Notícias Adventistas

Comportamento

Estudantes alertam sobre violência digital em praça pública no sul de Minas

Ação em Lavras (MG) mostrou imagens reais da internet para conscientizar sobre os perigos enfrentados por crianças e adolescentes no mundo virtual


  • Compartilhar:
Imagens sobre violência digital são analisadas em praça central de Lavras (MG) (Foto: Pablo Monteiro e Rafael Belcavello)
Imagens sobre violência digital são analisadas em praça central de Lavras (MG) (Foto: Pablo Monteiro e Rafael Belcavello)

A Praça de Lavras, no sul de Minas Gerais, se transformou em sala de aula a céu aberto nesta semana. Alunos da Faculdade Adventista de Minas Gerais (Fadminas) organizaram uma dinâmica para sensibilizar a comunidade sobre os riscos da violência digital. A atividade foi motivada pela campanha Quebrando o Silêncio 2025 e pelo aumento da repercussão do tema nas redes sociais nos últimos dias.

Na dinâmica, os alunos exibiram 10 imagens retiradas da internet em que crianças apareciam fora do contexto infantil, e quem passava pela praça era convidado a opinar. Algumas das fotos chamaram atenção pelo conteúdo explícito, enquanto outras, aparentemente inofensivas, revelaram-se inadequadas quando contextualizadas. “Às vezes, quem tira esse tipo de foto nem imagina o que pode causar”, comentou uma moradora que acompanhou a atividade.

Leia também:
Campanha Quebrando o Silêncio vira lei em cidade mineira

Para quem participou da atividade, o impacto foi imediato. Ester Frota, aluna do ensino médio do Colégio Fadminas, contou que a dinâmica ajudou não só a comunidade presente na praça, mas também os próprios estudantes. “Ações como essa mostram os cuidados que precisamos ter na internet. É um alerta para mim, meus colegas e para todos, pois faz a gente repensar o que consome e compartilha”, afirmou.

Alunos da Fadminas alertam a população de Lavras (MG) sobre os riscos de fotos de crianças nas redes sociais (Foto: Pablo Monteiro e Rafael Belcavello)
Alunos da Fadminas alertam a população de Lavras (MG) sobre os riscos de fotos de crianças nas redes sociais (Foto: Pablo Monteiro e Rafael Belcavello)

Dados sobre violência digital

Em 2023, o Brasil registrou 71.867 denúncias de imagens de abuso e exploração sexual infantil na internet, segundo a SaferNet. O número representa um crescimento de 77% em relação ao ano anterior e corresponde a links inéditos reportados à plataforma.

Diante desse cenário, a atividade em Lavras (MG) integra a campanha Quebrando o Silêncio, realizada em várias regiões da América do Sul para conscientizar sobre diferentes formas de violência, inclusive a digital. A proposta é levar o debate para os espaços públicos e incentivar a denúncia, rompendo o silêncio que muitas vítimas enfrentam.

Nesse contexto, o psicólogo Felipe Novaes, coordenador de psicologia na Fadminas, acompanhou a ação e destacou os impactos que a exposição precoce pode ter na vida das crianças. “Quando a criança tem contato com telas, com conteúdos da internet, os pais perdem a oportunidade de fazer uma interação saudável com ela. Mais ainda, perdem o controle de quais conteúdos aquela criança está sendo exposta no ambiente digital. É por isso que a proteção deve ser permanente, em relação a todo e qualquer tipo de conteúdo", reforçou.

Alunos distribuem materiais de conscientização sobre violência digital (Foto: Pablo Monteiro e Rafael Belcavello)
Alunos distribuem materiais de conscientização sobre violência digital (Foto: Pablo Monteiro e Rafael Belcavello)

Leis que protegem crianças e adolescentes

Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante proteção integral para menores de idade, inclusive diante da violência digital. Para além disso, o Brasil conta ainda com outras normas que buscam proteger crianças e adolescentes na esfera digital, como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que garantem a privacidade e a segurança desses em plataformas online. 

Essas legislações reforçam que a responsabilidade pela proteção não é apenas da família, como explica o doutor Eric Andrade, coordenador do curso de Direito da Fadminas. “A legislação é clara ao afirmar que crianças e adolescentes têm direito à dignidade, ao respeito e à inviolabilidade de sua integridade física e psicológica. Isso vale também para o ambiente online, que não pode ser visto como um espaço sem regras. Cabe aos pais, às escolas e à sociedade compreender que a internet, embora seja uma ferramenta poderosa para o aprendizado e a socialização, também exige limites, responsabilidade e acompanhamento constante”, destacou. 

Como denunciar

Para denunciar casos de violência digital, é possível acessar a Delegacia Virtual, selecionar o estado e a natureza do fato e preencher o formulário. Outra opção é procurar a Delegacia de Crimes Cibernéticos mais próxima. Em situações específicas, as denúncias podem ser feitas pelo 180, no caso de violência contra a mulher. Pelo 190, em situações de emergência. E pelo 100, em casos de violações de direitos humano.

Veja como foi a ação de conscientização: