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Mesmo em pequenas porções, comer carne vermelha pode ser arriscado, diz estudo

Os resultados mostram que mesmo o consumo limitado pode aumentar o risco de morte.

Por Briana Pastorino, Universidade de Loma Linda 5 de abril de 2019

Uma dieta equilibrada consiste no consumo de frutas, legumes e vegetais (Foto: Shutterstock)

Um novo estudo publicado na revista Nutrients sugere que a ingestão de carnes vermelhas e processadas, mesmo em pequenas quantidades, pode aumentar o risco de morte por todas as causas, especialmente doenças cardiovasculares. O estudo foi conduzido por nove pesquisadores da Universidade de Loma Linda, nos Estados Unidos.

Saeed Mastour Alshahrani, principal autor da pesquisa e aluno de doutorado na Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda, assinala que o estudo preenche uma lacuna deixada por investigações anteriores que analisaram níveis relativamente altos de ingestão de carne vermelha e os comparou com a baixa ingestão.

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“Havia ainda a questão sobre o efeito de níveis mais baixos de ingestão em comparação com a não ingestão de carne, que permanecia sem resposta”, pontua Alshahrani. “Queríamos dar uma olhada mais de perto na associação de baixa ingestão de carne vermelha e processada com todas as causas, doenças cardiovasculares e mortalidade por câncer em comparação com aqueles que não comiam carne.”

Este estudo, “Red and Processed Meat and Mortality in a Low Meat Intake Population” (Carne Vermelha e Processada e Mortalidade em uma População com Baixo Consumo de Carne), é parte do Estudo de Saúde Adventista-2 (AHS-2, sigla em inglês), realizado com aproximadamente 96 mil homens e mulheres adventistas do sétimo dia nos Estados Unidos e Canadá. O pesquisador principal do AHS-2 é Gary E. Fraser, professor de medicina e epidemiologia na Universidade de Loma Linda.

Análise extensa

Os pesquisadores mostraram que os adventistas são uma população única – aproximadamente 50% são vegetarianos e aqueles que consomem carne o fazem em níveis baixos. Isso permitiu que conseguissem investigar o efeito de baixos níveis de ingestão de carne vermelha e processada em comparação com a ingestão zero em um cenário amplo, como no Estudo de Saúde Adventista.

A investigação avaliou as mortes de mais de 7.900 indivíduos em um período de 11 anos. A dieta foi avaliada por um questionário quantitativo de frequência alimentar validado, e os dados de desfechos de mortalidade foram obtidos no Índice de Mortalidade Nacional. Dos indivíduos que consumiram carne, 90% deles ingeriram cerca de 60 gramas ou menos de carne vermelha por dia.

Quase 2.600 das mortes relatadas foram causadas por doenças cardiovasculares, e mais de 1.800 foram mortes por câncer. A carne processada, modificada para melhorar o sabor por meio de cura, fumo ou salga (como presunto e salame), sozinha não foi significativamente associada ao risco de mortalidade, possivelmente devido a uma proporção muito pequena da população que consome essa carne. No entanto, a ingestão total de carne vermelha e processada foi associada a riscos relativamente maiores de mortes por doença cardiovascular.

Michael Orlich, co-diretor do AHS-2 e co-autor do presente estudo, explica que essas novas descobertas sustentam um corpo significativo de pesquisas que afirmam os potenciais efeitos nocivos para a saúde de carnes vermelhas e carnes processadas.

“Nossas descobertas dão peso adicional à evidência já sugerindo que comer carne vermelha e processada pode impactar negativamente a saúde e a expectativa de vida”, ressalta Orlich.

O estudo foi publicado na revista Nutrients como parte da “Edição Especial, Avaliação Dietética na Epidemiologia Nutricional: Implicações da Saúde Pública para a Promoção da Saúde ao Longo da Vida”.

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