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Coluna | Carlos Magalhães

Reavivando o evangelismo nas novas gerações

Compreender o que pensam e como enxergar o cristianismo é fundamental para chegar ao coração da Geração Z


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Para chegar a novos públicos é preciso entender como pensam e quais são sua preferências (Foto: Shutterstock)

Em 2021, o Instituto Barna pesquisou mais de 1.200 adolescentes, cristãos e não-cristãos, com idades entre 13 e 18 anos, para medir o envolvimento deles com o evangelismo.

Embora a pesquisa tenha focado no público norte-americano, existem semelhanças comportamentais entre os adolescentes em várias partes do mundo. Isso nos permite imaginar que em algumas regiões da América do Sul a realidade pode ser a mesma.

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O conteúdo a seguir é um resumo dos achados dessa pesquisa. Embora em alguns momentos os dados possam parecer desanimadores, também é possível interpretá-los de forma positiva, ou seja, como desafios e oportunidades para envolver as próximas gerações na missão da Igreja.

“Evangelismo” para a Geração Z

Para a geração Z (Gen Z), viver o evangelho e deixar as ações falarem é mais importante que usar palavras.

Embora concordem que o evangelho precisa ser pregado a todos, os adolescentes são geralmente contra desafiar ou confrontar as crenças de outras pessoas. Para eles, o evangelismo envolve relacionamento de longo prazo. Ou seja, o evangelho deve ser compartilhado com pessoas que você já conhece e têm relação de confiança.

Eles preferem que os não-cristãos comecem as conversas sobre religião. Estão mais abertos para aprender sobre as crenças dos outros do que ensinar a sua. Acreditam que a melhor estratégia é entender primeiro o ponto de vista do outro.

A maioria dos Gen Z não se sente tão animada em envolver-se em ações de evangelismo tradicional. Mas aqueles que se envolvem também se sentem mais firmados e confiantes na própria igreja.

No geral, a geração Z vem e vai nas conversas sobre a fé, sem atrito ou confronto, desejando mais ouvir e se conectar do que confrontar.

A Geração Z e o evangelismo digital

Ainda que façam parte da geração mais conectada digitalmente e usem as redes sociais de maneiras variadas, aparentemente não querem empregá-las para o evangelismo.  Apenas 3 em 10 (28%) dizem compartilhar algum conteúdo digital como forma de evangelismo. Por outro lado, a pesquisa da Barna também revelou que muitos adolescentes não-cristãos declararam evitar pessoas que postam sobre crenças pessoais.

O desafio de pregar aos Gen Z não-cristãos

Por que alguns adolescentes não-cristãos estão tão fechados ao cristianismo? Como os Gen Z cristãos podem estabelecer conversas significativas sobre a fé se seus amigos não estão interessados?

O Barna pediu a adolescentes não-cristãos para completar a frase: “Eu estaria mais interessado em aprender sobre o cristianismo e o que ele poderia significar para a minha vida se …”. As respostas mais frequentes foram: “…se os cristãos julgassem menos minhas crenças pessoais (42%) e estilo de vida (37%).”

No aspecto racional, um quarto dos Gen Z americanos não-cristãos acham difícil de acreditar no cristianismo e dizem que estariam mais abertos se houvessem mais evidências (25%) ou se eles próprios tivessem uma experiência espiritual arrebatadora (29%). Outros ainda afirmaram que se a igreja estivesse mais aberta às causas sociais ou se os cristãos fossem mais abertos aos de fora, então eles poderiam ter interesse em aprender mais sobre os cristãos.

De acordo com os Gen Z não-cristãos, o evangelismo ocorre quando os cristãos vivem sua fé (os Gen Z cristãos também pensam assim). Por outro lado, eles odeiam quando os cristãos apresentam uma série de trechos bíblicos como evidência para o cristianismo. Eles também não gostam quando alguém se oferece para orar por eles no meio da conversa.

No geral, parece que os Gen Z cristãos adolescentes não estão mais vivendo no que poderia ser chamado de “bolha cristã.” Eles estão cientes de como seus pares não-cristãos pensam e sentem sobre a evangelização e querem ter conversas sem risco para o benefício de suas amizades. Em vez de ir para a discussão armados com referências bíblicas, oração e apologética, os adolescentes cristãos estão mais bem posicionados para conversas receptivas quando eles levam com suas ações, a vulnerabilidade e questões reflexivas. Desta forma, eles podem abrir a porta para conversas significativas sobre como o evangelho se aplica à vida prática e cotidiano.

Apesar das perspectivas, a conversão de Gen Zs ainda é uma realidade. Metade dos adolescentes cristãos que não cresceram na fé dizem que se tornaram cristãos através de um membro da família, enquanto a outra diz que esta foi uma decisão que eles chegaram por conta própria ou que um amigo os ajudou a se tornarem um cristão.

O evangelista ideal para os Gen Z

Os Gen Z cristãos praticantes, assim como os não-cristãos, preferem evangelistas confiantes e que os escutem sem julgamento (66%), que demonstram sinceridade ao compartilhar sua própria perspectiva (62%), que sabem fazer perguntas (54%) e demonstram interesse nas histórias de outras pessoas (51%).

Os evangelistas também precisam demonstrar sinais de uma experiência de fé profunda, estar preocupados em ensinar os outros a como ter uma fé pessoal e vibrante (46%), ajudando outros a terem experiências espirituais (53%) e estando conscientes das próprias fragilidades (30%).

Em resumo, para conversar sobre religião com a geração Z é preciso saber ouvir sem julgamento, não forçar a conclusão e estar seguro em compartilhar a própria experiência.

Novas gerações, novas estratégias

Alguns Gen Zs parecem ser aversos ao evangelismo, o que causa preocupação sobre o futuro da Igreja. No entanto, podemos observar que nem todos são assim.

Dos entrevistados, 35% dos adolescentes cristãos dizem ter tido pelo menos uma conversa sobre a fé com um não-cristão no ano passado. Entre eles, 85% compartilham que se sentiram mais confiantes em sua própria fé, como resultado da interação. Dois terços (65%) dizem que ficaram mais ansiosos para ter uma conversa sobre sua fé novamente.

Ao se navegar pelas redes sociais, como Instagram, Youtube e Tiktok, se percebe um enorme movimento de adolescentes pregando o evangelho e levando muitos a Cristo. Eles têm implementado novas estratégias de evangelismo, bastante diferentes das gerações anteriores.

Os Gen Z podem tornar-se a geração mais adaptável e autêntica de evangelistas que a Igreja já viu. Mas, para isso, será necessário que as gerações anteriores os apoiem e os incentivem a usar novas abordagens e métodos não tradicionais, estratégias relacionais e novas tecnologias que os motive a se engajar ainda mais no compartilhamento da fé.


Referências

Reviving Evangelism in the Next Generation—United States

Actions, Invitations, Storytelling—How Gen Z Approaches Evangelism

Carlos Magalhães

Carlos Magalhães

Igreja Conectada

Como levar a mensagem de Cristo ao maior número possível de pessoas usando a tecnologia digital

Graduado em Publicidade e Propaganda, é mestre em Administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e por anos atuou no segmento de e-Health. Tem se dedicado ao desenvolvimento de estratégias de evangelismo na internet há mais de 10 anos, e atualmente é o gerente de Marketing Digital da sede sul-americana da Igreja Adventista.