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Coluna | Felipe Lemos

Como tornar nosso conteúdo encontrável pela inteligência artificial

A relevância nas respostas dos sistemas de IA é um novo desafio na comunicação cristã. Ser “encontrável” virou questão de missão


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As buscas sobre as próprias igrejas e seus ensinamentos estão sofrendo mudanças significativas por conta do comportamento das pessoas nos meios digitais. Organizações precisam aprender com novidades. (Foto: Gemini)

Faça um teste simples. Peça ao ChatGPT, ao Google Gemini, ao Claude ou a qualquer modelo de Inteligência Artificial uma recomendação sobre saúde, educação ou espiritualidade. É bem provável que você receba uma resposta segura, bem escrita e talvez sem nenhuma menção à sua organização. Isso não é coincidência. É o efeito de uma mudança silenciosa que transforma, de forma definitiva, a maneira como as instituições são (ou não são) encontradas.

Essa mudança tem um nome novo, mas o conceito já é conhecido: GEO, sigla em inglês para Generative Engine Optimization. Em português, algo como otimização para motores de busca generativos. Em palavras simples, é o conjunto de práticas que faz uma marca, uma igreja ou um mesmo um portal ou blog religioso ser citado pelas inteligências artificiais quando alguém faz uma pergunta.

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Para entender por que isso importa, vale lembrar como tudo funcionava até pouco tempo atrás. Os buscadores tradicionais mostravam uma lista de links e deixavam você escolher onde clicar. As inteligências artificiais fazem algo bem diferente: elas leem, resumem e entregam uma resposta já pronta. E, ao montar essa resposta, decidem quais fontes citar e quais ignorar com base em alguns critérios como: autoridade, relevância e confiança. Segundo Aggarwal et al (2024), a tecnologia emergente hoje “pode gerar respostas precisas e personalizadas, substituindo rapidamente os motores de busca tradicionais, como o Google e o Bing”. A Inteligência Artificial não pergunta de quem você gosta. Ela define, sozinha, quem merece ser ouvido.

Isso vale também para os temas da fé. Quando alguém digita “qual é a posição dos adventistas sobre saúde mental?” ou “o que a Igreja Adventista do Sétimo Dia faz na educação?”, a IA responde com base no que encontra na internet. E no quanto esse conteúdo é consistente, atual e citado por outras fontes confiáveis. Se os portais, sites e blogs adventistas não estiverem preparados para esse novo ambiente, a resposta virá de outro lugar. Ou, pior ainda: nenhuma resposta adventista aparecerá.

GEO não é assunto só para a equipe de tecnologia. É uma questão estratégica de missão: se a nossa mensagem não é encontrada, ela não é ouvida. E precisa ser ouvida para, por ação do Espírito Santo, transformar vidas.

O que a IA “enxerga” quando olha para a nossa organização?  

É importante saber que nós, seres humanos - especialmente cristãos -  temos muito o que fazer neste processo. E aqui vem uma parte interessante. Os critérios que as inteligências artificiais usam para escolher uma fonte de informação se parecem muito com algo que estudamos na comunicação organizacional: a reputação.

Para ser citado por uma IA, o seu conteúdo precisa demonstrar quatro coisas:

  • Autoridade no assunto: você fala sobre o tema com consistência ao longo do tempo, ou só de vez em quando?
  • Confiabilidade: as suas informações são verdadeiras, precisas e fáceis de verificar?
  • Relevância: o que você publica responde às perguntas que as pessoas realmente fazem?
  • Presença em rede: outras fontes confiáveis mencionam e citam o seu trabalho?

Não basta ser visível no mundo físico, mas é preciso marcar boa presença no ambiente digital. Os valores, os princípios, a história, a nossa identidade como igreja precisam ser encontrados nas respostas buscadas em modelos de IA. É o que alguns já chamam de GBO (Global Brand Optimization), ou, em termos simples, como melhorar sua marca nas buscas digitais atualmente. “Em essência, trata-se de assegurar que os sistemas de IA encontrem a história da empresa de forma fidedigna e consistente”, ensina o especialista Bruno Rodrigues.

