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Jovem faz pós-graduação para auxiliar surdos na igreja

Atitudes de inclusão aliadas aos materiais de apoio estão atraindo mais visitantes

24 de fevereiro de 2017

Anna Paula (de blusa rosa com mangas compridas) com os surdos após umas apresentação musical que fizeram em Libras

Grajaú, MA… [ASN] Na cidade de Grajaú, na região sul do Maranhão, a igreja do bairro Canoeiro conta com 18 membros surdos batizados, frutos de uma congregação que apoia a inclusão social e da persistência de uma jovem administradora chamada Anna Paula Sá, que sentiu que deveria ser capacitada para ser intérprete durante dos cultos.

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Estima-se que no Brasil haja 9,7 milhões de pessoas com deficiência auditiva, segundo dados divulgados em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número despertou a preocupação e o interesse da Igreja Adventista, que nos últimos anos criou o Ministério dos Surdos para atender esse público. A partir disso, foram criados materiais em Língua Brasileira de Sinais (Libras), como, por exemplo, a Lição da Escola Sabatina, livro missionário, guias de capacitação para voluntários, Clube de Jovens, Pequenos Grupos e Calebes Surdos.

O envolvimento de Anna começou em 2007, quando Áurea Moreira dos Santos Arruda, que é surda, chegou a Grajaú, já batizada. Diante da necessidade, a administradora sentiu que precisava ajudar. De forma improvisada, tentava traduzir as palavras do pregador e dos cantores, e isso deu certo. Logo, outros surdos souberam que naquela igreja havia uma intérprete e passaram a frequentá-la.

Posteriormente, Áurea começou um relacionamento com Eurico Ávila Matos de Arruda, também surdo, que estava vindo de outra denominação. Eles casaram-se e tiveram uma filha ouvinte.

Disposição 

A administradora começou de forma improvisada, até que sentiu o desejo de cursar pós-graduação em Libras

A intérprete conta ainda que bem no início, ao final das pregações, os surdos sinalizavam ter entendido tudo, e isso a impressionava porque não entendia como tinha sido capaz, pois nunca havia feito nenhum curso. “Foi aí que entendi que recebi de Deus esse dom espiritual”, relembra.

“Comecei sem grandes pretensões. O que aconteceu foi um milagre. O Deus que chama é o mesmo que capacita. Quando vejo todos eles envolvidos, me sinto feliz e grata. Temos que dizer como Isaías ‘Eis-me aqui, envia-me a mim’”, considera.

Por incentivo da igreja e da família, e principalmente impelida pelo carinho pelos surdos, Anna Paula ingressou numa pós-graduação em Libras e hoje é especializada.

O templo do Canoeiro apoia os surdos através da amizade e de recursos financeiros, quando necessário. A jovem intérprete os motiva a desenvolver também a linguagem dos sinais para servi-los melhor. Em linguagem de sinais, Áurea diz: “Nos sentimos amados quando observamos que os demais estão se esforçando para aprender e assim podermos conversar”, afirma. Sensibilizada, a líder do Clube de Aventureiros, Gilvanete Veras de Sousa, recentemente começou a aprender o idioma e está atuando como intérprete em alguns cultos.

De 2007 pra cá, cerca de 30 surdos já visitaram a igreja. Uma característica dos surdos batizados é o espirito missionário. Eles se envolvem nas programações e são bastante ativos na cidade. E quanto à intérprete, ela revela qual é seu maior sonho. “Quero encontrá-los no Céu. Sei que será muito bom ouvir a voz deles”, finaliza. [Equipe ASN, Simone Joe]

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