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Padaria mantida por voluntários beneficia famílias carentes há 20 anos

Gestos de generosidade transformam a vida de quem doa e de quem recebe

Projeto social foi divulgado por telejornal mineiro

Belo Horizonte, MG… [ASN] A história da dona de casa Valdelina Maria, de 65 anos, é marcada pela tragédia. Há 24 anos, o marido se suicidou e dos seis filhos que ela teve só restaram quatro. Um deles foi assassinado e outro morreu afogado. Diante das perdas, Valdelina entrou em depressão e passou duas décadas se tratando com remédios. A vida ganhou um novo sentido quando começou a ser voluntária no projeto Padaria Solidária, em 2015.

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O projeto é realizado há 20 anos na igreja adventista localizada no bairro Padre Eustáquio, em Belo Horizonte. Além do local para cultos, o templo dispõe de uma cozinha, equipada com geladeira e forno industrial cedida para os voluntários. No local, todas as quartas-feiras, dez mulheres se reúnem para fabricar pães integrais, que são vendidos para os fiéis da igreja e para a comunidade que reside nas proximidades. Parte do dinheiro obtido com as vendas é utilizada para comprar mais matéria-prima e a outra é destinada a ajudar pessoas carentes da região com cestas básicas, remédios ou exames.

Toda quarta-feira, Valdelina sai de casa às 7h30 e só retorna perto das 20h. De ônibus, ela percorre os dez quilômetros que separam sua casa, no bairro Flávio Marques Lisboa, no Barreiro, onde usa seus talentos para ajudar. Na padaria, Valdelina lava as formas dos pães, ajuda na limpeza da cozinha e ainda faz almoço para as colegas que também passam o dia trabalhando no projeto. “A quarta-feira é o dia da alegria. A gente conversa, brinca muito, a turma é muito querida. Esse trabalho faz bem para minha saúde e para o meu dia. A gente se diverte ao mesmo tempo em que ajuda outras pessoas. Queria até que tivesse mais vezes na semana”, afirma a voluntária, que há três meses teve alta dos remédios para depressão.

Em média, o dinheiro dos pães se transforma em 20 cestas básicas por mês e em agosto já beneficiou duas pessoas com a compra de remédios. O objetivo é atender necessidades momentâneas, como foi o caso do autônomo Alisson Dias, auxiliado duas vezes com cestas básicas quando perdeu o emprego, há um ano e meio. “Fui muito bem atendido pelo projeto. Hoje, graças a Deus eu não preciso mais [das cestas básicas] porque as portas estão se abrindo para mim, mas tem muita gente que precisa e esse projeto é o lugar certo para ajudar essas pessoas”, comenta o autônomo.

Assista à reportagem da TV Globo Minas sobre o projeto:

O voluntariado no Brasil

O relatório “Além do Bem – Um estudo sobre voluntariado e engajamento”, realizado com apoio da Organização das Nações Unidas (ONU) há poucos meses, mostrou que 18% dos brasileiros praticam alguma atividade de voluntariado, sendo que as mulheres representam 58% do montante. A mesma pesquisa levantou outro dado entre os que não fazem voluntariado. Segundo Jean Soldatelli, da Santo Caos (consultoria responsável pela pesquisa), o brasileiro ainda encara o voluntariado como doação e não como uma troca, o que compromete a participação. “Dois terços dos não voluntários do estudo não o são porque acham que é muito esforço, demanda muita coisa com pouca retribuição. Precisamos mostrar mais o resultado que o voluntariado traz, como a oportunidade de desenvolvimento pessoal e conhecer novas realidades”, aponta.  [Equipe ASN, Fernanda Beatriz com colaboração de Francis Matos]

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