Uma organização que publica de forma esporádica, que não mantém uma linguagem consistente, que ninguém de fora dos seus sites ou páginas cita e que não responde às dúvidas do seu público simplesmente vai deixando de existir para a IA. Ela pode ter décadas de história, milhares de membros e uma missão nobre. Mas, se a sua presença digital não comunica autoridade, por isso poderá ser ignorada.

Credibilidade não se declara, mas se demonstra. E autoridade digital não é vaidade institucional, mas pré-requisito para que a nossa mensagem chegue às pessoas certas, no momento exato em que elas procuram respostas.

O que a Bíblia tem a dizer sobre ser encontrado?  

O famoso sermão do Monte, proferido por Jesus Cristo, deveria ser olhado de uma forma estratégica por todos os comunicadores cristãos. “Nem se acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto, mas num lugar adequado onde ilumina bem todos os que estão na casa” (Mateus 5:15 | NAA). Jesus não estava ensinando a se esconder por humildade. Ele estava falando de posicionamento: a luz só tem valor quando está visível, acessível, no lugar certo.

No fundo, talvez a pergunta que a lógica do GEO nos faz é espiritual: estamos colocando a nossa luz em lugar adequado para iluminar a muitos? Ter um conteúdo excelente que ninguém encontra é a versão moderna de uma lâmpada apagada. E é justamente o que acontece quando uma organização com uma missão tão importante deixa de cuidar da sua presença nos lugares onde as pessoas buscam respostas hoje, inclusive nos sistemas de Inteligência Artificial.

Temos, então, algumas lições. Uma delas sobre integridade. A IA valoriza o que é considerado verdadeiro, consistente e verificável. É essencial pensar em transparência, além de ser um valor cristão, como um requisito técnico para existir nesse novo ambiente. E há, por fim, uma lição sobre persistência. Autoridade digital não se constrói em uma única campanha, projeto, programa ou evento. Ela nasce de anos de publicação constante, de fontes que se citam umas às outras, de uma narrativa coerente.

Curiosamente, é muito parecido com aquilo que a Bíblia chama de testemunho: uma vida que, com o tempo, comprova na prática aquilo que diz acreditar.

Por onde começar

  1. Faça um raio-X do seu conteúdo: ele responde às perguntas que as pessoas fazem às IAs sobre os assuntos que a sua organização domina?
  2. Aposte na constância: publicar de forma regular e temática vale mais, para o GEO, do que grandes campanhas isoladas.
  3. Construa referências externas: procure fazer com que veículos de comunicação importantes e parceiros citem os seus conteúdos, pois isso amplia a sua autoridade de rede.

Referências:

1.AGGARWAL, Pranjal; MURAHARI, Vishvak; RAJPUROHIT, Tanmay; KALYAN, Ashwin; NARASIMHAN, Karthik; DESHPANDE, Ameet. GEO: Generative Engine Optimization. In: ACM SIGKDD CONFERENCE ON KNOWLEDGE DISCOVERY AND DATA MINING, 30., 2024, Barcelona. Proceedings [...]. New York: ACM, 2024. p. 5-16. Disponível em: https://doi.org/10.1145/3637528.3671900. Acesso em: 17 jun. 2026.

2. RODRIGUES, Bruno. Reputação, confiança e competitividade na era da IA generativa. In: MENEZES, Dario; CAVALLIERI, Marcia (org.). Gestão da reputação e competitividade empresarial: a força da confiança que move marcas, mercados e estratégias. São Paulo: Matrix, 2026. p.168.

Felipe Lemos

Felipe Lemos

Comunicação estratégica

Ideias para uma melhor comunicação pessoal e organizacional.

Jornalista, especialista em marketing, comunicação corporativa e mestre na linha de Comunicação nas Organizações. Autor de crônicas e artigos diversos. Gerencia a Assessoria de Comunicação da sede sul-americana adventista, localizada em Brasília. @felipelemos29