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Missionário doou recursos para comprar área de instituição adventista

Nascido na Rússia, John Henry Boehm dedicou 46 anos de sua vida ao crescimento da Igreja Adventista no Brasil

18 de maio de 2016
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Foto oficial com a família. Da direita para a esquerda, pastor Boehm, sua esposa e seu filho

Brasília, DF… [ASN] Nos 100 anos da sede sul-americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Agência Adventista Sul-Americana de Notícias (ASN) destaca a história de alguns pioneiros do movimento adventista mundial e sua abnegação diante de desafios intensos. Chama a atenção a história do pastor missionário John Henry Boehm (1884-1975), nascido em Kutter, Saratov, na Rússia. Boehm foi responsável pela compra de uma área de 300 acres na região de Santo Amaro (região metropolitana de São Paulo), onde foi construído o antigo Colégio Adventista Brasileiro (hoje Centro Universitário Adventista – Unasp, campus São Paulo).

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Em 1915, segundo o Centro Nacional da Memória Adventista, o missionário e sua esposa, Augusta Schneider Boehm (1888-1967), “ tomaram a frente da construção enquanto moravam, por quase um ano, em barracas ao lado de um córrego de onde tiravam água para cozinhar e beber. O pastor Boehm trabalhava o dia todo com os alunos, sendo inicialmente preceptor e professor, pois ainda não possuía nenhum título que o qualificasse a ser diretor ou professor do seminário”.

O humilde internato, conforme afirma Héctor Peverini no livro En las huellas de la providencia, começou suas atividades no dia 4 de julho de 1915 com 12 alunos, tendo John Lipke como diretor e John Boehm como gerente, e Paulo Henning como professor. Peverni afirma que Boehm utilizou na construção da futura universidade todos os recursos provenientes da venda de uma propriedade nos Estados Unidos.

Chegada ao Brasil

De acordo com os registros oficiais, desde cedo, Boehm não teve muito tempo para usufruir a infância devido à necessidade de trabalhar. Cursou apenas o primário e, quando chegou à adolescência, problemas políticos e econômicos fizeram a família Boehm emigrar para os Estados Unidos. Sua família se estabeleceu naquele país na primeira década do século 20. Ele estudou em uma instituição adventista e se preparou para ser um pastor. Pouco depois de formado e já casado, recebeu um chamado para ser missionário na América do Sul. A viagem durou nove dias no navio Celtic, com capacidade para 2.857 passageiros. A embarcação saiu do porto de Nova York rumo à cidade de Santos.

O casal chegou ao Brasil no dia 13 de fevereiro de 1913, iniciando seu trabalho no Estado de São Paulo, mais especificamente nas colônias alemãs de Campos Sales e Cosmópolis, onde fixou residência. “O presidente da União Brasileira, pastor Frederick W. Spies, assim confirmou o chamado do casal recém-chegado para atender um chamado do colportor Willy Oelke, de interessados na mensagem adventista, no interior paulista, nas imediações de Campinas. Ali havia se instalado 200 famílias imigrantes católicas e luteranas, de diferentes regiões do mundo. Essa cidade foi interligada por trilhos em 1899 com a inauguração do primeiro trecho da Estrada de Ferro Funilense que partia de Campinas”, comenta o historiador Elder Hosokawa. Veja fotos de seu trabalho no Brasil:

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Primeiro batismo

Hosokawa acrescenta que naquela cidade, em abril de 1913, nas imediações do Núcleo Colonial Campos Salles, criado pelo governo provincial de São Paulo em 1897, eles fundaram uma Escola Sabatina com 15 membros. O primeiro batismo ocorreu em 26 de julho de 1913 com quatro pessoas: três jovens e uma idosa. Os quatro foram batizados num sábado, em um afluente do rio Atibaia.

No site do Centro Nacional da Memória Adventista há a lembrança das dificuldades de transporte de missionários como o pastor russo. “Boehm percorreu várias cidades do interior paulista como Piracicaba, Campinas e Limeira. O percurso era feito de trem ou quando não havia, andava em lombo de animais ou mesmo a pé. Em certa viagem, Boehm levou cinco meses para percorrer todos os lugares onde havia pessoas que aguardavam a mensagem adventista”, destacam os registros.

Espírito missionário

Em 1932, Boehm assumiu a direção da Associação Sul-Rio-Grandense, uma das sedes administrativas da Igreja Adventista no Rio Grande do Sul, onde permaneceu até 1939. Realizou durante esse período grandes obras, dentre as quais se destacam o término da construção do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS), localizado em Taquara, interior do Estado. Trabalhou, ainda, na Missão Rio-Minas, na época em que teve início o projeto do Instituto Petropolitano Adventista de Ensino (Ipae) e do Hospital Adventista Silvestre, no Rio de Janeiro.

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Pastor John com funcionários que trabalharam com ele na Associação Sul-Rio-Grandense

Em 1954, o pioneiro voltou aos Estados Unidos, porém demonstrou a preocupação com a criação de um fundo educacional para ajudar os alunos carentes. Esse fundo foi criado e reativado em 1985 com o nome de Fundo Educacional John Boehm, com a finalidade de fazer empréstimos a alunos sem recursos para que pudessem concluir seus estudos. John Boehm se aposentou em 1963, após 46 anos de dedicação à obra adventista no Brasil. Faleceu no dia 25 de janeiro de 1975, aos 91 anos de idade, em Loma Linda, Califórnia, EUA.

Para tentar entender um pouco do que pensava, quais os sentimentos e como era o trabalho de um pioneiro como Boehm, é interessante notar o relato da Revista Mensal, de janeiro de 1919. Ali há o registro de uma de suas frases, proferida ainda em 1918, pouco depois do pastor e sua esposa deixarem o seminário adventista. Hosokawa recorda que, nessa época, o casal Boehm ainda visitou pela ultima vez a cidade de Conchal, lugar por onde passaram em seu trabalho. “No dia 11 de outubro segui para Engenheiro Coelho, sendo recebido na estação pelo irmão Jacob. No dia de Sabbado celebrámos a Ceia do Senhor, occasião esta em que todos os irmãos se consagraram ao Senhor. Realizámos, mais ires conferencias no sábado á noite e no domingo á tarde e á noite, para as quaes convidámos os vizinhos e amigos. Mais de 50 pessoas attenderam ao nosso convite, prestando a máxima atenção em ouvir a mensagem. Até alta noite cantámos hymnos em coro. [1] [Equipe ASN, Felipe Lemos]

[1] Revista Mensal Jan.1919, p.10.

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