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Cuca Lapalma

Cuca Lapalma

Construindo o futuro

Porque o futuro de nossa sociedade, das crianças de hoje, está em nossas mãos.

As crianças, o egoísmo e a mordomia cristã

Por meio do uso correto das bençãos materiais que Deus nos dá, aprendemos a deixar de lado nosso espírito egoísta. (Imagem: shutterstock)

Não é difícil pensar em uma definição de egoísmo. Parece que é um dos antivalores mais comuns em nossos dias que não faz distinção de idade, sexo ou raça. O egoísmo é “a atitude de quem manifesta um amor excessivo por si mesmo, e que lida somente com aquilo que é para seu próprio interesse e benefício, sem atender ou prestar atenção às necessidades dos demais”.1

Com as crianças, essa atitude é esperada. Nos primeiros anos de vida, o desenvolvimento cognitivo dos pequenos não é suficiente para permitir que elas “se coloquem no lugar do outro” e tenham consciência das intenções e sentimentos, tanto dos seus quanto dos outros.

Entre as idades de cinco e seis anos já existe uma capacidade maior de controlar os impulsos e a criança está mais consciente das normas morais; ou seja, “o que é certo e o que é errado”. Este parâmetro moral é ensinado pelos adultos mais próximos e pelas regras que a sociedade transmite (família, escola, igreja, meios de comunicação etc.). Para os pais cristãos, a lei de Deus e seus princípios são os melhores parâmetros para ensinar, pois não se restringem a uma opinião pessoal ou à cultura do momento.

Combatendo o egoísmo

Ao pensar em antídotos contra o egoísmo devemos considerar valores fundamentais a serem desenvolvidos para o crescimento saudável da criança, como gratidão, contentamento, generosidade, domínio próprio, entre outros. Dificilmente a criança desenvolve isso “por acaso”, ou por interesse próprio. Pelo contrário, é necessário pais e adultos que tenham em mente a importância de ensinar, não somente falando, mas também com o exemplo, o que significam esses valores.

Este aprendizado pode acontecer em qualquer momento da vida, contudo, a realidade mostra que, se aprendidos durante os primeiros anos de vida, serão consolidados e as bases para uma vida de fidelidade a Deus estarão lançadas. O que se traduz em plena realização.

Esses extremos de egoísmo e altruísmo representam os polos do grande conflito espiritual no qual estamos imersos: Satanás e Deus. Da mesma forma que Satanás procura incansavelmente que a pessoa se concentre em si mesma buscando satisfazer seus desejos próprios e necessidades sem pensar no “outro”, Deus deu o seu próprio filho para ocupar nosso lugar na cruz (João 3:16). Há maior exemplo de altruísmo do que esse?

O plano de Deus: a mordomia cristã

A morte de Jesus nos garante a salvação e esse é o maior presente que Deus coloca à nossa disposição. Ainda assim, também coloca em nossas mãos outros presentes e nos transforma em mordomos para gerenciar esses presentes.

Um dos pilares da mordomia cristã é a administração dos recursos materiais. Este é o mais conhecido, mas não é o único. Por meio do uso correto das bênçãos materiais que Deus nos dá, aprendemos a deixar de lado nosso espírito egoísta, colocando Deus em primeiro lugar.

Mas como incluímos os filhos neste plano divino? Essa é uma responsabilidade dos adultos? Ellen White, no livro O Lar Adventista, diz o seguinte: “Ensinar as crianças a darem dízimo e ofertas. O Senhor não somente requer o dízimo como Seu, mas diz-nos como deve ele ser reservado para Si” (página 389).3  O plano de Deus em relação ao dízimo também inclui os filhos, e como pais, devemos incentivar essa prática para que eles também recebam as bênçãos de Deus.

O problema é que às vezes, como adultos, não entendemos claramente acerca dos dízimos e ofertas, assim fica difícil colocar em prática estratégias para experimentar a mordomia cristã. Que tal repassar este pilar?

O que é o dízimo?

É 10% da renda ou receita que cada cristão devolve ao Senhor de acordo com a ordem bíblica “Trazei todos os dízimos à casa do tesouro…” Malaquias 3:10.

Para que é usado o dízimo?

O dízimo é administrado, distribuído e usado na realização da grande comissão, objetivo e razão de ser da Igreja: “A pregação do Evangelho e a conclusão da obra do Senhor nesta terra”.  Em outras palavras, o dízimo deve ser usado somente para a obra do ministério de evangelismo, ensino da Bíblia, atividade missionária, materiais de evangelismo e despesas administrativas da organização religiosa.2

Qual é o principal propósito do dízimo?

Primeiramente, adorar a Deus. Isso combate o egoísmo, pois as prioridades são reorganizadas. O dízimo é a prova de nossa lealdade e nos faz lembrar de nossa total entrega ao senhorio de Cristo. Isso deve ficar claro quando ensinamos os filhos a separar o dízimo.

O que são as ofertas?

As ofertas expressam um ato de adoração e gratidão em reconhecimento às bênçãos já recebidas. É um ato de liberalidade oferecido no altar do Senhor. Constituem a segunda fonte de recursos à disposição da Igreja e, também, estão destinadas à pregação do Evangelho, mas para cobrir despesas ou financiamento de projetos que não são mantidos com o dízimo.

Como deve ser a oferta?

– Individual e voluntária

– Regular e planejada

– Proporcional

– Como um ato de adoração e gratidão

Ideias para ensinar mordomia às crianças

Use material preparado para trabalhar uma vez por mês durante o ano com temas relacionados à mordomia cristã infantil. Baixe o material gratuitamente em espanhol ou português.

Faça alguns exercícios para que as crianças entendam bem: use moedas ou outros elementos. De cada 10 separe uma e diga que essa pertence a Deus. As outras 9 devem ser administradas com cuidado. Dessas 9, separe a oferta. Escolha os bilhetes e moedas em melhores condições para ser entregues ao Senhor.

Ensine que tanto o dízimo como as ofertas não devem ser separados minutos antes dos diáconos recolherem as ofertas a cada sábado. Use um porta-moedas ou um cofre especial para que as crianças guardem o dinheiro destinado às ofertas e dízimos nos envelopes destinados para este propósito pela Igreja. Seja um exemplo e não se esqueça de ter o dinheiro preparado para devolver ao Senhor a cada sábado antes de ir à Igreja.

Reflita com seu filho sobre textos relacionados ao tema, por exemplo: “Deus ama quem dá com alegria”. Peça a ele que explique com suas próprias palavras ou que faça um desenho sobre o significado.

Conte histórias da família que mostrem o cumprimento da promessa de Deus “…fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós uma bênção tal, que dela vos advenha a maior abastança” (Malaquias 3:10). Escolha histórias que reflitam como as pessoas foram fiéis a Deus e foram recompensadas por sua fidelidade.

“O dízimo e as ofertas são uma demonstração sistemática de fé, amor e desenvolvimento do caráter. Ensine à criança que o importante não é quanto temos, mas o que fazemos com o que temos”.

“A devolução do dízimo a Deus não é o pagamento de uma obrigação, é o reconhecimento que tudo pertence a Ele.”


Referências:

1.“Egoísmo”. Em: Significados.com. Disponível em: https://www.significados.com/egoismo/

2.“54 preguntas sobre el diezmo y la ofrenda”. Disponível em: https://www.adventistas.org/es/mayordomiacristiana/54-preguntas-sobre-diezmos-y-ofrendas/

3.White, Ellen. “O Lar Adventista”, pág. 389.1. Disponível em https://m.egwwritings.org/pt/book/1955.2311#2311

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