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Especialistas discorrem sobre o futuro das lives após a pandemia

Com o retorno das atividades presenciais nas igrejas, os cultos e programas on-line serão extintos ou ainda terão o seu papel?


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Programas online não substituem a experiência da adoração em comunidade (Foto: Shutterstock)

Uma pesquisa feita recentemente com 1.930 membros e frequentadores da Igreja Adventista na região do Planalto Central brasileiro mostrou que 82,3% deles têm acompanhado regularmente, nos últimos três meses, os cultos e programações on-line dos seus ou mesmo de outros templos adventistas. Nesse período, eles estiveram fechados por conta do isolamento social. Agora, com o retorno gradativo das atividades presenciais, algumas questões vêm à tona: este público, que adaptou-se a uma “igreja virtual”, voltará a congregar in loco? As programações on-line continuarão com força ou tendem a extinguir-se?

Para o gerente de estratégias digitais da Igreja Adventista na América do Sul, Carlos Magalhães, alguns fatores levam a crer que nem todos os membros retornarão às igrejas imediatamente. “Muitos estarão com medo [da Covid-19], ou preferirão manter-se isolados para proteger os seus familiares. Outros seguirão acomodados, acompanhando conteúdo espiritual pela internet”, avalia.

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Apesar disto, o diretor de comunicação da organização, pastor Rafael Rossi, acredita que o senso de pertencimento a uma comunidade ainda fala alto, o que se comprova em outro dado da pesquisa mencionada acima: 52,4% dos entrevistados, mesmo em casa, preferem assistir a pregações feitas pelos seus respectivos pastores e líderes, ao invés de buscarem programações de outras igrejas. Isto pode indicar que haverá um grupo relativamente expressivo retornando às suas congregações em breve.

Ainda que o fechamento dos templos pela pandemia tenha tornado necessária a migração dos cultos e reuniões para o ambiente virtual, Rossi reforça que esta foi uma medida provisória, e não deve tornar-se um padrão. “Um cristianismo sem igreja pode até durar, mas está longe do ideal projetado por Jesus. O cristão precisa da comunidade. Se eu vivo de maneira isolada, deixo de exercitar os meus dons e apoiar a caminhada espiritual do meu próximo. É na igreja que eu ajudo e sou ajudado”, argumenta.

O ministério digital continua

A fala de Rossi, entretanto, não pressupõe que cultos e outros conteúdos on-line deixarão de existir após a pandemia. Há anos a Igreja Adventista tem usado a internet para transmitir a mensagem do evangelho, e Rossi explica as razões: “Há um grupo de pessoas que só serão alcançadas desta forma. Esse é o ambiente das novas gerações. Nós não queremos criar uma Igreja digital, mas temos usado este meio para trazer as pessoas para perto de um Jesus real”.

Para Magalhães, o aumento significativo dos pedidos de oração que chegam pelos canais oficiais adventistas é uma prova disso. “Como Igreja, já atingimos o clímax das produções e fidelizamos um público; agora essas pessoas interagem conosco e, numa conversa despretensiosa, acabamos apresentando um Jesus que elas não conheciam. Esse é o grande diferencial: a qualidade do atendimento ao público que cativamos”, considera ele.

O departamento de comunicação da igreja do Unasp, campus São Paulo, tem trabalhado na mesma linha. Além das transmissões dos cultos tradicionais, a equipe mantém programas regulares de estudos bíblicos e oração intercessora que engajam o público e trazem resultados reais, como o batismo de dezenas de pessoas. Para o diretor da equipe, o especialista em Marketing Fábio Bérgamo, esse é o verdadeiro sentido de uma igreja ter presença on-line. “Eu não tinha ideia do poder de uma transmissão até participar disso. A mensagem vai chegando através dos telhados, como Cristo afirma em Mateus 10:27. Isso é o cumprimento da missão; é como vamos alcançar as pessoas nesses últimos dias”, reflete.

Estratégia e inovação

Ao observar o comportamento dos internautas que acompanham os canais oficiais da Igreja Adventista, Magalhães pontua alguns fenômenos recentes: “No início da pandemia, nós agimos rápido e entregamos às pessoas o que elas precisavam: lives com temas escatológicos e sobre a relação entre a pandemia e o fim do mundo. A nossa audiência aumentou muito no primeiro mês. De lá pra cá, outras ondas já vieram, como a das lives musicais. Mas, nas últimas semanas, quase metade dos internautas deixou de assistir a esse tipo de conteúdo”.

Para o especialista, o motivo é a saturação do público: “As pessoas perdem o interesse muito rápido, e a Igreja, no meio digital, precisa ser ágil para continuar relevante”. Por isso, Magalhães e sua equipe têm se antecipado às tendências e trabalhado com novas estratégias para os meses que se seguem: “A previsão é que a próxima onda é sobre saúde. As pessoas perceberam que não dá pra permanecer em quarentena, então estão buscando fortalecer a imunidade, e temos preparado conteúdo para isso. Também notamos que elas estão à procura de temáticas bíblicas mais profundas e se engajando mais na missão; estamos suprindo isso também”.

E esta agilidade só é possível sob planejamento e estratégia. Para Bérgamo, estes itens são ainda mais importantes que a qualidade técnica das produções. “O sucesso está em conhecer o seu público e entregar o que ele precisa”, afirma o diretor, que viu a audiência on-line da igreja do Unasp disparar em menos de um ano após uma repaginada na metodologia comunicacional.

A adequação das mensagens ao momento e ao contexto social faz parte da nova estratégia; a exemplo, desde o início da pandemia, os pregadores têm alinhado seus sermões a temas escatológicos e de esperança para o futuro. Atualmente, os seus canais no Youtube e Facebook somam uma das maiores audiências entre as programações evangélicas do País nestas plataformas.