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Fóssil de sapo descoberto no Brasil reforça tese criacionista

Fóssil encontrado no nordeste do Brasil pode confirmar tese criacionista de soterramento rápido e catástrófico, como o ocorrido por meio do dilúvio bíblico.

Por Marcos Natal 1 de setembro de 2020

Descoberta, que lança luz sobre anuros, ocorreu em famosa localização para estudos geológicos chamada Formação Crato. (Foto: Reprodução da Science Direct)

O volume 101 do periódico Journal of South America Earth Science, de agosto de 2020, publicou o achado de um anuro do período conhecido como Cretáceo Inferior, de supostamente 119 milhões de anos, na Formação Crato do nordeste do Brasil. Os anuros são um grupo de animais da classe dos anfíbios que incluem os sapos, as rãs e as pererecas.

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A Formação Crato é constituída por rochas calcárias que formam bancos de até 60 metros de espessura, com intercalações de material arenoso de granulação fina a grossa. Ela faz parte da Bacia do Araripe. Este local é um depósito sedimentar de direção geral leste-oeste desenvolvido durante a ruptura do supercontinente Pangeia nas fases finais de abertura do Oceano Atlântico. A bacia do Araripe possui cerca de 9000 km2, e inclui os Estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Para os criacionistas, a fragmentação de Pangeia, dando origem aos continentes atuais, foi um dos eventos mais dramáticos do grande dilúvio bíblico narrado no livro de Gênesis.

A Formação Crato é mundialmente conhecida, nos meios científicos, por seus fósseis, sendo muitos deles excepcionalmente preservados. Nela são encontrados uma variedade de plantas e animais incluindo dinossauros, aves, peixes, insetos, anfíbios, serpentes, inclusive uma com quatro patas, além de outras espécies de répteis.

Novo gênero e espécie

O espécime encontrado foi denominado Kururubatrachus gondwanicus nov. sp., que, na verdade, é um novo gênero e espécie. Kururu é o nome de uma espécie de sapo existente na América do Sul; batrachus é o termo em latim para “sapo”.

Segundo Federico Agnolin, do Museu Argentino de Ciências Naturais e um dos autores da pesquisa, o fóssil representa um espécime muito bem preservado, com esqueleto praticamente completo. Isso que inclui conteúdo estomacal preservado no seu interior. O fóssil é semelhante a um grupo de sapos que vivem nos dias de hoje e que compreende cerca de 54% das espécies dos sapos modernos.

A descoberta também sugere que os sapos modernos já estavam presentes e bem diversificados há 40 milhões de anos antes do evento de extinção que ocorreu no limite entre os períodos Cretáceo e o Terciário, mais conhecido como evento K/T. Este evento é datado em 65 milhões de anos atrás e inclusive teria provocado a extinção dos dinossauros. Como os sapos modernos já existiam 40 milhões de anos antes do evento K/T, isso significa que eles já eram comuns e bem diversificados há pelo menos 105 milhões de anos atrás.

Importância para o criacionismo

Os resultados da pesquisa são significativos do ponto de vista criacionista. Um dos critérios amplamente reconhecidos pelos paleontologistas para a formação de fósseis bem preservados, e também enfatizado pelos criacionistas, é o soterramento rápido e catastrófico. Para serem fossilizados, os organismos devem ser soterrados logo após a morte. Para uma preservação como a observada em Kururubatrachus gondwanicus, o sepultamento e a mineralização devem ser bastante rápidos, antes que os necrófagos, bactérias ou outros processos físicos destruam a carcaça.

O sepultamento rápido impede a fragmentação e desarticulação da estrutura óssea, mantém intactas as articulações e permite o reconhecimento dos pontos de fixação da musculatura nos ossos. No caso de Kururubatrachus gondwanicus, o soterramento foi tão eficiente a ponto de manter o animal muito bem preservado e de conservar, inclusive, conteúdo estomacal no seu interior, o que é raro no registro fóssil. Uma catástrofe tão violenta quanto o dilúvio bíblico certamente proporcionaria as condições necessárias e ideais para uma preservação desta natureza.

Outro aspecto importante da pesquisa é o fato de que, embora terem se passados mais de 105 milhões de anos, este grupo de anuros não sofreu qualquer tipo de evolução ou modificação morfológica ou estrutural. Eles mantiveram praticamente as mesmas características dos anuros modernos. Uma das características importantes da teoria da evolução é a descendência com modificações a partir de um ancestral comum. Estas modificações ocorrem quando há mudança na frequência dos genes dentro de uma população através do tempo. E as diferenças genéticas são hereditárias e podem ser transmitidas para a próxima geração, dando origem a mudanças a longo prazo.

Ainda de acordo com a teoria da evolução, os ambientes também estão sempre em estado de mudança. Seja por alterações climáticas, por alterações na oferta de alimentos ou nutrientes ou por outros fatores físicos, químicos ou ambientais. A seleção natural, junto com as mutações, atua sobre esses fatores e provocam mudanças (evolução) nesses indivíduos tornando-os mais aptos ao novo ambiente.

Uma questão importante

Mas este parece não ter sido o caso de Kururubatrachus gondwanicus. De acordo com a pesquisa, os anuros modernos já eram comuns e se encontravam bem diversificados há mais de 100 milhões de anos. Isso levanta a questão de por que os mecanismos evolutivos não atuaram nesses animais, mesmo depois de terem se passado tanto tempo. Afinal, estamos falando de mais de 100 milhões de anos. Será que o ambiente se manteve estável durante tanto tempo e não gerou nenhuma pressão seletiva que resultasse na modificação desses animais? Será que as mudanças climáticas, o efeito dos fenômenos atmosféricos na circulação dos ventos e das correntes oceânicas, o regime de chuvas, as catástrofes ambientais e a relação entre os indivíduos e a disponibilidade de nutrientes, vital para à sobrevivências das populações, se mantiveram inalteradas?

Não é o caso aqui de colocar em xeque o valor da pesquisa apenas com um breve comentário. Mas são questões que merecem ser levantadas e discutidas. É sabido que os criacionistas defendem a possibilidade da microevolução, ou seja, pequenas variações entre as espécies em um curto intervalo de tempo, o que concorda, em parte, com os resultados da pesquisa, uma vez que as mudanças nos anuros foram pequenas.

Isto significa que não houve a atuação dos processos evolutivos nesses animais como prediz a teoria da evolução. E que o lapso de tempo entre a formação do fóssil e os dias atuais é muito menor que os supostos 105 milhões de anos estimados pela pesquisa. Na verdade, entendemos que Deus criou uma ampla variedade de tipos básicos para povoar a Terra há poucos milhares de anos. E que aqueles que sobreviveram à grande catástrofe do dilúvio bíblico ainda estão em nosso meio, afetados ou não por pequenas alterações ou modificações de caráter microevolutivo, portanto sem macroevolução.

Marcos Natal é doutor em Geologia e presidente da Sociedade Criacionista Brasileira.

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