Desbravadores arrecadam 3 toneladas de alimentos e 500 kits de higiene para famílias em situação de vulnerabilidade
Ação solidária do Campori Gaúcho “Herdeiros” mobiliza 208 Clubes e beneficia instituições que atuam diretamente com crianças e famílias carentes

O espírito de solidariedade e amor ao próximo já é uma marca registrada do Campori Gaúcho “Herdeiros”. A disposição de servir levou 208 Clubes de Desbravadores a arrecadar 3 mil quilos de alimentos e 500 kits de higiene pessoal, que beneficiarão cinco Organizações Não Governamentais (ONGs) de Gravataí — instituições reconhecidas pela atuação em comunidades em situação de vulnerabilidade — além da Ação Solidária Adventista (ASA), alcançando centenas de famílias.
A entrega das doações ocorreu no Parque de Eventos de Gravataí, onde líderes da Igreja Adventista e representantes das organizações beneficiadas se reuniram para receber os alimentos. Para muitos presentes, aquele momento não foi apenas um ato social, mas uma demonstração concreta do compromisso dos Desbravadores com o serviço ao próximo. “Nós enxergamos essa ação como uma corrente do bem, pois uma instituição sem apoio, sem pessoas que acreditam em seus projetos, não se sustenta. Através desse apoio podemos ajudar muitas crianças”, destacou Fernanda Tuany, diretora da ONG Iluminar.
O pastor Dalmo Dion, líder de Desbravadores para o litoral norte e região sul do Rio Grande do Sul, revelou que muitos Clubes foram além do solicitado na campanha de arrecadação. O engajamento dos adolescentes chamou a atenção da liderança. “Quando mostramos para eles as fotos de crianças recebendo as doações, fruto do trabalho deles, é possível perceber em seus olhos o senso de missão cumprida e a certeza de que fazem parte ativa na pregação do evangelho”, ponderou.
Leia também:
- Desbravadores se unem à ADRA e transformam o Campori em um movimento contra a fome
- Campori “Herdeiros” celebra meio século de história dos Desbravadores no Brasil
Já o pastor Tiago Fraga, presidente da Igreja Adventista no sul do RS e no litoral norte, afirmou que as novas gerações compreendem o evangelho de forma prática e que envolvê-las em ações comunitárias é um desafio positivo. “O impacto para a sociedade, e especialmente para nossos adolescentes, é imenso. Eles encontram coerência entre fé e experiência religiosa. Queremos que tenham esse tipo de vivência para enxergarem a volta de Jesus de forma prática, e não teórica”, enfatizou.

Prazer em servir
A ação de solidariedade promovida pelo Campori Herdeiros beneficiou as seguintes instituições: Associação de Moradores do Parque dos Eucaliptos, Associação Benevolente em Prol da Criança (ABC), Associação dos Moradores do Pôr do Sol, ONG Iluminar e Clube de Mães Maria Augusta.
A Iluminar iniciou suas atividades voluntárias em 2016, mas ampliou significativamente seu trabalho durante as enchentes de 2024, quando foi necessária uma atuação emergencial. Atualmente, a instituição assiste cerca de 230 crianças em situação de vulnerabilidade com suporte psicopedagógico, alimentação, higiene pessoal, acompanhamento humanizado às famílias e encaminhamento de crianças neurodivergentes para atendimento especializado.
Durante o recebimento das cestas básicas arrecadadas, a diretora da ONG reforçou a essência do trabalho. “A Iluminar entende que, para que uma criança tenha um desenvolvimento saudável, ela precisa estar bem nutrida e amparada por uma família estruturada. Por isso, buscamos atender toda a família, inclusive encaminhando os pais ao mercado de trabalho, garantindo assim melhor qualidade de vida”, explicou Fernanda Tuany.
O Clube de Mães Maria Augusta atende famílias de 10 bairros de Gravataí. Segundo a instituição, o trabalho é pautado nas necessidades da comunidade e nas possibilidades de atendimento. Entre os itens mais procurados estão alimentos, roupas, medicamentos, camas e cadeiras de rodas. “Nosso projeto existe há 15 anos e já beneficiou milhares de pessoas. Atendemos cerca de 300 famílias por mês. Nosso coração está aberto para acolher quem necessita”, afirmou Marli Santos, diretora do Clube.
Assim como os Desbravadores gaúchos receberam dos pioneiros um legado de fé e missão, Marli herdou de sua mãe — já falecida — o amor pelo serviço social. Ela conta que transformou o exemplo materno em estilo de vida. “Minha mãe dizia que quem não vive para servir não serve para viver. Criamos o Clube de Mães Maria Augusta em homenagem a ela. Curiosamente, só descobrimos sua atuação social no dia de sua morte. Foi a pedido da comunidade que decidimos dar continuidade ao trabalho”, relatou.
