{"id":99862,"date":"2015-06-22T14:09:37","date_gmt":"2015-06-22T17:09:37","modified":"2025-01-21T20:54:22","modified_gmt":"2025-01-21T23:54:22","slug":"igreja-e-cultura-de-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/heronsantana\/igreja-e-cultura-de-paz\/","title":{"rendered":"Igreja e cultura de paz"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/06\/shutterstock_1144455143.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/06\/shutterstock_1144455143-960x540.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-402198\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/06\/shutterstock_1144455143-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/06\/shutterstock_1144455143-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/06\/shutterstock_1144455143-240x135.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Desafios sociais, impacto econ\u00f4mico e o papel da Igreja como agente de transforma\u00e7\u00e3o. (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Stephen Killelea \u00e9 um empres\u00e1rio australiano que alcan\u00e7ou sucesso com tecnologias de informa\u00e7\u00e3o numa era pr\u00e9-startups. Um de seus neg\u00f3cios foi respons\u00e1vel pela gest\u00e3o de sistemas para gigantes do sistema financeiro internacional \u2013 inclua nessa lista Visa, Mastercard, American Express e as bolsas de valores de Nova Iorque, Londres e Hong Kong. Ele tamb\u00e9m \u00e9 o fundador do Instituto para Economia e Paz, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que se prop\u00f5e a analisar o impacto da paz na economia mundial, o custo alto da viol\u00eancia para as na\u00e7\u00f5es e fazer pesquisas sobre experi\u00eancias de sucesso das sociedades pac\u00edficas.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias econ\u00f4micas da viol\u00eancia resultaram na cria\u00e7\u00e3o do \u00cdndice Global da Paz. \u00c9 uma pesquisa impressionante e uma iniciativa que conta com a boa vontade de influenciadores internacionais como Desmond Tutu, Jimmy Carter e Dalai Lama. O \u00faltimo estudo, divulgado na semana passada, traz os indicadores de 2015 da viol\u00eancia e dos esfor\u00e7os pela paz executado pelas na\u00e7\u00f5es. Vale a pena gastar um tempo com o estudo, que pode ser baixado em pdf nesse <a href=\"http:\/\/economicsandpeace.org\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Global-Peace-Index-Report-2015_0.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">link<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Leia tamb\u00e9m:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/heronsantana\/a-crise-do-trabalho-o-exemplo-de-israel-e-dicas-para-promover-o-empreendedorismo-entre-os-jovens\/\">A crise do trabalho, o exemplo de Israel e dicas para promover o empreendedorismo<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>Os dados trazem uma m\u00e1 not\u00edcia para o Brasil. N\u00f3s ca\u00edmos 11 posi\u00e7\u00f5es no ranking dos pa\u00edses mais pac\u00edficos do mundo. Hoje estamos atr\u00e1s de na\u00e7\u00f5es com recente hist\u00f3ria de conflitos sociais e instabilidades econ\u00f4micas, como Haiti e Serra Leoa. O estudo considera vari\u00e1veis como atividade terrorista, crimes violentos, encarceramento da popula\u00e7\u00e3o, acesso a armas, desigualdades sociais, desigualdade de g\u00eaneros e o Produto Interno Bruto. Vale a pena ler a <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/brasil\/2015\/06\/16\/politica\/1434476173_966307.