto em relação a quem nasceu em lar adventista quanto a quem não nasceu, e à faixa etária, as respostas são minimamente divergentes.  

Mudanças desafiadoras 

Mas se em relação às crenças o cenário foi positivo, quando o assunto diz respeito a comportamentos e práticas, ele se mostra mais desafiador. No tópico Difícil de Abandonar, a pesquisa constata que 39,5% dos novos membros relatam dificuldades em evitar, ocasionalmente, assistir programas não cristãos aos sábados. A porcentagem é a mesma daqueles que eventualmente escutam música secular. E 34,3% dizem comer, às vezes, alimentos que a Bíblia não permite. O tópico também aborda pontos como trabalhar ou estudar aos sábados e ter intimidade sexual durante o namoro.  

Os adolescentes e jovens têm os maiores índices em relação aos dois primeiros tópicos. Evitar comer alimentos não recomendados biblicamente é mais difícil para aqueles que não nasceram em lar adventista (37,5%), o que também se mostra um desafio para os que vieram de famílias que já frequentam a Igreja (30,1%). 

"Entre pessoas vindas de famílias não adventistas, abandonar certos hábitos alimentares aparece como uma dificuldade maior, provavelmente porque essas práticas não faziam parte da formação religiosa desde a infância", ressalta o pastor Roney Lopes, secretário assistente da sede sul-americana adventista durante a apresentação do relatório.  

Estabelecimento de hábitos espirituais 

Quanto a hábitos espirituais entre os novos conversos, 59,9% não estudam diariamente a lição da Escola Sabatina, um guia temático para aprendizado contínuo da Bíblia. Na mesma direção, 57,4% não têm o hábito de estudar as escrituras sagradas todos os dias. A guarda do sábado é uma prática não mantida frequentemente por 35,5% dos respondentes, enquanto 25,1% nem sempre vão à igreja nesse dia. 

A guarda do sábado é menos frequente por parte daqueles que não vieram de família adventista (43,7% contra 29,8%).  

Influências

Outro tópico abordado pela pesquisa diz respeito às influências positivas que fortalecem a vida espiritual e relacional dos novos membros ao longo do primeiro ano de batismo. A música adventista é apontada por 88,2% dos respondentes, bem como as amizades de outros membros, com 87,4%. Participar das atividades da igreja local corresponde a 82,2%, e a família aparece com 73,1%.  

Durante sua explanação, o pastor Roney Lopes destacou o papel do discipulado e da relação pessoal da igreja local com os recém-batizados (Foto: Gustavo Leighton)

As amizades iniciadas nos templos aparecem com as porcentagens mais altas entre adolescentes e jovens, fortalecendo a visão sobre o contato pessoal. Também se destaca a participação desse grupo em atividades de ajuda ao próximo.  

Práticas diárias 

Em um ano de batismo, também já há hábitos consolidados. A oração pessoal, por exemplo, é apontada por 92,9%. Mesmo com os desafios quanto a ver programas seculares no sábado, escutar ou assistir conteúdo religioso teve 81,9% de respostas positivas. Já a leitura da Bíblia, algumas vezes na semana – ao contrário de diariamente, como apresentado em outro índice –, apareceu como uma prática de 80,1%.  

Esses três índices tiveram pouca divergência em relação a pessoas que vieram ou não de lares adventistas. No entanto, uma preocupação apontada durante a explicação dos dados aos delegados e convidados foi justamente em relação ao culto familiar, que é realizado por apenas 58,1% daqueles que vêm de família adventista, e por 32% dos que não tinham relação anterior com a Igreja Adventista.

Ações estratégicas 

A pesquisa concluiu que existem caminhos que podem ajudar os novos membros a intensificar práticas diárias. Uma delas é reforçar o pastoreio intencional e contínuo. Além disso, fortalecer a Escola Sabatina e os Pequenos Grupos como espaços de discipulado; cuidar das pessoas a partir de suas realidades e vulnerabilidades; consolidar a visão da Igreja como um ambiente onde a fé é praticada e fortalecida, e despertar o compromisso missionário como continuidade do legado adventista.

"Queremos ver uma Igreja que cada vez mais abraça as pessoas e as ajuda em sua trajetória espiritual. Nós precisamos cuidar dos novos membros e fazer o possível para que sejam inseridos na identidade e no estilo de vida adventista, fortalecendo os Pequenos Grupos, a relação pessoal, comunhão com Deus e o estudo diário da Bíblia", ressalta o pastor Edward Heidinger, secretário-executivo da sede sul-americana adventista.  

Fortalecimento do estilo de vida adventista

O presidente da Rede Novo Tempo de Comunicação, pastor Rafael Rossi, reagiu ao relatório e pontuou a questão específica daqueles que ocasionalmente ainda assistem a programas seculares no sábado e ouvem músicas não cristãs.  

"A Novo Tempo precisa ser fortalecida cada vez mais nas igrejas locais. Ela não é apenas o nosso canhão missionário e evangelístico; e não busca só os de fora, mas ajuda a fortalecer a caminhada daqueles que estão chegando. Precisamos que a Novo Tempo seja mais conhecida para que esses membros tenham uma fé mais sólida. A resposta que vocês estão trazendo passa também por aquilo que a Rede é. Estamos dispostos a fortalecer essa visão", argumenta ele ao também destacar o papel da Gravadora Novo Tempo nesse processo.  

Delegados aprovam o relatório apresentado pela Secretaria Executiva durante a manhã deste domingo, 3 de maio, em Brasília (Foto: Gustavo Leighton)

"Meu avô falava da formação de uma cultura adventista quando levamos uma pessoa ao batismo. Estamos vendo a necessidade disso. E o nosso planejamento estratégico aponta justamente para isso. Que o nosso discipulado seja intencional, e que nas nossas práticas vejamos os recém-batizados fortalecidos no Senhor", sublinha o pastor Evaldino Ramos, secretário-executivo da Igreja Adventista para Bahia e Sergipe. 

Na mesma linha, o pastor Fari Choque, secretário-executivo para o sul do Peru, afirma que as prioridades estratégicas "nos ajudarão a fortalecer esses pontos quando consideramos questões como liderança, identidade e novas gerações", que são três das quatro ênfases da denominação na América do Sul para o período de 2026 a 2030. 

Para compreender mais sobre cada uma dessas ênfases, clique aqui.  

Comissão Diretiva Plenária 

A Comissão Diretiva Plenária, realizada no primeiro semestre é composta por delegados da Igreja Adventista do Sétimo Dia de oito países da América do Sul, aprova projetos que impactam diretamente os templos locais. Na edição deste ano, também se apresentam relatórios de diferentes áreas que contribuem com a missão da Igreja. Para conhecer a estrutura administrativa da denominação, clique aqui


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