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Dieta rica em aminoácidos não essenciais é melhor para a saúde cardiovascular

Eles são encontrados em alimentos como sementes de abóbora, nozes, lentilha e soja.

Por Loma Linda University Health News 31 de outubro de 2019

Para chegar aos resultados, foram coletados dados de 80 mil participantes com base em suas dietas alimentares (Foto: Loma Linda University Health News)

Um estudo realizado por pesquisadores dos Estados Unidos e da França descobriu que a ingestão de aminoácidos que consistem em grande parte de aminoácidos essenciais, como os encontrados nas proteínas animais, está associada a um aumento acentuado do risco de doenças cardíacas, enquanto a ingestão rica em aminoácidos não essenciais e ricos em proteínas vegetais é benéfica para o coração humano.

A pesquisa, publicada recentemente pelo International Journal of Epidemiology, descobriu que pessoas com alta ingestão de aminoácidos indispensáveis experimentaram um aumento de 60% nas doenças cardiovasculares (DCV), enquanto as que consumiam grandes quantidades de alguns aminoácidos não indispensáveis tiveram uma redução de 35% nas DCV.

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Intitulado “Padrões de ingestão de aminoácidos estão fortemente associados à mortalidade cardiovascular, independentemente das fontes de proteína”, a investigação foi um projeto conjunto de pesquisadores da Escola de Saúde Pública da Universidade de Loma Linda, nos Estados Unidos, e do INRA e AgroParisTech em Paris, França.

Esta é a primeira pesquisa de seu tipo a examinar os padrões gerais de ingestão de aminoácidos, embora o assunto tenha sido estudado na literatura, mas quase sempre isoladamente.

O poder das proteínas

A investigação baseou-se em outra, publicada no ano passado pelo mesmo consórcio de pesquisadores. Fora relatado que as proteínas da carne estavam inversamente associadas à mortalidade cardiovascular, enquanto as das nozes e sementes eram saudáveis. Combinando esses resultados com a abordagem detalhada de aminoácidos nesse novo estudo, os autores puderam concluir que uma parte do efeito das proteínas poderia realmente se originar de sua composição em aminoácidos.

Os aminoácidos são blocos de construção das proteínas, e os chamados aminoácidos essenciais — encontrados em alimentos como ovos, queijo e aves — há muito tempo são considerados os mais importantes porque são estritamente necessários para o corpo sintetizar proteínas. Por outro lado, os aminoácidos não essenciais — em alimentos como sementes de abóbora, nozes, lentilhas e soja — são classicamente considerados de pouca importância, porque eles não limitam a síntese de proteínas.

No entanto, esses aminoácidos não são apenas blocos de construção de proteínas, pois também estão envolvidos em muitos outros processos com potencial impacto na saúde vascular.

Proteção e risco

Gary Fraser, da Universidade de Loma Linda, e François Mariotti, da AgroParisTech e INRA, atuaram como pesquisadores adjuntos.

“Existe um interesse crescente em proteínas e aminoácidos pela saúde cardiovascular, principalmente no que diz respeito a fontes de proteínas vegetais e animais”, explica Fraser. “Os relatórios sobre aminoácidos foram escassos e amplamente fragmentados até agora.” O pesquisador acrescentou que ele e Mariotti há muito tempo suspeitam que alguns aminoácidos podem proteger contra doenças cardíacas e vasculares, enquanto outros podem aumentar o risco.

Essas novas descobertas, explica o francês, sugerem que a ingestão alimentar de muitos aminoácidos indispensáveis (como o conhecido BCAA [aminoácidos de cadeia ramificada], lisina e metionina) poderia realmente ser prejudicial, enquanto a de outros aminoácidos não essenciais (como arginina, glicina e aspartato/asparagina) pode ser benéfica.

Os autores insistem que essas associações parecem amplamente mediadas pelos efeitos específicos dos aminoácidos e não por potenciais fatores de confusão, como padrões de ingestão de alimentos proteicos e padrões alimentares relacionados (como ingestão de gordura). No entanto, eles reconhecem que, como em qualquer estudo observacional, não se pode ter certeza de que as associações não sejam, em parte, resultantes de confusão residual com outros fatores dietéticos e de estilo de vida fortemente influentes. O modelo utilizado tinha o objetivo de explicar todos os fatores de confusão e analisar até que ponto os aminoácidos mediam ou explicam as relações encontradas.

Fraser lembra que o resultado deixa outras questões em aberto para uma investigação mais aprofundada, como identificar fatores além dos aminoácidos que transmitem a outra parte da associação entre o tipo de proteína na dieta e a saúde cardiovascular. Podem ser fitoquímicos fortemente associados aos aminoácidos encontrados em alimentos como nozes e sementes.

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