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Igreja vota documento para fortalecer ancionato

Mudanças propostas por líderes pretende ressaltar o papel do ancionato, inclusive com ampliação da participação feminina neste ministério estratégico.

Por Felipe Lemos 8 de julho de 2021

Ancionato é um ministério essencial para desenvolvimento da Igreja Adventista do Sétimo Dia. (Foto: Shutterstock)

O resultado do trabalho de uma comissão especial sobre ancionato foi apresentado na Comissão Diretiva Plenária da Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia. O grupo, composto por 19 pessoas, trabalhou desde dezembro de 2020 até duas semanas atrás. Foi realizada, inclusive, uma pesquisa com aproximadamente 1.800 líderes das igrejas locais. O relatório propôs duas grandes frentes de ação. A primeira disse respeito a iniciativas para fortalecer o papel do ancionato e torná-lo mais relevante no contexto da pandemia e pós-pandemia.

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O relatório final do grupo de trabalho procurou realçar o papel espiritual do ancionato. O documento final recomendou medidas neste sentido. Entre as ações está o fortalecimento da vida espiritual dos anciãos a fim de que sejam fiéis a Deus. Além disso, a comissão especial orientou que seja dado maior suporte à família de quem atua no ancionato. Sem falar em um impulso para pastoreio das pessoas envolvidas nesta atividade a fim de que se sintam cuidadas. Outra recomendação importante foi a de se estabelecer um perfil ministerial que inclua o processo de acompanhamento, diagnóstico, avaliação e aperfeiçoamento da atividade. Seriam as competências de quem ocupa o ancionato, ou seja, as atribuições específicas.

Também está prevista capacitação e educação continuada, por meio de encontros presenciais ou virtuais, do grupo do ancionato sobre temas teológicos. Foi, ainda, sugerido que seja realizado um trabalho mais forte de pastoreio em uma rede de discipulado envolvendo pastores e o ancionato de maneira geral. Tudo caracterizado pelo cuidado espiritual, emocional e físico das pessoas.

Para o pastor Bruno Raso, vice-presidente e que dirigiu a comissão, “esse é um momento extremante importante para a Divisão Sul-Americana quando tratamos de liderança na igreja local. Em primeiro lugar, pelo reconhecimento do papel pastoral dos anciãos, pois eles exercem um ministério relevante, atuante e de uma grande importância no crescimento da igreja em parceria com o pastor distrital”.

Participação feminina 

Já o segundo ponto deste relatório tratou da ampliação do alcance do ancionato da igreja local, com a participação feminina. Com isso, a Igreja Adventista passa a autorizar a ordenação de mulheres como anciãs. Hoje, no mundo, 73% das regiões administrativas conhecidas como Divisões aprovaram de forma total ou parcial a ordenação de mulheres como anciãs. É importante ressaltar que a anciã ou, como hoje há o ancião, é uma função de liderança de membros voluntários nas congregações locais. Possui atribuições administrativas, mas, sobretudo, de liderança espiritual e missionária.  

Durante apresentação do relatório, o pastor Lucas Alves, secretário ministerial da sede sul-americana adventista, apresentou alguns dados que justificam a autorização. No território sul-americano, há pelo menos 5.626 mulheres que atuam como diretoras de grupos, porém, nas comissões das igrejas locais, o público feminino representa 47,9%.

Em média, fazendo um comparativo entre 2010 e 2020, o percentual de mulheres que foram batizadas na Igreja Adventista do Sétimo Dia na América do Sul chega a 53,81% contra 46,19% de homens. Ou seja, mais mulheres têm se unido à organização. E a vocação para o serviço é historicamente apresentada pelos adventistas.

Ellen White, cofundadora da Igreja e profetisa, não aborda a questão da ordenação da mulher, com exceção da seguinte citação encontrada em seu artigo Os Deveres do Ministro e do Povo, publicado na Review em julho de 1895. Ali ela fala que “deveriam ser separadas para esse trabalho pela oração e a imposição das mãos. Em alguns casos, elas precisarão aconselhar-se com os oficiais da igreja ou com o ministro; mas se forem mulheres devotas, mantendo uma vital conexão com Deus, elas serão um poder para o bem da igreja”.  

Linha do tempo sobre a discussão do tema em nível mundial e sul-americano:

Arte: Vanessa Arba

Avaliações 

A professora Rafaela Seidel, de Vitória, Espírito Santo, gostou da notícia. Ela atua hoje como coordenadora do Ministério da Mulher da Igreja Adventista no distrito de Jardim Camburi. “Desde os tempos bíblicos, vemos a participação feminina na pregação do evangelho e na formação da Igreja primitiva. Dedicadas e detalhistas, hoje elas são líderes no mercado de trabalho, gerem seu próprio lar, suas finanças, e vemos essas habilidades, também, no trabalho que exercem na igreja. Por isso eu acredito que a ordenação de mulheres ao ancionato é um grande passo para a nossa Igreja”.   

O pastor Lucas Alves, secretário ministerial da sede sul-americana comenta, ainda, que, “o papel da mulher é ampliando dentro do ancionato o que irá resultar em uma liderança mais forte e mais comprometida com o pastoreio e a missão. Acredito que essas decisões contribuem também para uma experiência mais profunda do discipulado”.

Entenda mais detalhes nesta conversa:

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