Atividades missionárias e sociais mobilizam cidades da Associação Rio Fluminense durante o Desafio Superação
Projeto vai além do Outubro Rosa e fortalece o cuidado integral da mulher e o impacto comunitário ao longo do ano

Neste domingo, 5 de outubro, a edição 2025 do Desafio Superação reuniu milhares de pessoas em caminhadas, corridas e ciclismo por diversas cidades do estado do Rio de Janeiro. Realizado durante o Outubro Rosa, o movimento reforça a importância da qualidade de vida e promove solidariedade às mulheres que enfrentam o câncer, especialmente o de mama, o mais incidente entre a população feminina no Brasil.
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Em Campos dos Goytacazes, a Praça da Lapa se transformou em um grande centro de ações sociais e evangelismo. Todos os ministérios da Igreja Central de Campos se uniram para organizar um domingo missionário, onde cada departamento contribuiu com sua atividade específica.
“Os ministérios da igreja se uniram para organizar um domingo missionário. Cada departamento da igreja contribuiu com a sua atividade missionária”, explica Ana Paula Costa Pinto, advogada e uma das organizadoras do evento.
As atividades foram diversas e abrangentes: além da caminhada do Desafio Superação promovida pelo Ministério da Mulher, aconteceram o projeto Varal Solidário da ASA (Ação Solidária Adventista), distribuição de panfletos e revistas pelo Ministério Pessoal, apresentação da Banda dos Desbravadores, aferição de pressão e glicose pelo Ministério da Saúde, assistência jurídica, corte de cabelo, limpeza de pele e distribuição de maçãs e garrafinhas de água pela Escola Sabatina.
“A igreja contribuiu usando os seus dons e talentos na missão. Cada um com o que sabia fazer”, destaca Ana Paula.









Para Ana Paula, houveram momentos especialmente tocantes. “Foi emocionante ver a comunidade e alguns moradores de rua recebendo o carinho e atenção da igreja. Pessoas carentes recebendo roupas, cortando o cabelo, aferindo glicose e pressão, recebendo garrafinha de água, maçã e literatura. Recebendo atenção dos irmãos.”
Mas um momento em particular marcou seu coração: “O que me chamou à atenção foi uma criança carente recebendo os cuidados de beleza. A felicidade da criança em estar ali sendo tratada com carinho. A gente não imagina o que as crianças que vivem em comunidade passam, mas naquele momento elas se sentiram amadas.”
Niterói: evangelismo através do cuidado
Na orla de Icaraí, em Niterói, participantes de três igrejas adventistas — Central de Niterói, Icaraí e Central de Alcântara — se mobilizaram para promover atividades físicas e distribuir lanches gratuitamente. O momento simples revelou um potencial evangelístico inesperado.
“A gente foi pensando muito na gente, internamente, e o nosso lanche chamou muita atenção de outros eventos que estavam acontecendo ali”, conta Larissa São Fraga, psicóloga e diretora do Ministério da Mulher da Igreja Central de Niterói. “Teve uma senhora que estava passando por um ciclo de radioterapia, faltavam duas sessões, e nesse momento que ela conversou com a gente aqui na tenda, eu ofereci uma banana para motivar na caminhada. Teve também um menino com um cordão do autismo que pediu duas bananas. Eu falei: gente, a banana é evangelística.”
A experiência mostrou que unir forças amplia o alcance. “Quando a gente une forças, não sobrecarrega ninguém. Foi um dia bem gostoso, e já nos mobilizamos para no ano que vem fazer o lanche evangelístico para essa caminhada”, destaca Larissa.



Superação em movimento
Para Eládia Ravani, auxiliar administrativo de uma escola e vice-diretora de família e Ministério da Mulher na Igreja Central de Alcântara, participar do evento foi uma decisão de autocuidado e exemplo. “O que me motivou foi esse ar puro e fazer parte dessa equipe. Me superei”, afirma.
Ela destaca o impacto coletivo do movimento. “Ver várias pessoas juntas, várias igrejas juntas fazendo o mesmo projeto foi o que mais me impactou. Esse tipo de evento ajuda em primeiro lugar a nossa autoestima e o cuidado que temos que ter com o câncer de mama — não só mulheres, mas os homens também.”
Questionada sobre mudanças após o evento, Eládia é direta: “Com certeza vou mudar. Eu já estava com esse pensamento, porque senão como é que eu vou passar para outros? Então primeiro começa por mim. Com certeza, atividade física.”


Mobilização em todo o território
Além de Campos dos Goytacazes e Niterói, o Desafio Superação aconteceu simultaneamente em várias outras cidades. Em São Pedro da Aldeia, Casemiro de Abreu, São Gonçalo, Cabo Frio e em todo o território, as igrejas estiveram envolvidas em diferentes formatos da ação.
“O objetivo é ajudar mulheres a cuidarem do corpo, da mente e do espírito, superando limites pessoais”, explica a professora Maria Eduarda Custódio, diretora do Ministério da Mulher da Associação Rio Fluminense. “Ele se conecta à missão do Ministério da Mulher porque fortalece a fé, a autoestima e o propósito de vida.”
Para ela, o impacto nas comunidades da Associação Rio Fluminense tem sido transformador. “Tem inspirado mudanças reais: mulheres cuidando mais da saúde, fortalecendo a vida espiritual e criando redes de apoio que alcançam famílias e vizinhos. O impacto vai muito além da igreja.”
O Desafio Superação começa no Outubro Rosa, mas o trabalho continua durante todo o ano. “É sobre estilo de vida: prevenção, hábitos saudáveis, fé e apoio emocional contínuo”, destaca Maria Eduarda.
“A união entre igrejas, saúde e comunidade é essencial”, afirma Maria Eduarda. “A igreja oferece apoio espiritual, a saúde traz orientação técnica, e a comunidade amplia o alcance. Juntas, essas frentes mostram que superar é possível quando caminhamos lado a lado.”




Números que inspiram
Em 2024, o Desafio Superação reuniu mais de 35 mil participantes, beneficiando 12 instituições e cerca de 2.400 mulheres em tratamento oncológico. Desde sua criação, o projeto já mobilizou mais de 111 mil pessoas e beneficiou cerca de 6.400 mulheres em 62 instituições de saúde e apoio por todo o Brasil.
A relevância do movimento se torna ainda mais evidente diante dos dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que registra cerca de 73.610 novos casos de câncer de mama por ano no triênio 2023-2025.
“Os dados ressaltam a urgência de ampliar a conscientização, o apoio e o incentivo a hábitos de vida mais saudáveis”, afirma Ester Leal, coordenadora do projeto. “Por isso, o Desafio Superação não é apenas um evento, mas um movimento de fé, união e empatia. É a prova de que quando pessoas se unem em prol do bem, resultados extraordinários acontecem.”
Testemunhos que marcam
Maria Eduarda compartilha que cada edição traz exemplos inspiradores. “Histórias de mulheres que venceram doenças, depressão e até restauraram famílias. Cada edição traz exemplos de superação que inspiram toda a comunidade.”
Para Larissa, de Niterói, o sentimento é de gratidão. “Levo gratidão por viver a missão de uma forma bem simples. Não precisa muito, e quando a gente une forças, não sobrecarrega ninguém.”