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Voluntários criam escola técnica no interior do Amazonas

Estabelecimento conta com o apoio de voluntários do projeto ADRA Conecctions. Grande grupo esteve em julho na região e transformou sonho em realidade.

Por Michael Rohm, para Adventist Review

Voluntários ajudam a construir dormitórios e capela. Foto: Arjay Arellano – ADRA Internacional

À primeira vista, Nova Jerusalém não é diferente das incontáveis vilas que surgem nas ribanceiras do corredor labiríntico do Rio Amazonas, no Brasil. Assim como suas vilas vizinhas, o povo de Nova Jerusalém vive uma existência difícil entre as ribanceiras das águas dos remotos afluentes e as copas invasoras da densa floresta. Assim como suas vizinhas, as famílias dispersas dessa pequena comunidade não têm acesso a recursos como água potável, modernos cuidados de saúde e telecomunicações.

Mas Nova Jerusalém é diferente das outras incontáveis vilas do estado do Amazonas. A área distante na qual a comunidade foi construída não é mais apenas uma selva e casas dispersas. Graças ao novo complexo escolar construído à margem do rio, essas famílias têm uma porta aberta para um mundo muito além da floresta.

De 8 a 22 de julho, mais de 80 alunos de seis universidades adventistas na América do Norte se uniram a 100 outros estudantes voluntários do Centro Universitário Adventista de São Paulo, Brasil, para a viagem inaugural da ADRA Connections Extreme.

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Escola técnica adventista de Massauari

A Escola Técnica Adventista de Massauari (ETAM) começou com um sonho tão remoto quanto a comunidade da floresta na qual ela foi estabelecida. Quando Daniel e Naissen Fernandes, ambos enfermeiros, mudaram-se para Nova Jerusalém como missionários médicos eles pensavam apenas construir uma clínica e desenvolverem um sistema de saúde confiável, embora rudimentar. Em três anos, eles fizeram exatamente isso.

“E agora, irmãos, o que deve ser construído a seguir?”, lembra Daniel de ter perguntado aos anciãos da comunidade,

Quando os líderes adventistas locais pediram uma escola para sua comunidade, Daniel sabia que as possibilidades de sucesso eram poucas.

“Esse foi o começo do sonho”, disse ele.

A jornada para construir uma escola tomou forma primeiro com a ajuda de vários grupos missionários brasileiros e a generosidade de um arquiteto. Quando Rolf Maier visitou Nova Jerusalém, em 2014, como voluntário de uma viagem missionária, tomou conhecimento do sonho de Daniel de construir uma escola. O arquiteto inicialmente estava cético, mas, ao conhecer mais sobre o potencial para a educação, decidiu apoiar a visão de Daniel.

Ao término de sua viagem, Rolf se ofereceu para desenvolver os planos necessários para construir a escola dos sonhos de Daniel.

“Eu projetei um complexo que poderia ser construído à medida que os recursos chegassem e à medida que as missões”, disse sobre suas plantas arquitetônicas.

Nos quatro anos seguintes, foi exatamente isso o que aconteceu. Cada estágio do projeto foi atendido com o aumento do apoio dos doadores e dos voluntários de todas as partes do Brasil, incluindo a compra de uma propriedade suficientemente grande para abrigar todo um complexo educacional, com o apelo bem-sucedido feito aos voluntários de curto e longo prazo como trabalhadores e professores e com a rede cada vez mais ampla de apoio além das fronteiras brasileiras.

ADRA Connections

Quando a notícia da Escola Técnica Adventista de Massauari chegou à ADRA Connections, o braço voluntário da ADRA Internacional (agência humanitária adventista), ela ganhou uma exposição sem precedentes.

“A ADRA Connections destina-se a mostrar às pessoas nos Estados Unidos toda a grande obra que está sendo realizada na América Latina”, disse Adam Wamack, gerente da ADRA Connections. “A escola em Nova Jerusalém foi uma excelente oportunidade para se envolver com nossas universidades e apoiar a obra de nossa família brasileira”, comenta.

Wamack viu esse projeto como uma oportunidade para lançar a ADRA Connections Extreme, uma experiência missionária intensa para aqueles que buscam uma profunda imersão no trabalho voluntário e na conexão com a comunidade.

“São 30 horas de barco pelo Amazonas, e, quando você chega lá, dorme em redes por duas semanas. A ADRA Connections Extreme não é para os fracos de coração”, disse Wamack.

Apesar da natureza extrema da viagem, os alunos de toda a América e do Brasil estavam ávidos por experimentar o trabalho missionário no coração do Amazonas. Ashton Hardin foi uma dos cinco alunos da Universidade La Sierra a participar da viagem. A capelã dos alunos e presidente do corpo estudantil da Universidade La Sierra viu a experiência missionária como uma ótima forma de se reconectar com sua fé e sua comunidade global, embora os desafios físicos parecessem assustadores.

Uma escola nova na floresta

Sonho de ter uma escola técnica encravada na floresta já era antigo. Foto: Arjay Arellano – ADRA Internacional

Ao término da viagem missionária de duas semanas, o trabalho árduo de voluntários como Ashton foi recompensado: o complexo com vários edifícios estava concluído. Onde antes havia apenas uma floresta, agora há um dormitório, um refeitório, salas de aula, uma biblioteca e casas para os professores voluntários.

Bianca Santo Costa é uma das professoras voluntárias. A recém-graduada no Centro Universitário Adventista de São Paulo visitou a vila pela primeira vez em 2014, quando a escola era um sonho distante. “Quem poderia imaginar que no meio do rio, em uma comunidade sem internet ou sinal de celular, haveria uma escola tão maravilhosa quanto esta, construída inteiramente com doações e viagens missionárias?”, comenta.

As crianças já estão entendendo que agora, pela primeira vez na vida, possuem um complexo escolar completo no qual aprender. Os 44 alunos da Escola Técnica Adventista de Massauari, com idades entre 5 e 14 anos, ganharam acesso a um mundo muito maior que o mundo de seus pais.

As crianças já estão começando a sonhar. “Eu quero ser advogada”, disse Nayla, 10 anos, de Nova Esperança, uma localidade a 30 minutos de barco de Nova Jerusalém. “Eu quero defender o povo.” “Eu quero ser médico, porque poderei cuidar das pessoas”, disse Josué, também de Nova Esperança. “Eu quero agradecer a todos vocês que ajudaram a construir nossa escola.”

Agora que há uma escola em Nova Jerusalém para incentivar os alunos como Nayla e Josué, a administração de Barreirinha, localidade vizinha, concordou em apoiar a comunidade.

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