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Pastor pioneiro no Brasil batizou mais de 1.400 pessoas em 12 anos

Pioneiro foi o primeiro ministro adventista designado para o Brasil e acompanhou fundação da congregação em Gaspar Alto, em Santa Catarina.

2 de maio de 2016
Graf, a esposa e suas filhas.

Graf, a esposa e suas filhas.

Brasília, DF … [ASN] Os desafios vividos pelos pioneiros adventistas que chegaram ao Brasil no século XIX são lembrados nesse ano, em comemoração ao centenário da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia. Foi o caso de Huldreich Ferdinand Graf, ou mais conhecido simplesmente como pastor H.F. Graf, considerado o primeiro ministro adventista designado para trabalhar no Brasil. Nascido na Alemanha, no dia 8 de junho de 1855, ele, segundo registros históricos, foi responsável por batizar mais de 1.400 pessoas durante sua atuação no Brasil (12 anos).

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Conforme resgata o historiador Elder Hosokawa, “em 1894, eles (Graf e sua esposa Alwine Henrietta Scheunert) foram chamados ao Brasil. Eles tiveram três meses de treinamento médico e passaram outros três meses em Hamburgo. Foram enviados como missionário ao Brasil chegando em 04 de outubro de 1895 com sua esposa Alwine. Tiveram seis filhos, sendo que as três meninas foram Lucy Meta, Meonia e Minnie e dois meninos Arthur e Lulu, além de um mais novo cujo nome não foi identificado nos registros”.

João Rabello, no livro John Boehm – Educador Pioneiro, comenta a respeito de Graf e a fundação da Igreja em Gaspar Alto. “Huldreich Graf chegou ao Brasil em 20 de agosto de 1895 e, segundo comenta o Dr. Gideon de Oliveira, existe o ponto de vista que ele teria visitado Gaspar Alto, ainda antes de fazer o batismo em Santa Maria do Jetibá, Espírito Santo em dezembro”, escreve Rabello. Nessa época, o historiador Floyd Greenleaf afirma, no livro Terra de Esperança, que Graf era o novo presidente dos adventistas brasileiros, na época, com cerca de 15 congregações.

Hosokawa acrescenta, ainda, que, no Brasil, uns poucos colportores trabalhavam desde 1893 com a venda de livros em alemão na cidade de Rio de Janeiro, nas colônias alemãs do interior do Espirito Santo e em São Paulo.

“Graf expandiu o adventismo para a região sul. Além de pregar para centenas de imigrantes europeus, também localizou famílias adventista na Colônia de São Pedro (região de Passo Fundo e Ijuí), que imigraram já convertidas na Europa. Exemplos disso são os descendentes da família de Jakob Lindermann, pioneiros do adventismo na Alemanha, em Elberfeld e Vohwinkel a partir da pregação dos pastores John N. Andrews e J. Erzberger. Em 1887, Ellen G. White visitou os 40 membros dessas duas congregações, alguns dos quais emigrariam para o Brasil. Além dos Lindermann, vieram os Doerner, Kümpel e Kattwinkel”, explica o historiador.

E esse trabalho de pregação não ocorreu em circunstâncias fáceis. Greenleaf ressalta que “um colega de Spies, H.F. Graf, passou períodos quase inacreditáveis em jornadas a cavalo. Houve um ano em que relatou mais de 300 dias ‘viajando em lombo de burro”.

Certa vez, o pioneiro chegou a viajar a cavalo por 300 dias durante um ano.

Certa vez, o pioneiro chegou a viajar a cavalo por 300 dias durante um ano.

Louvor no evangelismo

As informações são de que Graf, além de pregador, era cantor. Esse dom foi utilizado para converter imigrantes com hinos alemães adaptados à mensagem adventista no hinário Zions Lieder (Cânticos de Sião). Entre 1895 e 1902, o pioneiro serviu como presidente da Missão Brasileira (1902–1905). Apoiou a fundação das escolas adventistas pioneiras de Curitiba, no Paraná (1896); Gaspar Alto, Santa Catarina (1897) e Taquari, Rio Grande do Sul (1903).

Em 1905, na cidade gaúcha de Taquari, onde inclusive funcionou a primeira sede da editora adventista brasileira (atual Casa Publicadora Brasileira sediada em Tatuí, São Paulo), Graf apoiou o pastor John Lipke e Dr. Abel L. Gregory na fundação da então Sociedade de Tratados do Brasil. Na organização da União Sul Americana, em 1906, ele se tornou o presidente da Associação Sul Rio Grandense.

Doença da esposa

De acordo com Hosokawa, após o trabalho de 12 anos no Brasil, a saúde de Alwine ficou debilitada e, em 1907, o casal retornou aos Estados Unidos. Os dois trabalharam em diferentes partes dos Estados Unidos, com a saúde precária da esposa, que finalmente faleceu com a idade de 63 anos em 1919.

O pioneiro trabalhou em Minnesota (1907–1908), Ohio, na região central da Califórnia e Wisconsin. Graf se aposentou por volta de 1915, quando voltou ao Brasil para estar perto de alguns de seus filhos.

“Adepto do estilo de vida saudável, o pioneiro pregou a mensagem de saúde com grande ênfase. Ensinava os membros e outros interessados a respeito dos tratamentos naturais e sempre estava com livros e uma coleção de medicamentos de urgência, e os empregava com frequência em suas viagens em lombo de mula que nos primeiros anos de ministério duraram meses”, afirma o historiador.

Graf faleceu em Taquari, aos 91 anos durante o repouso da noite em 4 de dezembro de 1946. Deixou a segunda esposa e três filhas casadas. Foi sepultado no Cemitério Luterano de Taquari. [Equipe ASN, Felipe Lemos]

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