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Segundo especialista, teologia da prosperidade ‘é barganhar com Deus’

Em entrevista especial, o pastor Ozeas Moura, doutor em Teologia Bíblica, esclarece os equívocos sobre o tema e aponta para a clara compreensão encontrada na Bíblia.

12 de maio de 2016

CAPITULO5[4]

Assunto é um dos temas presentes no livro Esperança Viva, que será distribuído em oito países da América do Sul neste dia 14 de maio

Engenheiro Coelho, SP… [ASN] Uma das estratégias que muitas religiões têm utilizado para atrair fiéis é através da teologia da prosperidade. O assunto, no entanto, é biblicamente pouco estudado por aqueles que aderem a essa doutrina, o que os leva a ter uma compreensão limitada ou nula sobre o que a Bíblia diz a esse respeito. “Eles estão pensando que a bênção de Deus é somente dinheiro”, analisa o pastor Ozeas Caldas Moura, atual coordenador da pós-graduação em Teologia do Seminário Adventista Latino Americano de Teologia (Salt) do Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp), campus Engenheiro Coelho.

Em entrevista especial à Agência Adventista Sul-Americana de Notícias, Moura, doutor em Teologia Bíblica na área de Antigo Testamento e pós-doutor em Teologia Sistemática, discute a temática, que está presente no quinto capítulo do livro Esperança Viva, escrito pelo pastor Ivan Saraiva.

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ASN – O evangelho da prosperidade tem sido um dos fenômenos religiosos mais atrativos do momento. Mas afinal, o que é o evangelho da prosperidade?

Ozeas Moura – Sendo direto, é um meio de arrancar dinheiro dos fiéis. Eles interpretam errado alguns textos bíblicos, como a história da viúva que deu tudo o que tinha. A ideia é de uma barganha com Deus. Deus prometeu abençoar aqueles que fossem fiéis e isso está em muitos textos da Bíblia, mas eles acreditam que essa bênção sempre será financeira. Isso é um equívoco. Deus prometeu me abençoar também financeiramente, mas a bênção de Deus pode ser em termos de paz, certeza do perdão dos pecados, sentido pra vida, etc. A motivação deles no ato de dar ofertas e de devolver o próprio dízimo é errada. Devemos dar por amor, não por interesse em receber de Deus muito mais do que estamos dando. É uma motivação egoísta.

ASN – Uma pesquisa divulgada pela revista Time em 10 de setembro de 2006 afirmou que menos de 17% dos cristãos entrevistados disseram se considerar parte do evangelho da prosperidade. Outros 31 % acreditavam que se você dá o seu dinheiro a Deus, Ele irá te recompensar com mais dinheiro. No total, 61% acreditavam que Deus quer que as pessoas sejam prósperas na Terra. À luz da Bíblia, é correto afirmar que os cristãos que responderam a esta pesquisa estão equivocados?

OM – Logicamente que sim. Eles estão pensando que a bênção de Deus é somente dinheiro.  Mas uma pessoa que está desempregada e doente pode ter a bênção de Deus no sentido de ter paz no coração, não pode? A paz que Deus nos dá traz calma interior, com a certeza que Ele está cuidando de nós e não devemos nos desesperar. Se Deus abençoasse só materialmente, nenhum cristão ficaria doente, desempregado, divorciado e por aí vai.

ASN – Riqueza e bem-estar material são sempre um sinal de bênção de Deus?

OM – Jó é um clássico exemplo de que não é assim que as coisas funcionam. Quando ele tinha saúde, dinheiro, família e amigos, as pessoas pensavam que ele era justo. Mas quando ele perdeu tudo, julgaram-no pecador. É verdade que de alguma forma Deus sempre vai abençoar o justo, mas essa bênção vai além da coisa material e financeira. Às vezes, Deus não permite que uma pessoa seja rica porque isso seria ruim, mudaria sua mentalidade e tornaria o dinheiro um ídolo para ela. Nem sempre a riqueza reflete uma pessoa correta, muito menos a falta de riqueza indica uma pessoa ruim.

ASN -Até que ponto a busca pela prosperidade é saudável para os cristãos?

OM – Buscar a prosperidade para abençoar a outros é louvável. Abraão, Isaque, Jacó e vários outros personagens bíblicos eram ricos. O problema não está na riqueza em si, mas no mau uso da mesma. Quando você coloca muito foco no dinheiro e nas coisas desse mundo, acaba que o seu foco fica aqui neste mundo. Você pode perder muito tempo e ainda por cima perder a salvação eterna. O dinheiro em si é uma coisa ótima, pode ajudar muita gente. Mas o amor ao dinheiro é o pior de todos os males.

ASN – Essa outra visão oferece mais do que prosperidade em si. Oferece esperança também. Que tipo de esperança é essa? Ela satisfaz?

OM – É a esperança que Paulo diz: “Ora, se a nossa esperança em Cristo se restringe apenas a esta vida, somos os mais miseráveis de todos os seres humanos” (1 Coríntios 15:19). Jesus falou para colocarmos nosso tesouro onde o ladrão não roube, onde não enferruje, onde a traça não corroa. As coisas aqui vão passar, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece eternamente. Quando o seu céu é nesta vida, ele vai durar no máximo uns 90 anos. E depois? Do que adianta ganhar o mundo inteiro e perder sua alma? Às vezes, você passa a vida toda tentando ser rico, mas quando morre não leva nada. As coisas desse mundo são passageiras. [Equipe ASN, Carolina Inthurn]

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