Igreja Adventista atingida por enchente no RS em 2024 reinaugura salas para crianças e adolescentes
Projeto “Igreja Nova Para Todos” possibilitou reforma de espaços do templo localizado no bairro Mathias Velho, em Canoas

A manhã do último sábado, 15, marcou um capítulo simbólico para a comunidade da Igreja Adventista do Sétimo Dia do bairro Mathias Velho, em Canoas. Depois de meses enfrentando cicatrizes deixadas pelas enchentes de 2024 — uma das maiores tragédias ambientais da história gaúcha — a igreja inaugurou as novas salas destinadas às crianças e adolescentes. O espaço, que havia sofrido enormes danos quando a água tomou conta das ruas do bairro, agora conta com salas adequadas para cada faixa-etária.
A revitalização só se tornou possível com o apoio do Igreja Nova Para Todos, projeto da sede sul-americana da denominação que financia construções e reformas de ambientes infantis nos oito países do território adventista. A iniciativa contempla igrejas que, por diagnóstico, apresentam necessidade estrutural para oferecer um ambiente adequado de ensino religioso às novas gerações — seja por danos, obras inacabadas ou espaços improvisados. A sede adventista para o Sul do Brasil (USB) e o escritório regional para a região central do Rio Grande do Sul (ACRS) também colaboram com o aporte financeiro.
A igreja do bairro Mathias Velho é um dos templos do Sul do Brasil contemplados para a reforma dos espaços infantis e de adolescentes neste ano de 2025. A ideia é que até 22 projetos de cada União presente no território sul-americano (DSA) sejam financiados.
Leia mais:
- Projeto vai custear novos espaços para crianças e adolescentes
- Novo currículo da Escola Sabatina infantil é lançado a líderes do centro e sul do Rio Grande do Sul
- América do Sul redistribui classes no Ministério do Adolescente

O pastor Glaussuan Falcão, líder da congregação, lembra que a escolha da igreja veio num momento em que tudo parecia irrecuperável. “As salinhas aqui foram totalmente devastadas… perderam tudo”, relata. Ele explica que a revitalização atende mais do que uma demanda estética ou arquitetônica. “Os valores investidos não são somente para termos salas bonitas, mas realmente ambientes que atraiam mais crianças, mais pais e que os aproximem de Cristo por meio do estudo da lição e do relacionamento que existirá ali”, ressalta.
Segundo Glassuan, o objetivo é também criar um ambiente que dialogue com o novo currículo da Escola Sabatina, transformando cada elemento da sala — cores, materiais, organização, mobiliário — em parte do processo pedagógico e espiritual que envolve as famílias.
O impacto das enchentes no ritmo das crianças
Para quem vivia a rotina dos Ministérios da Criança e do Adolescente na prática, as enchentes não afetaram apenas paredes e móveis, mas também rotina, pertencimento e o sábado especial reservado às crianças. A coordenadora local atual, Sabrina Mesquita, que também é mãe, reviveu esse choque ao narrar o primeiro contato com o estrago. “Foi bem complicado a gente chegar ali e ver tudo que a gente tinha perdido”, conta.
Muitos materiais, apesar de antigos, eram essenciais para conduzir a Escola Sabatina infantil — e foram arruinados de uma hora para a outra. A líder explica que, com as salas inutilizáveis, as crianças passaram um longo período participando das atividades em espaços improvisados, muitas vezes sem o aconchego e a identificação que faziam parte da rotina. “Para os pequenos foi complicado estar lá em cima (na nave da Igreja), e não ter o momento deles”, relembra.

Hoje, ao retornar para um ambiente completamente repaginado, a sensação é de alívio e renovação. “Tem um espaço tão bonito, com tanto material legal para as crianças poderem aproveitar… é muito bacana, é muito lindo de ver”, celebra a líder local.
Novo currículo da Escola Sabatina
A líder regional do Ministério da Criança e do Adolescente na região central do RS, Samara Zabel, reforça a importância da revitalização ao destacar o alinhamento com o novo currículo Vivos em Jesus, que começa a ser implantado em toda a América do Sul. Ela lembra que o currículo traz uma mudança profunda na dinâmica entre igreja, família e criança, exigindo uma participação mais ativa dos pais. Por isso, espaços adequados não são um detalhe: são parte do aprendizado.
“O currículo vai modificar quase que completamente o conceito do estudo da lição… vai precisar dos pais, e a colaboração deles é fundamental para que a criança aprenda a Palavra de Deus. Pensando nisso tudo, as salas estão lindas… As crianças precisam ser assistidas – também nesse aspecto – e a igreja está proporcionando isso a elas”, enfatiza.

A alegria do recomeço
Entre os membros da igreja, poucos sentem essa transformação tão profundamente quanto Solange Nunes, mãe e professora voluntária da classe que era, até então, chamada de Rol do Berço. “Para nós foi difícil também, porque não só a igreja foi atingida… a nossa casa também foi. A gente perdeu tudo”, conta.
Quando voltou ao templo, encontrou as salas igualmente destruídas. “Foi tudo destruído mesmo... Todos os materiais que eram usados... A gente tentou usar por um tempo tapando com TNT [tecido]… mas não fica igual. Era triste de entrar ali, de ver tudo assim enjambrado”, relembra.
Hoje, ao ver a sala reformada, Solange descreve uma alegria difícil de colocar em palavras. “Nem parece a mesma sala. Está melhor do que era antes da enchente… com material, bancos novos, estofado, ar-condicionado... Foi uma grande bênção Deus ter dado para nós algo melhor ainda do que tínhamos”, exalta. Mesmo não atuando mais como professora da Escola Sabatina infantil, ela garante que seguirá envolvida — seja acompanhando o filho ou apoiando o Ministério da Criança. “Vou continuar ajudando aqui, com toda certeza”, conclui.

Confira mais algumas fotos das salas inauguradas:





