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Leonardo Godinho Nunes

Leonardo Godinho Nunes

Conexão Profética II

Profecias, no seu contexto, explicadas para quem quer entender o tempo em que vive.

Besta escarlate, 666, Chifre Pequeno: como entender profecias?

Como entender o que significa o enigmático número 666, citado no capítulo 13 de Apocalipse. Foto: Shutterstock

Quando se fala em profecia apocalíptica, o que vem à mente da maioria das pessoas é a curiosidade de se saber quem é o anticristo, o oitavo rei, a ponta e o chifre pequeno de Daniel, a representação do número 666.

As pessoas parecem fascinadas pelos simbolismos exóticos que realmente chamam a atenção. Para interpretarmos corretamente os mistérios da profecia apocalíptica, porém, é necessário usarmos um método de interpretação adequado. De outra forma, podemos fazer com que a profecia diga algo que a própria profecia não queria dizer.

Como muitos já sabem, quatro são os principais métodos de interpretação da profecia apocalíptica: preterismo, futurismo, idealismo, historicismo. As próprias palavras indicam que o preterismo interpreta as profecias apocalípticas como acontecendo no passado, no tempo em que o profeta escreveu. Já o futurismo põe uma parte do cumprimento profético como acontecendo em um período curto de tempo, em um futuro além dos nossos dias. E o idealismo (também conhecido como abordagem espiritual, alegórica ou não-literal) busca entender a mensagem da profecia, por trás dos símbolos, de maneira existencial e subjetiva, sem dar valor ao cumprimento histórico e literal da profecia.

Por último, o historicismo vê as profecias se cumprindo ao longo de um período histórico, principalmente desde a época do escritor do livro (Daniel e Apocalipse) até o fim da história como conhecemos, e a restauração de todas as coisas, de acordo com o ideal do Éden.

Método de interpretação de Jesus

Com tanta divergência, a primeira pergunta que surge é: qual desses métodos é o melhor, ou correto? Tudo depende do padrão de comparação. Nesse caso (como em muitos outros), Cristo pode ser a solução! Em Seu discurso sobre o Reino de Deus (Mateus 24–25), Cristo apresenta uma interpretação da profecia de Daniel que é muito reveladora. Em Mateus 24:15–16, Ele diz: “Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes.”

Neste texto, Jesus faz uma referência direta à “abominação desoladora” da profecia de Daniel, um convite para entender essa profecia, e a conecta com o “lugar santo” e a fuga da Judéia. O relato paralelo de Marcos oferece uma afirmação semelhante e contém o mesmo convite para entender Daniel: “Quando, pois, virdes o abominável da desolação situado onde não deve estar (quem lê entenda), então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes” (Marcos 13:14). Talvez tudo isso pareça um pouco confuso. Mas o discurso do Reino de Deus vindouro, como descrito por Lucas, ajuda a esclarecer a situação e fornece mais uma peça de informação. O texto diz: “Quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes” (Lucas 21:20–21).

Quando comparamos as passagens bíblicas, podemos perceber que a frase “os que estiverem na Judéia, fujam para os montes” permanece inalterada nos três evangelhos. Isso demonstra que os trechos falam da mesma situação histórica. Já a sentença “quando, porém, virdes Jerusalém sitiada de exércitos” ajuda a explicar o significado da expressão “abominação desoladora” e da presença dela no “lugar santo.”

Ou seja, para Cristo a “abominação desoladora” de Daniel é uma referência aos exércitos que sitiaram Jerusalém, destruíram o “lugar santo,” mais propriamente o templo de Jerusalém, que é o assunto inicial do discurso (conforme Mateus 24:1–3), e fizeram com que o povo fugisse da Judéia. Esse fato, bem conhecido e documentado na história, aconteceu quando o exército de Roma sitiou Jerusalém no ano 70 d.C., liderado pelo general Tito, destruiu o templo (lugar santo), e obrigou os judeus a se dispersarem de sua terra. Desse modo, é possível afirmar que, para Jesus, a “abominação desoladora” da profecia de Daniel se refere à Roma.

Em três lugares, a expressão “abominação desoladora” aparece em Daniel (Daniel 9:27; 11:31; 12:11) e, nesses três lugares, seguindo a Cristo, a interpretação da profecia precisa estar de alguma forma conectada a Roma. É muito importante notar que, em Daniel 9:27, a abominação desoladora está relacionada com a última semana da profecia das 70 semanas. O método preterista entende que a abominação desoladora nesse texto se refere a Antíoco IV Epifânio (rei da dinastia Selêucida [Grega] que governou a Síria entre 175 a.C. e 164 a.C.), um rei que tentou helenizar a Judéia por meio da força. E que profanou terrivelmente o templo instalando ali uma estátua de Zeus e sacrificando porcos no recinto sagrado. Esse fato histórico aconteceu por volta de 200 anos antes do que o afirmado por Jesus. O método futurista entende que essa última semana da profecia de Daniel acontecerá no fim dos tempos, pelo menos 2 mil anos depois do que Cristo disse. E o idealismo não vê o cumprimento da profecia na história, contrário à atitude de Jesus de conectar a profecia a um fato histórico.

De acordo com os evangelhos sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas), o entendimento de Jesus de que a “abominação desoladora” está relacionada a Roma, e que tem na história seu cumprimento, preenche uma aparente lacuna do livro de Daniel. Dos quatro principais reinos mencionados no livro, três são indicados diretamente: Babilônia (Daniel 2:36), Medo-Pérsia (Daniel 8:20), e Grécia (Daniel 8:21). Mas o quarto animal (terrível e espantoso), de Daniel 7, que está em paralelo com os reinos de Daniel 2 e os animais de Daniel 8, não é identificado. É dito, porém, que esse animal “devorava a toda a terra” e tinha um chifre que “falava com insolência.” Essas características são resumidas posteriormente por Daniel com a expressão “abominação desoladora” (Daniel 9:27; 11:31; 12:11). Como Jesus identifica a “abominação desoladora” com Roma, esse quarto animal precisa simbolizar Roma. Encontramos, portanto, uma sequência histórica apresentada no livro de Daniel (2, 7–8) que vai de Babilônia a Roma.

Normalmente os historicistas compreendem que, como os três primeiros reinos são mencionados explicitamente em Daniel, o quarto animal só poderia representar Roma porque essa é a sequência histórica natural. As palavras de Jesus nos evangelhos sinóticos confirmam essa interpretação. Parece que Jesus era historicista. É muito bom seguir a Jesus, na vida prática, nos ensinos e no modo de interpretar as profecias apocalípticas.

Quando estudarmos sobre o oitavo rei, a ponta e o chifre pequeno de Daniel, o número 666, os 144 mil, o rei do norte, e outros assuntos, iremos seguir o método historicista, porque nós queremos seguimos a Jesus. E você, quer seguir a Jesus também?

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