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Esclerose múltipla afeta 45 mil brasileiros

Doença autoimune não tem cura e atinge as mulheres duas vezes mais que os homens

Rosilene descobriu aos 42 anos que possui Esclerose Múltipla (Foto: Wellington Andrade)

São Paulo, SP … [ASN] “Um dia eu acordei e estava com uma dor insuportável no olho esquerdo, com a vista embaçada e não conseguia ver a claridade do dia”, relembra Rosilene Albuquerque, que há 5 anos descobriu que possui esclerose múltipla. Nesta quarta-feira, 30 de agosto, é celebrado o Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla, doença autoimune e neurodegenerativa que, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta mais de 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo, 45 mil delas só no Brasil.

Com índices de diagnósticos expressivos entre os 20 e 40 anos, a doença atinge duas vezes mais as mulheres. Os surtos inflamatórios da esclerose atacam o sistema nervoso central (SNC) e destroem a bainha da mielina (responsável pela condução dos impulsos elétricos que transportam a mensagem do cérebro para o corpo). Ao danificar a membrana, os impulsos são interrompidos, o que gera dificuldade nesta comunicação e provoca a falta de movimentos ou visão.

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Entre os principais sintomas estão os transtornos visuais, problemas no equilíbrio e na fala ou paralisia dos membros, que facilmente são confundidos com outras doenças ou crises. Para um diagnóstico correto, é necessário que o paciente procure um neurologista. “Confundiram minha esclerose com enxaqueca duas vezes. Apenas quando fui ao Hospital Adventista e passei com o segundo neurologista, o doutor Leonardo Medeiros, meu diagnóstico foi fechado. Naquele dia eu perdi o chão”, comenta Rosilene.

Por não ter cura, o tratamento da esclerose é feito através de medicamentos que auxiliam no combate aos sintomas e reduzirem sua progressão. Em alguns casos, o transplante de células-tronco é uma opção. Reeducação alimentar, fisioterapia e neuroreabilitação também contribuem para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além disso, realizar trabalhos manuais pode auxiliar a coordenação motora, amplamente afetada pela doença.

Instituições como a Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (Abem) oferecem apoio terapêutico e social aos pacientes e familiares. A Abem possui um Centro de Neuroreabilitação e também dispõe de diversas atividades como pintura, tricô e artesanato, visando a independência funcional dos pacientes.

Tipos

O Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Esclerose Múltipla (PCDR) do Ministério da Saúde aponta para a existência de quatro formas de evolução clínica para a doença: a remitente-recorrente (EM-RR), a primariamente progressiva (EM-PP), a primariamente progressiva com surto (EM-PP c/surto) e a secundariamente progressiva (EM-SP).

De acordo com o levantamento, quando apresentados os primeiros sintomas, em 85% dos casos o tipo de esclerose é a remitente-recorrente, enquanto a primariamente progressiva e primariamente progressiva com surtos representam cerca de 15%. A secundariamente progressiva é uma evolução natural da remitente-recorrente, após 10 anos do diagnóstico.

Dia a dia

Uma das principais dificuldades para quem convive com a esclerose múltipla é a fadiga, principalmente em dias mais quentes. Por ser uma doença invisível em muitos dos casos, a falta de compreensão por parte da população e até mesmo da família é preocupante. Muitos dos pacientes sofrem quando precisam utilizar assentos reservados no transporte público, em filas de banco ou caixas de supermercados.

“É uma doença silenciosa que nos pega no auge da vida e muda nossos planos, mas não podemos nos deixar abater, temos que seguir em frente. Ela também não atinge apenas pessoas idosas,  acontece com qualquer pessoa, em qualquer idade. Por isso é tão importante conscientizar a população para que entendam, ajudem e respeitem”, esclarece Rosilene.

Para conscientizar os cidadãos sobre os sintomas da doença, o movimento #MultiplasRazões tem como proposta realizar ações interativas com realidade virtual. De acordo com o site do projeto, o objetivo é possibilitar que o público vivencie os sintomas por meio da realidade aumentada. [Equipe ASN, Stephanie Passos]

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