Notícias Adventistas

Pessoas em situação de rua descobrem em abrigos o valor da amizade

Locais mantidos pela agência humanitária adventista ajudam a desenvolver e fortalecer relações interpessoais

Por Pollyana Trindade 2 de agosto de 2021

Paulo foi acolhido durante oito meses e tem um carinho especial por Daciane e Gabriela. (Foto: Francine Souza)

Pobreza extrema, frio, fome e perigos que cercam a cidade são desafios para aqueles que não tem onde se abrigar. Por vezes, além de terem perdido o vínculo com seus familiares, são invisíveis para sociedade. Pessoas abrigadas nas Unidades de Acolhimento Institucional da Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), na Bahia, têm histórias para contar que vão além da ação social: envolvem a descoberta de amizades genuínas.

A rotina de estarem juntos todos os dias, fazendo refeições, compartilhando a luta diária no quarto antes de dormir e em outros ambientes e situações. A ADRA Regional Bahia compartilhou duas histórias que mostram como os laços de amizades que permanecem.

Leia também:

 

Jair Bueno e seus amigos do abrigo. Ele não usa máscara devido a uma doença degenerativa que compromete a respiração. (Foto: Francine Souza)

Jair Bueno Souza, acolhido desde 2019, é portador da Síndrome de Machado-Joseph, que o impede de ter autonomia e traz dificuldades de andar pela cidade e falar. Porém, com clareza cognitiva, faz parte das muitas histórias construídas durante a permanência nos abrigos. Para ele, a amizade criada na unidade de acolhimento vai muito além da ajuda e dos cuidados que recebe.

Francine Souza, coordenadora da unidade, destaca que é notório o laço formado pelo assistido e dois dos educadores: Mateus Cruz e Renildo Carvalho. “É uma amizade regada de muito carinho. Eles estão sempre prontos em atender qualquer demanda que o Jair tenha. O próprio Jair reconhece isso, pois se mostra confortável e seguro diante de seus cuidados”, pontua.

Reconstrução

Outra história de amizade que já dura anos é a de Paulo Gilberto, de 40 anos. Ele foi acolhido durante oito meses e conta que foi um privilegiado da casa. “Foi um momento que eu nunca pensei em passar na minha vida. Nunca imaginei acontecer essa reviravolta, mas foi um aprendizado. Conheci muitas pessoas legais, mas as que mais marcaram minha passagem pelo abrigo foram Daciane e Gabriela, a minha assistente social e minha psicóloga. Uma das primeiras coisas que ouvi delas, e que marcou a minha vida e até hoje é importante para mim, foi que eu não perdesse esse lado social que tenho”, detalha.

Paulo fez muitas amizades e destaca que durante a permanência na casa pôde se conhecer melhor. “Tive oportunidade de recomeçar. Fui muito bem acolhido. Ao olhar para trás, vejo que construí muitos amigos durante o tempo que passei no abrigo, e hoje tenho prazer em voltar lá para revê-los e mostrar a eles como é possível se reerguer com a ajuda dos profissionais e voluntários que ali estão, fora a ajuda espiritual que recebemos”, analisa.

Sempre que encontra Daciane em algum lugar, Paulo faz questão de registrar o momento. (Foto: Colaboração)

Para Leonardo Mendes, diretor regional da ADRA para o Estado da Bahia, uma das primeiras coisas que se rompe a partir do momento em que a pessoa passa a viver em situação de rua são os laços familiares e os laços afetivos de amizade. “Nossa proposta nos abrigos, através da equipe psicossocial, é justamente isso: refazer e reconstruir. Por isso, existe um processo tanto por parte da psicologia, como da assistência social, de reconstrução com cada um deles. Esse é o objetivo, e a gente tem lutado para alcançar isso, e em alguns momentos com êxito”, analisa Mendes.

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox