Deus ainda fala por meio de um jubilado
Conhecer as promessas bíblicas mudou minha vida, por isso vivo todos os dias para anunciar esse amor a mais pessoas

Nasci em 12 de fevereiro de 1958, em Cruz Alta, Rio Grande do Sul. No ano de 1974, como resultado da transferência de trabalho de meu pai, nos mudamos para a cidade de Santa Rosa, no mesmo estado. Lá comecei a trabalhar em uma grande rede de varejo. Lá fui auxiliar de escritório, vendedor de móveis e eletrodomésticos, instrutor de vendas itinerante pelas lojas, chefe de vendas e gerente de loja.
Nossa família era religiosa, mas em 1978, através de meu irmão Vilton, tive acesso a folhetos bíblicos de outra denominação. Por causa deste texto: “Entregue o teu caminho ao Senhor, confia Nele e Ele tudo fará” (Salmo 37:5), abandonei alguns vícios. Então, li outros textos e aceitei a Jesus como meu Salvador, tornando-me membro daquela igreja. Lá conheci uma linda jovem chamada Néli Zander Kopp. Nos casamos em 7 de março de 1981.
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No mês de outubro daquele mesmo ano, um diretor da empresa me deu a missão de ir à cidade de Pato Branco, no interior do Paraná, a fim de gerenciar interinamente uma loja filial. Naqueles dias, em um restaurante, conheci o senhor Nelson Vespa, ancião da Igreja Adventista central de São Paulo. Nossa conversa se transformou em um estudo bíblico sobre as 2.300 tardes e manhãs de Daniel 8:14. Em outro dia, recebi um estudo sobre a Lei de Deus e o Sábado do quarto mandamento. Também aceitei seu convite para participar de um culto na Igreja Adventista e, antes de Nelson retornar a São Paulo, me presenteou com o livro O Grande Conflito, da escritora norte-americana Ellen G. White.
Ele recomendou que eu não cauterizasse minha consciência, e sim praticasse as verdades bíblicas. Eu pressentia que meus chefes não me concederiam o sábado livre, para que eu o pudesse guardar. Então, ele me animou e desafiou: “Não tenha medo, irmão Wilson. Você pode ser um colportor.”
Colportor é o título dado a quem oferece literatura produzida pela Igreja Adventista sobre temas como saúde, espiritualidade e família, seja de porta em porta ou em estabelecimentos comerciais. Li incessantemente o livro que ele havia me dado e, convicto, compartilhei suas preciosas verdades bíblicas com minha esposa. Ela também o leu e abraçou a mensagem contida naquelas páginas.
Novas oportunidades
Na época, fui informado de que deveria assumir oficialmente a gerência da loja em Pato Branco. Fizemos nossa mudança, mas no coração decidimos colocar Deus e Sua verdade em primeiro lugar. A empresa não me concedeu os sábados, mas dois colportores adventistas me visitaram e nos convidaram para participar de um curso de Colportagem que ocorreu em janeiro de 1982, no então Instituto Adventista Paranaense (IAP), hoje Faculdade Adventista do Paraná (FAP).
Após o curso, trabalhei algumas semanas apenas vendendo o livro O Grande Conflito. Fomos batizados em 14 de fevereiro daquele ano. A seguir, oferecemos literatura adventista em Guarapuava e Foz do Iguaçu.
No final de 1984, recebi um convite da Missão Sul-Matogrossense, uma sede administrativa da Igreja Adventista, para atuar como assistente de Colportagem da área de revistas e livros. Naquele mesmo período, Deus me chamou para servi-Lo de maneira integral. Néli, minha querida esposa e companheira, sabia o que estava em meu coração. Por isso, me perguntou se eu queria estudar Teologia e ser um pastor, pois iria me apoiar. Inicialmente, fiquei indeciso, mas orei, e uma noite não consegui dormir com a convicção de que Deus me chamava para isso.

Após orarmos, decidimos nos mudar para a cidade de São Paulo. De 1986 a 1989 cursei Teologia no antigo Instituto Adventista de Ensino (IAE), hoje Centro Universitário Adventista de São Paulo (Unasp). Durante esse período, atuei como colportor efetivo da Associação Paulista Sul, um escritório administrativo da Igreja Adventista na capital paulista.
Vida pastoral
Ao longo de meu ministério, pastoreei seis distritos; atuei nos departamentos de Publicações, Ministério Pessoal, Escola Sabatina e Família. Servi como diretor e professor nos Seminários de Teologia do Equador e da Faculdade Adventista da Amazônia (Faama). Sou grato a Deus e Sua Igreja por cursar um mestrado e um doutorado em Teologia no Unasp, campus Engenheiro Coelho; um mestrado em Sagrada Escritura e outro doutorado em Teologia na Universidade Peruana Unión.
Agradeço ao Senhor por nossos preciosos filhos: Ellen, Andrews e William. E nossas queridas netinhas: Isadora e Anabela. Atualmente, moramos em Jacareí, no interior de São Paulo.
A aposentadoria chegou no final de 2023, mas Jesus ainda tinha um chamado para mim, desta vez para um pastor jubilado: terminar como comecei. Hoje atuo como colportor de revistas e livros da Casa Publicadora Brasileira (CPB) na região de Jacareí, Guararema, Santa Branca e Mogi das Cruzes, no interior paulista.

Pessoas interessadas na Palavra
Em outubro de 2025, orei: “Senhor, Tu queres realmente que eu seja um colportor? Então me dê pessoas sinceras para estudar a Bíblia.” Enquanto eu apresentava a Bíblia Ilustrada Para a Família ao casal Mário Galdino e Janaína, ele disse: “Eu preciso estudar a Bíblia. Quero aprender mais.” Contei-lhe que estava orando a Deus para me direcionar a pessoas sinceras que desejassem isso. Convidei-os, e eles aceitaram. Também recebi o apoio de Marco Varão e sua esposa, Mary.
Em março deste ano, tive a alegria de batizar o Mário, sua esposa Janaína e os filhos Taila e Eliel. Glórias totalmente ao Senhor pela conversão dessa querida família. Eles estão servindo ao Senhor com alegria.
Louvado seja Deus por nossos 45 anos de casamento e os 52 anos de trabalho. Glórias a Ele que, na aposentadoria, me deu a certeza do Seu chamado e a oportunidade de falar através de um jubilado.
Wilson Borba é pastor aposentado e serviu à Igreja Adventista do Sétimo Dia por mais de 40 anos. Assina a coluna Sola Scriptura, no Portal Adventista.