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Campori “Herdeiros” celebra meio século de história dos Desbravadores no Brasil

Megaevento reforça o legado, a missão e o compromisso espiritual dos Desbravadores no Rio Grande do Sul


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7 mil Desbravadores estarão reunidos no Campori Gaúcho Herdeiros, que celebrará 50 anos do primeiro Campori realizado no Brasil. (Foto: Mídia USB)

Entre os dias 20 e 23 de novembro, o Parque de Eventos de Gravataí (RS) será palco do Campori Herdeiros. O mega acampamento, que reunirá mais de 7 mil pessoas, celebra os 50 anos do primeiro Campori realizado em solo brasileiro, ocorrido em 1975 no Catre Campestre, em Santo Antônio da Patrulha (RS). A comemoração contará com a presença do pastor norte-americano Jason McCracken, organizador do Campori de 1975, que será um dos oradores do evento.

Ao todo, 208 clubes de Desbravadores do Rio Grande do Sul participarão de dez frentes de atividades simultâneas, voltadas ao desenvolvimento de leitura, comunicação, culinária, música, civismo e técnicas avançadas de acampamento. Concursos de oratória, fanfarras, ordem unida e provas sobre livros previamente estudados estão entre as atividades programadas. As provas de campo incluirão, por exemplo, percurso na lama com obstáculos, travessias com cordas e montagem e uso de catapultas.

Para garantir conforto e segurança aos participantes, o evento contará com um reservatório de quase 500 mil litros de água, bebedouros distribuídos pelo parque, 200 chuveiros com água quente e 200 banheiros químicos. O plano de saúde e segurança inclui cinco ambulâncias, um posto médico com três médicos plantonistas e apoio da prefeitura por meio de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).

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Douglas Pino, líder de Desbravadores para a região norte do RS e um dos responsáveis pela organização, explica que o acampamento funcionará como uma verdadeira cidade, com praças, lojas e áreas de lazer ao ar livre que farão parte da experiência do Campori Herdeiros. “Nosso foco é recebê-los bem e enviá-los para casa em segurança, mas, acima de tudo, transformados pelo encontro que terão com Jesus”, afirmou Pino.

O pastor Douglas destacou ainda que a estrutura do Campori está na fase final de construção, com inspeções preventivas contra incêndios e outros ajustes necessários. A expectativa é que os clubes iniciem a montagem de seus acampamentos a partir de terça-feira, 18 de novembro, dois dias antes da abertura oficial da celebração.

Imagem aérea mostra o local onde está sendo montada a estrutura que vai receber mais de 7 mil pessoas para o Campori Gaúcho Herdeiros. (Foto: Silas Hunter)

Herdeiros da missão

A edição comemorativa do Campori abordará o tema Herdeiros. Segundo a organização, a proposta é mostrar que cada Desbravador é herdeiro da missão confiada por Jesus. “Eles são herdeiros do legado iniciado em 1975 e que continuará amanhã com eles que hoje liderando o Clube. A herança é algo que recebemos, mas que temos a responsabilidade de transmitir. Essa é a lógica por trás do tema”, explicou o pastor Douglas Pino.

Luana Veiga Flores, desbravadora do Clube Pioneiros da Vila Nova, em Porto Alegre, diz estar ansiosa para participar do evento e deseja ser instrumento para alcançar outras pessoas. “Este é meu segundo Campori e me sinto muito feliz por participar. Quero ser uma desbravadora que leve a mensagem de Deus a outras pessoas, permitindo que vivam as mesmas experiências que tenho vivido através do Clube”, afirmou.

Grupo de Desbravadores e líderes que participaram do 1º Campori realizado em Santo Antônio da Patrulha. (Foto: Revista Adventista)

Meio século de história

Não há consenso sobre a data exata do início dos Desbravadores no Rio Grande do Sul, mas registros e relatos de pioneiros apontam o mês de março de 1963 como marco das primeiras atividades. Os irmãos Tenente Telles e Pedro Matto, da Igreja Adventista do Bairro Camaquã, em Porto Alegre, são reconhecidos como fundadores do Clube Minuano, o primeiro do Estado.

Na época, o Ministério dos Desbravadores ainda não existia formalmente; as atividades ficavam sob responsabilidade do Departamento de Missionários Voluntários (MV), dedicado à promoção de ações espirituais e missionárias entre os jovens. Em 1975, o pastor José Maria Barbosa Silva foi nomeado diretor do MV da então Associação Sul-Riograndense, hoje Associação Sul do Rio Grande do Sul.

Para auxiliá-lo, chegou ao Brasil o jovem missionário norte-americano Jason McCracken, estudante de teologia, que passou a apoiar especialmente as atividades relacionadas aos Desbravadores. Juntos, eles coordenavam 450 desbravadores distribuídos em 14 clubes. Ali se estabeleceram as bases do ministério que hoje reúne mais de 243 mil adolescentes e jovens em oito países da América do Sul.

Imagem mostra diversas barracas na área de acampamento do Campori de 1975 no Catre Campestre. (Foto: Revista Adventista)

Segundo o pastor Dalmo Dion, líder de Desbravadores para o sul do Estado, houve outros acampamentos antes de 1975, como o de Santa Catarina, organizado pelo pastor Henry Raymond Feyerabend, e o de São Paulo, organizado pelo pastor José Silvestre. “Mas foi somente em 1975 que esses eventos passaram a receber oficialmente o nome ‘Camporee’, termo tradicional no movimento mundial dos Desbravadores”, explicou.

Naquele ano, a Revista Adventista publicou uma matéria intitulada “1º Camporee no Brasil”, destacando o evento realizado entre 14 e 16 de novembro no Campestre Novo, atual Santo Antônio da Patrulha (RS). “Alguns clubes viajaram mais de 700 quilômetros para chegar ao local, como o Clube Três Fronteiras, de Uruguaiana. Outros percorreram apenas 40 quilômetros, como o Clube Everest, do IACS”, registrou a publicação.

Cinquenta anos após o início da era dos Camporis no Brasil, o pastor Jason McCracken, hoje com 71 anos, retornará ao Rio Grande do Sul para falar ao público do Campori Herdeiros. “Foi um privilégio organizar, ao lado do pastor José Maria, o primeiro Campori no Brasil. E será um privilégio ainda maior estar com os novos Desbravadores 50 anos depois. Sinto-me honrado com o convite. O público pode esperar belas histórias contadas por mim em português”, declarou.

Imagem mostra participantes do 1º Campori reunidos na Capela da Rocha no Catre Campestre. O local permanece conservado mesmo 50 anos depois. (Foto: Revista Adventista)