Notícias Adventistas

Leonardo Godinho Nunes

Leonardo Godinho Nunes

Conexão Profética II

Profecias, no seu contexto, explicadas para quem quer entender o tempo em que vive.

O personagem principal do livro de Apocalipse

Jesus é retratado de diferentes maneiras no livro do Apocalipse. Sempre na condição de glorificado, vencedor e intercedendo no santuário celestial. Foto: Shutterstock

Ao longo da história cristã, o Apocalipse tem despertado interesse, curiosidade, dúvidas e até medo diante de diversas figuras misteriosas apresentadas. É o dragão, a besta com sete cabeça e dez chifres, os quatro cavaleiros e a meretriz com um cálice de vinho. Dentre outras figuras apresentadas neste livro, há uma que tem maior incidência e importância. É o personagem principal no contexto da vitória final sobre o poder do dragão e seus aliados.

Leia também:

O revelador e o revelado

Em sua introdução ao livro, o apóstolo João declara o seguinte: “Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus servos as coisas que em breve devem acontecer e que ele, enviando por intermédio do seu anjo, notificou ao seu servo João” (Apocalipse 1:1). Neste texto, João comenta algo fundamental para a compreensão deste material. O que ele escreve é a ‘revelação de Jesus Cristo”. Estaria João falando que, de Jesus provém a revelação recebida, ou que Jesus seria o tema revelado nesta carta? Os dois. Para João, Jesus é o revelador (Apocalipse 22:6) e o revelado (Apocalipse 1:4-6).

Jesus é o personagem central do Apocalipse. O livro começa com Ele (Apocalipse 1:5-8) e termina com Ele (Apocalipse 22:12-16). Há 291 referências em todo o livro sobre a pessoa de Jesus. E 162 delas ocorrem nos três primeiros capítulos. Além disso, Jesus recebe cerca de 41 títulos diferentes que apontam para verdades especiais acerca de sua pessoa e obra em favor dos pecadores.

Neste contexto, Apocalipse 1:5 é um exemplo interessante sobre três títulos de Jesus que merecem destaque. João saúda as sete igrejas da Ásia com a graça e a paz daquele é “a Fiel Testemunha, o Primogênito dos mortos e o Soberano dos reis da terra”. No primeiro título, a expressão testemunha (μάρτυς), pode ser traduzida como mártir. E, no Apocalipse, este vocábulo sempre é usado em um contexto de ênfase na morte (Apocalipse 1:5; 2:13; 3:14; 11:3; 17:6).

Primogênito e soberano

Quanto ao título Primogênito dos mortos, é importante lembrar que o termo “primogênito” pode ser entendido não somente como o “primeiro filho”, mas também como aquele que tem primazia ou posição elevada (Êxodo 4:22; Jeremias 31:9; Salmo 89:27). Temos aqui uma expressão que pode se referir a um título messiânico (Salmo 89:27), encontrado novamente em Colossenses 1:18. O significado enfatiza a ressurreição de Jesus (1 Coríntios 15:23). Por fim, a expressão Soberano dos reis da terra aponta para a exaltação de Cristo sobre todos os reinos. Isto acontece quando Jesus é exaltado à destra de Deus (Atos 2:33; 1 Pedro 3:22) e inicia seu ministério como sacerdote no santuário celestial (Hebreus 8:1,2; 10:12; 12:2). Assim, o termo Soberano dos reis da terra tem sua ênfase no ministério celestial de Cristo.

Deste modo, a mensagem do Apocalipse é uma continuação do relato dos evangelhos. Ele comenta sobre a morte, ressurreição e continua onde os evangelhos terminam, na ascensão de Jesus aos céus[1] (Atos 1:14). Em seu livro, João avança e descreve o que acontece no céu, isto é, o ministério de Jesus no santuário celestial.

Santuário na estrutura

A figura do santuário e seus rituais têm um papel organizador na estrutura do último livro da Bíblia[2]. Com exceção do prólogo e epílogo, a estrutura literária do Apocalipse pode ser dividida em sete cenas introdutórias relacionadas ao santuário[3].

Cada cena introduz um conjunto particular de visões descritas por João. Na primeira cena, Jesus é apresentado em vestes sacerdotais caminhando entre sete candeeiros de ouro (Apocalipse 1:9-20). Na segunda cena, vemos a entronização dele e a abertura dos selos (Apocalipse 4-5). Na terceira cena, o foco está no ministério intercessor de Jesus (Apocalipse 8:2-5).

Na quarta cena, a arca da aliança traz a mente do leitor a figura de Jesus como sumo sacerdote que inicia o juízo investigativo no lugar santíssimo do santuário celestial (Apocalipse 11:19). Na quinta cena, Ele conclui o juízo investigativo e em seguida temos a saída dos anjos com as taças que contém a ira de Deus (Apocalipse 15:5-8). Na sexta cena, uma multidão celebra a vitória divina e temos o anúncio das bodas do Cordeiro (Apocalipse 19:1-10). Finalmente, na sétima cena a Nova Jerusalém desce do céu e Jesus habita no meio de seu povo fazendo nova todas as coisas (Apocalipse 21:2-8).

No Antigo Testamento a presença divina no santuário era garantia de redenção. Assim, o Apocalipse é estruturado com base no santuário para enfatizar a presença de Jesus como uma garantia da vitória no clímax do grande conflito. E é pela presença de Jesus que o povo de Deus vencerá o Dragão e seus aliados nos últimos dias da história desta terra [4].

O Apocalipse não revela somente eventos que parecem horríveis como a guerra do Armagedom, fome, pragas, perseguição e morte. Os símbolos não devem distrair o leitor do que é essencial, “seja qual for o aspecto do assunto apresentado, elevai a Jesus como o centro de toda a esperança[5]”. Jesus tem sido o centro de toda a sua esperança?

Artigo escrito por Natan Lima em coautoria com o titular da coluna.


Referências:

[1] STEFANOVIC, Ranko. Revelation of Jesus Christ: commentary on the book of revelation. Berrien Springs, MI: Andrews University Pess, 2002. p. 66

[2] PAULIEN, Jon K. The deep things of God. Hagerstown: Review and Herald, 2004. p. 124

[3] SYMPOSIUM on Revelation: introductory and exegetical studies: book 1. Edição de Frank B. Holbrook. Hagerstown: Review and Herald, c1992. v. 6. p. 112-115, 187-188.

[4] DORNELES, Vanderlei. Pelo sangue do cordeiro: a vitória do remanescente na batalha final. Tatuí – SP: Casa Publicadora Brasileira, 2015. p. 38

[5] WHITE, Ellen G. Testemunhos para ministros e obreiros evangélicos. Tradução de Renato Bivar. 4.ed. Tatuí – SP: Casa Publicadora Brasileira, 2010. p. 118

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox