Novo currículo da Escola Sabatina infantil é lançado a líderes do centro e sul do Rio Grande do Sul
Encontro marcou a introdução do material Vivos em Jesus, que propõe um ensino mais prático, inclusivo e voltado à vivência da fé e missão

Líderes do Ministério da Criança das regiões Central e Sul do Rio Grande do Sul participaram de um treinamento voltado ao lançamento do novo currículo da Escola Sabatina infantil, Vivos em Jesus. O material substituirá o Elo da Graça, em uso há mais de 15 anos, e traz uma proposta pedagógica e espiritual voltada à vivência da fé, ao envolvimento da família e ao desenvolvimento integral das crianças.
O Elo da Graça, que vinha sendo utilizado em toda a América do Sul, dividia o ensino infantil em quatro classes — Rol do Berço (0 a 2 anos), Jardim da Infância (3 a 5 anos), Primários (6 a 9 anos) e Juvenis (10 a 12 anos) — trabalhando os temas de forma cíclica, ou seja, repetindo histórias e conteúdos a cada dois anos. Agora, o Vivos em Jesus altera esse formato: o conteúdo passa a ser anual e progressivo, permitindo que as crianças avancem em conhecimento e compreensão a cada faixa etária. As classes também foram reorganizadas em quatro grupos: Bebês (0 a 12 meses), Iniciantes (1 a 3 anos), Infantis (4 a 6 anos) e Primários (7 a 9 anos).
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O novo currículo também propõe mudanças na forma de ensinar. As aulas devem se basear menos em repetições ou memorização e passam a valorizar o raciocínio, a emoção e a aplicação prática. Cada lição inclui momentos que estimulam a mente (aprendizado), o coração (emoção e fé) e as mãos (ação e missão), promovendo um ensino mais próximo do modelo de Cristo — o que deve ser simples, interativo e relacional.
A doutora em Educação Thalita Silva, que participou do processo de elaboração do material, explicou que o objetivo do Vivos em Jesus é conduzir as crianças a uma experiência de fé mais profunda e significativa. Segundo ela, é preciso trabalhar para que os pequenos conheçam e experimentem Jesus, e não apenas repitam informações. Diante disso, o professor deverá ser um facilitador da aprendizagem, alguém que cria oportunidades para que a criança pense, sinta e viva o que aprende.

A professora lembrou que o currículo foi desenvolvido com base em metodologias e princípios do desenvolvimento infantil. “A aprendizagem acontece quando há emoção, afeto e envolvimento prático”, afirmou, observando que Jesus ensinava de forma simples, com exemplos da natureza e do cotidiano. “É isso que queremos resgatar — um ensino que toque o coração e leve a criança a enxergar Deus em tudo”, refletiu.
A psicóloga Jamile Zinn abordou o tema da inclusão e lembrou que ensinar como Jesus inclui o acolhimento. Ela destacou que o olhar inclusivo deve ir além das deficiências físicas ou cognitivas e alcançar crianças em diferentes contextos emocionais. “A inclusão é mais ampla do que se pensa. Envolve a criança que perdeu alguém, a que vive o divórcio dos pais, a que tem mais energia ou que demora a se adaptar. Incluir é olhar para todas elas com o mesmo amor”, explicou, reforçando que essa análise também precisa ser parte da rotina de quem está a frente da classe.
Jamile reforçou que o papel do professor é criar um ambiente seguro, onde cada criança se sinta aceita e valorizada. “Não é sobre ter preparo para tudo, é sobre ter disposição para amar em tudo”, afirmou. Segundo ela, o novo currículo favorece esse processo ao incentivar a escuta ativa, o respeito aos ritmos individuais e o uso de atividades simples que permitam a participação de todos. “A inclusão não está só em ter um plano adaptado, mas em fazer a criança sentir que pertence”, completou.

A líder do Ministério da Criança na região central do Rio Grande do Sul, Samara Zabel, apresentou as orientações sobre a implantação nas igrejas e destacou que o novo currículo vem acompanhado de uma revisão completa no ambiente físico das salas. As classes infantis passam a priorizar mesas e cadeiras para atividades manuais, em vez de disposição voltada apenas à observação. “O Vivos em Jesus também é uma proposta para tirar as crianças das telas e trazê-las para experiências reais”, observou Samara. Ela reforçou que o uso de televisão e vídeos deve ser substituído por dinâmicas que envolvam objetos concretos, sons, cheiros e cores. “A gente precisa usar menos tecnologia e mais criatividade. As crianças aprendem com o que podem vivenciar”, afirmou.
No período da tarde, as líderes das duas regiões contempladas no treinamento foram divididas em salas, por faixa-etária, e receberam capacitação prática para implementação do novo programa com professoras que tiveram oportunidade de testá-lo anteriormente.
Na sequência do encontro, a líder Júlia Cardoso, responsável pelo Ministério da Criança e do Adolescente da Igreja Adventista no Sul do Brasil, destacou que o Vivos em Jesus nasceu de uma visão espiritual e pedagógica conjunta e que também se conecta com um outro projeto que está já tem sido desenvolvido nas regiões, mas que será ampliado – o Tudo Começa em Casa. Pelo fato de muitos pais manifestarem certa dificuldade sobre serem criativos o suficiente para manter aceso o interesse das crianças no culto familiar, 52 lições semanais foram criadas e planejadas para envolvê-las na igreja e também em casa, com atividades curtas e práticas.
“Nosso objetivo é formar uma geração que pensa, sente e age como Jesus”, destacou Júlia. Ela também explicou que o novo currículo oferece ao professor um guia com passos claros para preparar cada aula — desde o objetivo espiritual até a aplicação prática —, incentivando o uso de perguntas abertas e experiências que despertem curiosidade e reflexão.

A líder ainda ressaltou ainda que o novo currículo tem como objetivo não apenas ensinar histórias bíblicas, mas formar discípulos desde a infância, despertando nas crianças uma compreensão prática do amor de Deus. “As crianças aprendem com o exemplo. Quando veem os pais orando, lendo a Bíblia e servindo, elas aprendem quem Deus é. É isso que o currículo busca: uma vivência real da fé, não algo teórico”, concluiu.
Ao final do programa, a líder do departamento que atende crianças no sul do estado, Letícia Uberti, contou como a influência de adultos preocupados em ensinar valores espirituais fizeram com que ela nunca se esquecesse de Deus – mesmo quando encarou um período de afastamento da fé. A partir desse gancho, incentivou os líderes presentes a se entregarem nas mãos de Deus e dedicarem seus esforços em favor das novas gerações.
Por fim, o grupo Contexto, formado por adolescentes gaúchos, apresentou uma música especial direcionada aos líderes. Depois, o pastor Rodrigo Paixão, secretário da Igreja Adventista para o sul do estado fez uma oração de consagração por cada líder presente e por suas realidades locais, ao mesmo tempo em que todos os pastores presentes ergueram as mãos em direção ao público como gesto simbólico da benção divina.
Apesar de ser uma realidade ainda bastante nova e desafiadora, a coordenadora distrital do Ministério da Criança da Igreja Adventista de Fragata, município de Pelotas, Carmen Cardoso, acredita que as orientações trouxeram um panorama promissor para 2026, momento em que o novo currículo será plenamente implementado. “Depois desse treinamento, percebi os planos que Deus por trás desse novo currículo – uma nova visão de como a gente pode atingir as crianças de uma forma que consigam compreender e levar pra vida delas aquilo que a gente já acredita, que é o amor de Deus por nós, que foi Ele quem nos criou. Tenho algumas dúvidas, mas no geral, isso me deixa bastante esperançosa”, concluiu Carmen.
