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Isolamento e instabilidade emocional geraram ganho de peso em parte da população

Para especialistas, comer de forma desordenada se tornou 'válvula de escape' para o estresse e ansiedade

Por Anne Seixas 9 de fevereiro de 2021

De acordo com o estudo, mulheres são as que mais tiveram variação de peso (Foto: Shutterstock)

Uma pesquisa independente feita por endocrinologistas, psicólogos e patologistas realizada no Brasil concluiu que 23% da população do País ganhou peso durante os meses de quarentena. Os dados foram divulgados no primeiro semestre de 2020, mas com a pandemia do novo coronavírus ainda em curso e com alta taxa de transmissão, o comportamento continua a ocorrer.

A psicóloga Monise Arco explica que o motivo de a comida ser considerada uma fonte de prazer e relaxamento em momentos estressantes ou difíceis se deve ao fato de que, na maioria das vezes, o bebê aprende a relacionar o ato de mamar com o consolo de alguma questão. Esse hábito acaba por acompanhar o indivíduo nas demais fases da vida. Em outros casos, o desequilíbrio de hormônios como serotonina, dopamina, ocitocina e endorfina faz com que a pessoa busque certos alimentos que ajudam na liberação dessas substâncias, trazendo a sensação de prazer.

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“A alimentação vai muito além de ‘matar a fome’. Muitas pessoas comem por necessidade emocional, e não física. O alimento também tem o papel de nos trazer conforto e alegria, mas não deve se limitar a isso”, discorre a nutricionista Adrielle Sales. Com isso em mente, é necessário identificar os chamados gatilhos, ou seja, ações ou eventos que desencadeiem essa vontade de comer para aliviar alguma dor ou angústia.

Uma das pesquisadoras envolvidas, a endocrinologista Rosita Fontes, afirma em entrevista ao jornal Pan News, da Jovem Pan, que “a obesidade pré-dispõe o indivíduo a outras doenças como hipertensão, diabetes, doenças articulares e ela pré-dispõe a uma forma mais grave da Covid-19.”

Gatilhos emocionais

Monise esclarece que “os gatilhos podem ser diferentes para cada indivíduo, pois eles têm que ver com sua história de vida, traumas e pensamentos disfuncionais, que os levam a desencadear um comportamento desadaptativo.” Contudo, há alguns deles que podem ser comuns a muitas pessoas. Entre eles estão “os gatilhos sutis que alteram o estado de humor, como, por exemplo, estar muito em contato com redes sociais, que podem contribuir para uma baixa autoestima, excesso de comparação no ambiente de trabalho, estímulo em demasia de séries/vídeos, contato com pessoas tóxicas, responsabilidades que possam gerar estresse ou ansiedade, entre outros.”

Mas há maneiras de identificar esses gatilhos e evitar o consumo de alimentos em excesso ou de baixa qualidade nutricional. A primeira dica que Adrielle dá é preencher um diário alimentar (baixe a planilha aqui). “É uma boa ferramenta para ajudar nessa identificação. No diário você pode anotar o dia, a hora, o que comeu e por que comeu”, sublinha. Segundo ela, isso ajudará a estar preparado caso o episódio se repita.

“Se entendermos que mente e corpo são um só e um influencia diretamente o outro, entenderemos que um aspecto físico, como uma simples noite mal dormida, pode acarretar em uma baixa produção de neurotransmissores, aumentando assim o estresse, ansiedade, podendo gerar outras consequências que provavelmente vão impactar negativamente no hábito alimentar do indivíduo”, acentua Monise.

Como ser mais saudável

Também é importante praticar exercícios físicos regularmente. Por isso, o educador físico Moabe Queiroz preparou cinco exercícios que podem ser feitos em casa, três vezes por semana, e ajudam na manutenção da saúde física e, consequentemente, emocional.

Para além dos exercícios, faça também um planejamento do seu cardápio semanal. Inclua frutas e verduras na sua alimentação. Adrielle Sales destaca a priorização de alimentos integrais no prato, como o arroz integral, quinoa, aveia, entre outros. Segundo ela, o segredo está na variedade. “Quanto mais colorido, melhor”, afirma.

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