Estudantes alertam sobre violência digital em praça pública no sul de Minas
Ação em Lavras (MG) mostrou imagens reais da internet para conscientizar sobre os perigos enfrentados por crianças e adolescentes no mundo virtual

A Praça de Lavras, no sul de Minas Gerais, se transformou em sala de aula a céu aberto nesta semana. Alunos da Faculdade Adventista de Minas Gerais (Fadminas) organizaram uma dinâmica para sensibilizar a comunidade sobre os riscos da violência digital. A atividade foi motivada pela campanha Quebrando o Silêncio 2025 e pelo aumento da repercussão do tema nas redes sociais nos últimos dias.
Na dinâmica, os alunos exibiram 10 imagens retiradas da internet em que crianças apareciam fora do contexto infantil, e quem passava pela praça era convidado a opinar. Algumas das fotos chamaram atenção pelo conteúdo explícito, enquanto outras, aparentemente inofensivas, revelaram-se inadequadas quando contextualizadas. “Às vezes, quem tira esse tipo de foto nem imagina o que pode causar”, comentou uma moradora que acompanhou a atividade.
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Para quem participou da atividade, o impacto foi imediato. Ester Frota, aluna do ensino médio do Colégio Fadminas, contou que a dinâmica ajudou não só a comunidade presente na praça, mas também os próprios estudantes. “Ações como essa mostram os cuidados que precisamos ter na internet. É um alerta para mim, meus colegas e para todos, pois faz a gente repensar o que consome e compartilha”, afirmou.

Dados sobre violência digital
Em 2023, o Brasil registrou 71.867 denúncias de imagens de abuso e exploração sexual infantil na internet, segundo a SaferNet. O número representa um crescimento de 77% em relação ao ano anterior e corresponde a links inéditos reportados à plataforma.
Diante desse cenário, a atividade em Lavras (MG) integra a campanha Quebrando o Silêncio, realizada em várias regiões da América do Sul para conscientizar sobre diferentes formas de violência, inclusive a digital. A proposta é levar o debate para os espaços públicos e incentivar a denúncia, rompendo o silêncio que muitas vítimas enfrentam.
Nesse contexto, o psicólogo Felipe Novaes, coordenador de psicologia na Fadminas, acompanhou a ação e destacou os impactos que a exposição precoce pode ter na vida das crianças. “Quando a criança tem contato com telas, com conteúdos da internet, os pais perdem a oportunidade de fazer uma interação saudável com ela. Mais ainda, perdem o controle de quais conteúdos aquela criança está sendo exposta no ambiente digital. É por isso que a proteção deve ser permanente, em relação a todo e qualquer tipo de conteúdo", reforçou.

Leis que protegem crianças e adolescentes
Atualmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) garante proteção integral para menores de idade, inclusive diante da violência digital. Para além disso, o Brasil conta ainda com outras normas que buscam proteger crianças e adolescentes na esfera digital, como o Marco Civil da Internet e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que garantem a privacidade e a segurança desses em plataformas online.
Essas legislações reforçam que a responsabilidade pela proteção não é apenas da família, como explica o doutor Eric Andrade, coordenador do curso de Direito da Fadminas. “A legislação é clara ao afirmar que crianças e adolescentes têm direito à dignidade, ao respeito e à inviolabilidade de sua integridade física e psicológica. Isso vale também para o ambiente online, que não pode ser visto como um espaço sem regras. Cabe aos pais, às escolas e à sociedade compreender que a internet, embora seja uma ferramenta poderosa para o aprendizado e a socialização, também exige limites, responsabilidade e acompanhamento constante”, destacou.
Como denunciar
Para denunciar casos de violência digital, é possível acessar a Delegacia Virtual, selecionar o estado e a natureza do fato e preencher o formulário. Outra opção é procurar a Delegacia de Crimes Cibernéticos mais próxima. Em situações específicas, as denúncias podem ser feitas pelo 180, no caso de violência contra a mulher. Pelo 190, em situações de emergência. E pelo 100, em casos de violações de direitos humano.
Veja como foi a ação de conscientização: