Notícias Adventistas

Coluna | Cuca Lapalma

Como abordar assuntos difíceis em família

Para os adultos, é mais difícil criar momentos adequados para dialogar certos assuntos. Entenda porquê é preciso mudar isso


  • Share:

Leva tempo para chegar “àquele momento” no qual a conversa se torna realmente significativa. (Foto: Shutterstock)

À medida que as crianças crescem e como resultado da interação com outras pessoas e situações, surgem perguntas com respostas complexas ou difíceis. Difíceis devido à capacidade de compreensão de acordo com a idade da criança, ou difíceis porque envolvem questões sensíveis à moralidade e à ética.

Leia também:

Não é necessário assistir às notícias para entender como o mundo está estremecido, mostrando o mal como normal e promovendo antivalores. Nós e nossos filhos vivemos nesse mundo, e eles têm perguntas que devemos responder. Embora os pais tenham uma importante responsabilidade em promover momentos de reflexão, os momentos para conversar na igreja também são necessários.

Por que é importante abordar assuntos difíceis?

  1. Porque as crianças sentem curiosidade natural a respeito de determinados assuntos. Elas merecem a informação correta, e, se não lhes dermos isso, a curiosidade as levará a procurar respostas em outro lugar, com o risco de encontrar informações distorcidas, incompletas ou incorretas.
  2. Porque ao conversar, os adultos podem ouvir quais são as verdadeiras dúvidas das crianças e, assim, saber dar as respostas adequadas de acordo com a situação. Nem todo mundo precisa saber de tudo; às vezes, a quantidade de informação deve ser “dosada” dependendo da capacidade de compreensão da criança.
  3. Porque, mesmo que não perguntem, devemos criar um momento para confrontar nossos próprios ideais e valores. Na vida, cedo ou tarde, elas ou outras pessoas questionarão as crenças e valores aprendidos na infância. É necessário e importante para o desenvolvimento de seu caráter e identidade.
  4. Porque, ao falar sobre as preocupações e desafios, as crianças podem reconhecer que há interesse dos adultos em ouvi-las e entendê-las. Isso fortalece a relação entre as duas gerações.
  5. Porque precisamos educar as crianças para questionar. Pode parecer controverso, mas diante da realidade do mundo, elas precisam se posicionar do lado da verdade com informações corretas, e são os adultos que devem ajudá-las nessa fase de formação. Não queremos crianças “submissas” que sejam facilmente seduzidas pelas teorias e ideologias do mundo.

Que habilidades o adulto deve ter ao abordar assuntos difíceis?

Seja o pai, a mãe, a avó ou um líder da igreja que esteja em contato com as crianças, ao falar sobre um assunto difícil, são necessárias algumas habilidades para proporcionar um ambiente descontraído e agradável. Algumas delas são:

Cordialidade. Devem ser considerados o espaço físico, o clima emocional e o tempo disponível para a conversa. Às vezes, leva tempo para chegar “àquele momento” no qual a conversa se torna realmente significativa. Se ela deve ser concluída rapidamente para continuar com outra atividade, isso pode impedir o retorno tão necessário do adulto para direcionar a conversa aos pontos que devem ser abordados. Para muitos pais que passaram por isso, têm sido mais fácil conversar durante um passeio no parque, uma caminhada, uma saída para tomar um sorvete, do que se sentar frente a frente e dizer “precisamos conversar”. Forçar uma conversa “difícil” não ajuda muito a fortalecer o vínculo entre adulto e criança.

Confiança e amor. Você contaria suas preocupações para alguém em quem não confia? Dificilmente. Por isso, o adulto que direcionar esses momentos de conversa deve ter afinidade com a criança ou o grupo (se for na igreja) e uma verdadeira preocupação com eles. Lembremos que a criança deve falar sobre preocupações que muitas vezes são contrárias aos nossos princípios e crenças, temas delicados que os afetam profundamente. E por outro lado, o adulto não pode sair contando para todo mundo sobre o que conversaram. Ele deve recompensar a confiança da criança com sua confidencialidade (a menos que a integridade de alguém esteja em perigo).

Escuta ativa. Esse momento é antes de tudo para ouvir, deixar de lado todos os nossos preconceitos de adultos. Deixar a criança se expressar, abrindo seu coração com suas dúvidas e perguntas, é fundamental para saber qual é sua realidade e então, saber para onde devemos direcionar a conversa.

Seriedade e respeito. Seja antes ou depois de ouvir a crianças, como adultos devemos abordar os temas com a seriedade que merecem. Assuntos como sexualidade, abuso, bullying, aborto e outros devem ser trabalhados não somente com a informação correta, mas com uma atitude respeitosa, pois todos afetam as pessoas, pessoas que têm sentimentos, pessoas pelas quais Jesus morreu na cruz. Talvez o que a criança diga pode não te agradar, pode ser “errado” moral ou eticamente, mas isso não isenta o adulto de expressar respeito. Se você censurar friamente, vai fazer com que a criança se feche e não dê sua opinião ou comentário em uma próxima ocasião.

Humildade. Às vezes, precisamos reconhecer que não temos todas as respostas, e isso não nos torna pais ou líderes ruins. Quando surge uma preocupação para a qual você não tem informação suficiente ou base para justificar sua posição, é melhor dizer que não sabe e que vai encontrar uma resposta do que dizer algo que não corresponde.

Espiritualidade. Talvez seja o mais óbvio, mas devo lembrar. Aqueles que estão em contato com as crianças devem estar comprometidos com a salvação delas. Temos que querer imitar Jesus todos os dias, ser verdadeiros modelos de cristianismo. As crianças têm uma grande capacidade de detectar as incoerências entre o que dizemos que “deve ser feito” e o que realmente somos. Que nossa vida seja nossa maior pregação!

Devemos reconhecer que, às vezes, temos dificuldades para criar esses momentos de diálogo. Nossas inseguranças, medos e ignorância e as difíceis experiências de vida que se tornam presentes quando temos que tocar em certos assuntos são uma barreira que, às vezes, gostaríamos de evitar, pular. No entanto, existem algumas estratégias que podem nos ajudar a abordar questões difíceis com as crianças, e discutiremos isso com mais detalhes em um próximo artigo.

Cuca Lapalma

Cuca Lapalma

Construindo o futuro

Porque o futuro de nossa sociedade, das crianças de hoje, está em nossas mãos.

Bacharel em psicopedagogia, deixou seu trabalho no centro de apoio escolar para se dedicar a cuidar de seus filhos pequenos. Gerencia um site com recursos digitais para os professores da Escola Sabatina das crianças e um canal do YouTube destinado a fortalecer a vida espiritual familiar, chamado: Como a bússola ao polo.