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Michelson Borges

Michelson Borges

Ciência e Religião

As principais descobertas da ciência analisadas do ponto de vista bíblico.

A dança das hipóteses

A_danca_das_hipotesesAnos atrás, li o livro A Dança do Universo, de Marcelo Gleiser. Nele, o físico brasileiro defende apaixonadamente e com convicção a teoria do big bang. Antes disso, talvez uns dez anos mais para trás, quando eu tinha 15, li também Uma Breve História do Tempo, de Stephen Hawking. Naqueles idos anos 1990, de tanto ler livros como o de Hawking e revistas como a Superinteressante, eu não tinha dúvidas. A doutrinação havia sido forte e eu acreditava quase piamente que a grande explosão tinha dado origem ao Universo – ainda que fosse Deus o “detonador” dela. Nada como uma década depois da outra para fazer com que algumas certezas se mostrem frágeis, embora seus defensores e a mídia alinhada as tenham apresentado como verdade científica. Duas notícias recentes mostram que nem sempre é bom confiar cegamente nos homens da ciência (em homem nenhum, na verdade) e em reportagens fantásticas veiculadas aqui e acola.

Ano passado, cientistas afirmaram ter descoberto evidências das ondas gravitacionais primordiais, flutuações que teriam sido causadas pela suposta inflação cósmica, período do Universo no qual ele teria aumentado de tamanho de forma espantosa em uma fração de segundos. A descoberta foi comemorada não só como uma evidência do big bang, mas como efeito previsto por uma das hipóteses sobre os primeiros momentos do nosso Universo. Mas não era bem assim.

O site Inovação Tecnológica explicou: “A teoria da inflação cósmica, elaborada há cerca de 30 anos por Alan Guth e Andrei Linde, propõe que essa fase de crescimento exponencial do Universo nas frações de segundo após o big bang deixaria marcas na radiação cósmica de fundo, uma radiação de micro-ondas presente em todo o céu e que os cientistas acreditam ser um resquício do big bang. […] O anúncio da ‘descoberta’, feito em março do ano passado, foi saudado por algumas revistas como a ‘descoberta do século’, mas imediatamente suscitou questionamentos de vários cientistas, que contestaram os dados do BICEP2 alegando justamente que a polarização detectada poderia ser devida à poeira presente na galáxia. E o ‘mico’ parece ter sido pago por uma prática pouco condizente com o rigor científico: em sua medição, os cientistas usaram um mapa da radiação cósmica de fundo sem nenhum detalhamento, retirado de uma apresentação feita em um congresso”.

Note que a própria famosa radiação de fundo é a base da crença dos cientistas de que teria havido um big bang. Com base numa hipótese, supõe-se que, se o Universo se expandiu a partir de um ponto, ele ainda estaria em expansão. Aí surgiu a segunda hipótese, fundamentada na primeira. Mas essa também não conta com evidências conclusivas. Infelizmente, muitas pessoas que leem sobre essas ideias ou assistem a documentários e programas de TV creem que elas são fatuais. Quantos saberão que a tal “descoberta do século” era falsa? Quem vai pedir desculpas pelo estardalhaço/sensacionalismo feito na mídia?

A conclusão de um artigo sobre o assunto é reveladora: “Não dá para descartar o modelo da inflação por conta disso, mas é preciso realizar mais trabalhos para encontrar as provas previstas por esse modelo. Agora, é voltar ao laboratório e procurar novas evidências.”

Quando a hipótese interessa aos naturalistas, mesmo que careçam de evidências, eles trabalham em cima dela. Não a descartam e saem à busca de novas evidências. No entanto, quando o assunto é design inteligente e/ou criacionismo, eles nem se dão ao trabalho de analisar os argumentos…

Mas tem mais: um novo modelo, que mistura correções quânticas na teoria de Einstein, sugere que realmente não houve big bang. Outra pancada na teoria. A ideia é a de que o Universo não começou: ele sempre existiu. “A singularidade do big bang é um problema para a relatividade, porque as leis da física já não fazem sentido para ela”, afirma Ahmed Farag Ali, pesquisador da Universidade Benha, no Egito. Ele e o coautor Saurya Das, da Universidade de Lethbridge, em Alberta, no Canadá, mostraram que esse problema pode ser resolvido se acreditarmos em um novo modelo, no qual o Universo não teve começo e não terá fim.

Os físicos se basearam no trabalho de David Bohm, físico que, nos anos 1950, explorou o que aconteceria se substituíssemos por trajetórias quânticas a trajetória mais curta entre dois pontos numa superfície curva. No seu estudo, Ali e Das aplicaram as trajetórias bohminanas a uma equação que explica a expansão do Universo dentro do contexto da relatividade geral. Assim, o modelo contém elementos da teoria quântica e da relatividade geral, e descreve o Universo como preenchido com fluido quântico, que seria composto de gravitons, partículas hipotéticas que mediriam a força da gravidade.

A mídia popular, como sempre, dá grande evidência a hipóteses nascidas na cabeça e nos computadores de alguns teóricos ávidos por reconhecimento. É o tipo de notícia que se espalha como fogo na pólvora, embora não haja fato algum. Fora do campo das mirabolâncias, é possível um universo eterno? Que tipo de mecanismo/fenômeno estaria fazendo com que as leis da termodinâmica não sejam aplicáveis a esse universo? Como explicar que ainda haja energia disponível num sistema fechado? E o tempo? Como podemos estar aqui, agora, no hoje, se o tempo fosse uma linha “jogada” uma eternidade para trás? Sem um começo do tempo não poderíamos estar aqui, agora.

Estão trocando o Deus eterno por uma matéria e uma energia eternas. Nessa dança de hipóteses, por quanto tempo durará essa ideia até que outros teóricos proponham uma nova? A hipótese dos multiversos, dos quais não existe uma evidência sequer, está aí para provar que, no campo das especulações, vale tudo. Deus criou o Universo? Claro que não!, dizem os naturalistas. Em lugar de um, poderia haver bilhões de universos, embora nunca tenhamos visto outro além do nosso? Pode ser… A matéria é eterna, embora não existam evidências reais/empíricas disso? Alguns creem que sim. Fé por fé, fico com a mais lógica: (1) tudo o que teve um começo teve uma causa; (2) o Universo teve um começo (e tudo parece indicar que sim); portanto, (3) o Universo teve uma Causa.

E estou em boa companhia nessa conclusão: o famoso físico brasileiro César Lattes (sim, esse mesmo, o do currículo Lattes) também cria num Universo que teve começo. E mais: cria que Deus havia sido responsável por esse começo. Duvida? Leia aqui.

Diante de tão grande dança de hipóteses, prefiro ficar com uma certeza: “Toda a humanidade é como a relva, e toda a sua glória como a flor da relva; a relva murcha e cai a sua flor, mas a palavra do Senhor permanece para sempre” (1 Pedro 1:25).

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