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Inclusão

Uma jornada de superação e inclusão

No Dia Nacional da Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, conheça a história de um jovem cheio de coragem e a força de vontade, que não se deixou vencer por suas limitações.


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“Seu filho apresenta problemas de visão”. As palavras repetiram-se, embora o médico tivesse dito apenas uma vez. A frase que deixou a mãe de Geiverson Santana atordoada, soou como uma música sem ritmo. Embora ainda um pouco confusa, ela tomou a decisão de que apesar das limitações que seu filho enfrentaria, a criação dele não seria diferente de uma criança normal.

A história de Geiverson pode ser parecida com outras histórias que você já ouviu por aí. Mas, vamos contar sobre uma jornada de superação e inclusão de uma forma que talvez você ainda não tenha visto. Durante a gravidez sua mãe foi acometida por uma doença grave, a rubéola, que em mulheres gestantes pode causar malformações no bebê como microcefalia, surdez ou alterações nos olhos. Aos 3 meses de vida, sua mãe recebeu o diagnóstico temido, a cegueira de seu filho. A decisão de incluir o pequeno em todas as atividades comuns a uma criança em desenvolvimento, fez com que a caminhada de Geyverson se tornasse mais suave. Ao passar por duas cirurgias antes mesmo de completar 2 anos de vida, sua visão foi reestabelecida em 50% por cento.

 

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Geiverson se formou em Psicologia aos 24 anos. (Foto: colaboração)

“Posso dizer que nasci e fui criado dentro da igreja, e isso me ajudou em tudo na minha vida. Sempre participei das classes do Ministério Infantil, do Clube de Aventureiros e do Clube de Desbravadores. A igreja me possibilitou viver coisas que na escola eu não consegui”, relatou. As dificuldades para estudar em um ambiente que considerava que existiam pessoas capacitadas, foram uma das primeiras barreiras enfrentadas em sua jornada, que estava apenas começando. “Foi muito difícil estudar. Sofri preconceitos de professores e colegas. Alguns traumas que vivi durante o período escolar quase me fizeram desistir de continuar os estudos. Cheguei a ficar uma semana sem ir à escola. Mas compreendi que tudo aquilo me dava mais vontade de superar meus limites e crescer profissionalmente. Eu não aceitava o estigma de que pessoas com deficiência devem ser limitadas, e continuei estudando” relatou.

 

Um novo diagnóstico e novos rumos

Aos 5 anos um novo diagnóstico foi apresentado pelos médicos, Geiverson havia perdido completamente a visão do olho direito, passando a ter somente 50% da visão do olho esquerdo, que conforme os médicos haviam sinalizado, ao longo da vida diminuiria a capacidade de enxergar.

Desde pequeno sempre participou ativamente de todos os programas da igreja. (Foto: Reprodução)

A coragem e a força de vontade de vencer cada etapa, motivava-o a prosseguir em busca de seus objetivos e sonhos. Com 18 anos as responsabilidades dentro da igreja foram aumentando. “A minha atuação na igreja (local onde sempre me sentia acolhido), minha participação nas atividades do clube não se limitava a minha condição de deficiente visual. Participei de acampamentos, das atividades de trilha, tive cargos como conselheiro de unidade, e posso dizer que fui um desbravador raiz mesmo. A igreja sempre me possibilitou trabalhar e atuar, e o Clube de Desbravadores foi minha escola, me preparou para assumir lideranças e me preparou para o mundo”, comentou Santana.

De acordo com Geiverson, seu maior sonho é continuar a jornada cristã, evoluir mais na carreira profissional e constituir família. Atualmente, ele faz parte da liderança da Igreja Adventista do bairro da Califórnia, na cidade de Itabuna-Bahia, como ancião. Além de atuar no Ministério Jovem, Ministério da Música, Departamento de Comunicação e colabora com Ministério dos Adolescentes. “Trabalhar para igreja, é uma forma de devolver para Deus o que Ele me deu. O apoio que a igreja me deu, fez com que eu conseguisse enfrentar desafios maiores com mais facilidade”.

Determinado a buscar uma área profissional que pudesse ajudar outras pessoas, concluiu a faculdade de Psicologia no ano de 2017, e seguiu em busca de mais conhecimento. “Tenho duas pós-graduações na minha área e já estou finalizando a terceira. Trabalho atendendo pessoas de forma presencial e virtual. Foi a forma que encontrei de ajudar outras pessoas”, disse.

A Igreja Adventista do Sétimo dia criou o Ministério Adventista das Possibilidades (MAP), que veio para auxiliar os serviços da igreja a todas as pessoas com suas singularidades, e busca trabalhar três áreas: conscientização, aceitação e ação. “Eu acredito que isso é um progresso em nossa igreja, de trazer não só informação, mas capacitação para incluir as pessoas com todo tipo de deficiência. É uma forma de podermos usar nossos dons no ministério de salvação. Temos uma condição diferente, mas somos todos iguais perante Deus”, reforçou Geiverson.

Hoje no Dia Nacional da Luta pelos Direitos das Pessoas com Deficiência, seu conselho é:

“Não se limite as suas limitações. Procure sempre vislumbrar e concluir seus sonhos. Se levante, reaja e mude. Faça acontecer. Cada um sabe dos seus limites, mas você é capaz de reagir, sair do lugar e continuar progredindo”

 

A história de Geiverson já foi contada no Provai e Vede, confira abaixo: