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Leandro Quadros

Leandro Quadros

Na Mira

As doutrinas presentes na Bíblia explicadas de um jeito fácil e interessante.

O que “é” e o que “não é” manifestação do Espírito Santo

Um cristão fala em línguas, perde o domínio de si e se deixa levar pelo êxtase emocional. Outro é frio, mal abre a boca para cantar louvores a Deus durante os cultos, pouco estuda a Bíblia e é alheio ao sofrimento do próximo.

Alguns são liberais, enquanto que outros são ultraconservadores (se dizem “conservadores”, mas, não o são…), ou seja: são modernos “saduceus” ou “fariseus” pós-modernos.

Se você se identificou com um desses perfis em sua maneira de se portar na vida religiosa, saiba que isso nada tem a ver com a manifestação do Espírito Santo. Está se enganando quando pensa que, em sua igreja, o Espírito se manifesta, enquanto que na outra, não. Aceitar isso é o primeiro passo para a cura. Do contrário, ela nunca virá.[1]

Para saber se a manifestação do Espírito é uma realidade em sua vida particular e em sua congregação, no presente artigo abordarei, de maneira breve[2], o que é e o que não é manifestação genuína da Terceira Pessoa da divindade.

O que é manifestação do Espírito Santo

A presença do Deus Espírito na vida torna a pessoa semelhante (não igual) a Jesus Cristo no caráter (conforme Romanos 8:29) e, obviamente, na maneira de tratar as pessoas.

Aqueles que estão se enchendo do Espírito, segundo a orientação apostólica em Efésios 5:18, apresentam as seguintes qualidades:

1. Amor,[3] alegria, paz, paciência, amabilidade no trato com as pessoas (inclusive para com as que pensam do modo diferente em relação a questões doutrinárias ou referentes a costumes), bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5:22, 23).

2. Respeito. Evita “as controvérsias tolas e inúteis”, não vive brigando e discutindo na internet como se fosse um ímpio, é amável para com todos e paciente para ensinar e corrigir os que estão no erro (2 Timóteo 2:23-25).

3. Não julga os outros (Mateus 7:1,2). Ao invés disso, se preocupa com suas falhas pessoais e luta ao lado do Espírito para superá-las, ao invés de perder tempo precioso em apontar as falhas dos outros.[4]

4. Compreensão equilibrada entre a fé e as obras (Apocalipse 14:12). Não é um liberal e nem mesmo um legalista.

5. Preocupação com os necessitados (Tiago 1:27).[5]

6. Disposição em testemunhar daquilo que Jesus fez em sua vida (1Crônicas 16:8; At 1:8);

7. Fome de saber mais sobre a Bíblia (Jeremias 15:16; At 17:11).

8. Disposição em louvar ao Criador com alegria (Filipenses 4:4), fazendo uso correto e equilibrado de todos os instrumentos musicais presentes no Hinário Israelita (Salmos)[6] sem, contudo, ser um promotor de discórdias (Gálatas 5:20).

O que não é manifestação do Espírito Santo:

Se a pessoa é guiada pelo Espírito (Gálatas 5:18), ela não irá:

1. Ser uma escrava da natureza pecaminosa (Gálatas 5:18-21) que, entre outras coisas, leva a pessoa a ser irritadiça, provocadora de discórdias, fofoqueira e invejosa (Ibidem).

2. Gritar com os filhos e com o cônjuge (Efésios 4:30,31).[7]

3. Deixar-se dominar pelo êxtase espiritual sem manter a consciência de si (1 Coríntios 14:15), fazer algazarra nos cultos, cair no chão ou rastejar-se como estivesse tendo uma “unção” do Espírito (na verdade, esse é um falso espírito santo)[8].

4. Viver carrancuda (Filipenses 4:4). Alguns acham que cristianismo é sinônimo de “carranca”. Estão muito enganados![9]

5. Mal abrir a boca para louvar a Deus durante os cânticos congregacionais. Essa frieza está longe de ser manifestação do Espírito: “Cantem para ele, louvem-no; contem todos os seus atos maravilhosos. Gloriem-se no seu santo nome; alegre-se o coração dos que buscam o Senhor” (1 Crônicas 16:9,10)[10].

6. O que mais necessitamos é de um relacionamento profundo com o Espírito (2 Coríntios 13:13), para que Ele siga esvaziando nossa mente do egoísmo e da falta de amor no trato com as pessoas, manifesta inclusive por meio de nossas palavras[11].

Se diariamente formos batizados ou mergulhados em Sua Pessoa maravilhosa[12], manifestaremos ao longo de nossa caminhada cristã o “fruto” ou qualidades de caráter dEle. Passaremos a ver a religião como uma oportunidade de nos aproximarmos dAquele que é Infinito e uma chance de aliviarmos o sofrimento das pessoas até a volta de Cristo.

Deixaremos de lado experiências excêntricas que rebaixam a razão (ver Romanos 12:1.2; 1 Coríntios 14:33, 40), bem como racionalizações excessivas que levam os outros a criticarem qualquer manifestação de alegria cristã reverente durante os cultos (Filipenses 4:4).

Resumindo: um cristão cheio do Espírito trata as pessoas como Jesus trataria, e não vai para o extremo do pentecostalismo moderno nem para o extremo do ultraconservadorismo moderno[13].

 

Notas de rodapé:

[1] Obviamente, o identificar-se com um dos padrões de comportamento mencionados acima não indica que o “outro Consolador” (João 14:16) não seja seu companheiro constante (2Co 13:13), e que não esteja atuando em seu interior para lhe convencer de que precisa de Jesus (Jo 14:26) e de mudanças em sua vida (João 16:8-10).

[2] No link a seguir poderá baixar uma listagem de pecados que mais entristecem o Espírito Santo, segundo a Bíblia e os escritos de Ellen White, o que lhe ajudará a ver com mais detalhes “o que é” e “o que não é” manifestação do Espírito: http://goo.gl/Kxc9qt

[3] Não deixe de considerar João 13:35, texto que, infelizmente, é bastante ignorado: “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (NVI).

[4] “Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão, e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Como você pode dizer ao seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu? Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.” (Mateus 7:3-5 – NVI).

[5] À luz do diálogo que Jesus manterá com a humanidade por ocasião do juízo (veja-se Mateus 25:31-46), percebe-se que boa parte dos crentes se encontra sob pequena influência do Espírito.

[6] Obviamente, todo o Hinário dos Salmos era usado dentro do Tempo (ver Salmos 150:4).

[7] Ser cristão na igreja e “Diabo” ou “Diaba” em casa se constitui numa das maiores evidências de que tal pessoa não está sob a influência enobrecedora do Divino Espírito, mas sim que o demônio tem tido mais “licença” para fazer parte de sua vida relacional.

[8] “Pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz. Como em todas as congregações dos santos” (1Co 14:33. Ver também o v. 40).

[9] “[…] A vida cristã deve ser de fé, vitória e alegria em Deus […] Com certo disse Neemias, servo de Deus: ‘A alegria do Senhor é a vossa força’. Neemias 8:10. E Paulo diz: “Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez vos digo, regozijai-vos”. Fp 4:4. ‘Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco’. 1Ts 5:16-18. São esses os frutos da conversão e santificação bíblica […]” – Ellen G. White, O Grande Conflito (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014), p.p. 477, 478. Grifo acrescido.

[10] Veja também o Salmo 122:1: “Alegrei-me com os que me disseram: ‘Vamos à casa do Senhor!’”

[11] “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um.” (Cl 4:6, NVI).

[12] “Uma vez que é esse o meio pelo qual havemos de receber poder, por que não sentimos fome e sede pelo dom do Espírito? Por que não falamos sobre ele, não oramos por ele e não pregamos a seu respeito? O Senhor está mais disposto a dar o Espírito Santo àqueles que O servem do que os pais a dar boas dádivas a seus filhos. Cada obreiro deve fazer sua petição a Deus pelo batismo diário do Espírito.” – Ellen G. White, Atos dos Apóstolos (Tatuí. SP: Casa Publicadora Brasileira, 2013), p. 50.

[13] E dizer que não O recebemos, nos tornando assim pessoas melhores, simplesmente por não pedirmos! “Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está nos céus dará o Espírito Santo a quem o pedir!” (Lc 11:13, NVI).

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