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Igreja investe em novos materiais para atender surdos

Além do Evangelibras, outros conteúdos têm ajudado a fortalecer a fé da comunidade

Apresentadores e participantes durante o encerramento do Evangelibras 2017. Conteúdos foram transmitidos via internet durante quatro dias (Foto: Gustavo Leighton)

Brasília, DF… [ASN] Nos últimos cinco anos, a Igreja Adventista tem investido na produção de materiais e programas específicos para atender os surdos que vivem em oito países da América do Sul. Apenas no Brasil, a denominação tem aproximadamente 1.500 membros batizados que não ouvem e necessitam de recursos diferenciados para aprofundar seu conhecimento da Bíblia e compartilhá-lo com outras pessoas.

Dados do Censo 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que 5,1% da população do País possui algum tipo de deficiência auditiva. Em números, isso equivale a cerca de 9,7 milhões de cidadãos. Destes, 2,5 milhões têm deficiência auditiva severa, um dos graus mais críticos na escala de perda da audição.

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“A preocupação da Igreja não é só com os ouvintes. É também com um público grande, que são os surdos. Se nós não temos uma iniciativa clara, não vamos conseguir juntar grupos de surdos ao redor de uma grande causa, que é alcançá-los com o evangelho”, assinala o pastor Edison Choque, diretor dos Ministérios Especiais da Igreja Adventista para oito países sul-americanos.

Hoje a internet é um dos principais meios utilizados pela denominação para chegar a esse público. Pelo terceiro ano consecutivo, os adventistas têm investido em um programa evangelístico com transmissão ao vivo pelo Facebook e YouTube, mídias sociais que hoje alcançam milhões de internautas em todo o mundo. Com duração de quatro dias, a edição 2017 do Evangelibras – realizado de 14 a 17 de junho – teve como ênfase principal o sacrifício de Cristo, destacando também a relevância dos relacionamentos familiares.

“O que resume toda essa semana é o amor. O amor demonstrado por Jesus, que quer nos salvar, que quer nos resgatar, seja um povo surdo, seja um povo ouvinte”, destaca, com a ajuda de um intérprete, o professor Edgar Alvarenga Simões, que foi o orador deste ano. Especialista em Educação Inclusiva, ele também dirige o Ministério Adventista dos Surdos em Novo Brasil, no Espírito Santo, e explica que seu papel é evangelizar as pessoas com quem tem contato, incentivando-as a ter uma fé em Cristo.

Alcance

É o que outros surdos adventistas também tem feito, resultando em decisões como as do casal Isaías e Rayanne Félix, que foram batizados neste sábado, 17, no encerramento do Evangelibras. Isaías conheceu a Igreja Adventista no Distrito Federal. A convite de um amigo, começou a frequentar um templo onde algumas pessoas conheciam a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e passaram a lhe ensinar sobre a Bíblia.

Ele logo ingressou no clube de Desbravadores. No entanto, viveu um conflito interno em relação a continuar a participar das reuniões eclesiásticas e de outras atividades que não estavam relacionadas ao estilo de vida cristã. “Ia a vários locais e realmente esqueci de Jesus”, lamenta o professor.

Hoje, Isaías tem uma visão diferente. Quer se tornar um exemplo para que outras pessoas conheçam a Jesus para que também tenham uma vida diferente. Sua esposa, que antes não sabia muito a respeito da Bíblia, diz que o que tem aprendido está lhe trazendo muita felicidade.

Isaías (direita) e a esposa logo após o batismo. Evangelibras também foi uma ferramenta para aproximá-los de Cristo (Foto: Gustavo Leighton)

Em relação aos materiais destinados aos surdos, neste ano a Igreja Adventista na América do Sul produziu uma versão do livro missionário Em Busca de Esperança em Libras e do filme O Resgate, que foi utilizado durante a Semana Santa. Para o próximo ano, a proposta é ter o curso bíblico Ouvindo a Voz de Deus na mesma linguagem. Quanto ao futuro do Evangelibras, a ideia é que ganhe mais força, como enfatiza Choque. Em 2018, o sonho é que tenha uma semana de duração.

Multiplicação

Já é possível encontrar 164 ministérios para surdos espalhados pelo Brasil. Eles funcionam nos templos adventistas, dando suporte para que membros e visitantes compreendam a liturgia e as mensagens apresentadas pelos oradores.

No bairro de Engenho Velho de Brotas, em Salvador, na Bahia, está formada aquele que é considerado o primeiro templo adventista para surdos. Composto por aproximadamente 25 membros, ele funciona em um espaço dentro de uma igreja tradicional, mas tem uma rotina voltada exclusivamente para os surdos.

E na igreja adventista do Mandaqui, na cidade de São Paulo, foi inaugurado um centro de influência que oferece cursos de capacitação profissional e outras atividades para os surdos. O espaço, que pode atender até 60 pessoas, recebe uma média de 50 participantes em cada um dos encontros.

Confira a galeria de imagens:

Para quem deseja ser um intérprete, Choque frisa que há cursos organizados pelas Associações e Uniões da Igreja Adventista (sedes administrativas regionais e estaduais, respectivamente). “Creio que em cada Estado vamos promover um curso completo por ano. E nosso lema é muito claro: cada surdo discipulando outro surdo; cada intérprete discipulando outro intérprete, e um ministério se multiplicando em outro ministério”, pontua. Para encontrar um templo adventista que tenha um ministério para surdos e materiais destinados a esse público, visite surdosadventistas.com.br [Equipe ASN, Jefferson Paradello]

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