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">an\u00e1lise que o El Pa\u00eds fez do estudo<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A alta taxa de homic\u00eddios ajudou a derrubar o Brasil no ranking. S\u00e3o mais de 25 por 100 mil habitantes, a 12<sup>a<\/sup> maior do mundo. S\u00e3o mais de 50 mil mortes por ano. O custo da viol\u00eancia leva a cada ano R$ 765 bilh\u00f5es do or\u00e7amento p\u00fablico, o equivalente a 8% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u00d3dio nas m\u00eddias sociais<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Em tempos de Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato e Copa Am\u00e9rica, houve pouco espa\u00e7o para repercutir o estudo da institui\u00e7\u00e3o australiana. Uma pena, porque se tem algo que precisa ser observado com aten\u00e7\u00e3o pela sociedade \u00e9 a explos\u00e3o da viol\u00eancia e as motiva\u00e7\u00f5es para esse grave contexto social. H\u00e1 um sentimento em curso capaz de enfraquecer os esfor\u00e7os pela cultura de paz. O \u00f3dio parece despontar como sentimento dominante, e basta participar das redes e m\u00eddias sociais para chegar a esta conclus\u00e3o. Foi o que fez a pesquisadora M\u00f4nica Stephens, da Humboldt State University, na Calif\u00f3rnia. Autora da Geografia do \u00d3dio (hiperlink http:\/\/users.humboldt.edu\/mstephens\/hate\/hate_map.html), ela analisou centenas de milhares de tweets para identificar o mapa do \u00f3dio nos Estados Unidos. S\u00e3o dados tristes. Um deles revela que as maiores ofensas ocorrem na regi\u00e3o americana conhecida como \u201cCintur\u00e3o da B\u00edblia\u201d, no sudeste americano predominantemente protestante.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um estudo revelador sobre como o \u00f3dio est\u00e1 invadindo as novas m\u00eddias por meio de posts, mensagens, coment\u00e1rios, improp\u00e9rios dirigidos aos segmentos de sempre, preconceitos distribuindo traumas inicialmente para negros, religiosos, homossexuais e pobres e atualmente sendo dirigidos a todos em uma manifesta\u00e7\u00e3o de massa do poder de odiar.<\/p>\n\n\n\n<p>A impress\u00e3o \u00e9 de que h\u00e1 um sentimento vitorioso na era da web 2.0, das mensagens instant\u00e2neas, da revolu\u00e7\u00e3o das redes sociais, da incr\u00edvel facilidade de acesso a tecnologias variadas, e esse sentimento \u00e9 o \u00f3dio. H\u00e1 \u00f3dio para todos, em abund\u00e2ncia, majoritariamente gratuito, quase integralmente nas trincheiras do anonimato virtual, unindo uma esp\u00e9cie de Klu Klux Klan cibern\u00e9tica, neonazistas do ciberespa\u00e7o, fac\u00ednoras arrancando nacos de reputa\u00e7\u00e3o de pessoas e institui\u00e7\u00f5es por meio de bytes. Da pol\u00edtica a cultura, do comportamento a ci\u00eancia, da educa\u00e7\u00e3o a religi\u00e3o, n\u00e3o resta d\u00favida: o \u00f3dio prevaleceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma reflex\u00e3o pertinente sobre esse assunto foi feita pelo antrop\u00f3logo e cr\u00edtico liter\u00e1rio franc\u00eas Ren\u00e9 Girard, de quem li um ensaio que me sensibilizou \u2013 o livro \u201cEu via Satan\u00e1s cair como um rel\u00e2mpago\u201d \u2013 em que ele faz uma leitura da viol\u00eancia a partir da antropologia b\u00edblica. Segundo Girard, o homem est\u00e1 marcado por um desejo de imita\u00e7\u00e3o, ao qual se refere como desejo mim\u00e9tico, e por esse motivo est\u00e1 envolvido em um circuito de compara\u00e7\u00f5es e rivalidades com o outro. O car\u00e1ter violento desse comportamento seria um fen\u00f4meno metaforicamente \u201coculto desde a funda\u00e7\u00e3o do mundo\u201d, da\u00ed o fato de Caim ter usado de viol\u00eancia contra seu irm\u00e3o Abel.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Girard, como o ser humano n\u00e3o sabe o que desejar, imita o que os outros desejam. Uma tese simples e de angustiantes consequ\u00eancias. Primeiro, descobrimos que n\u00e3o somos indiv\u00edduos autossuficientes como quer nos fazer crer a m\u00eddia e a cultura do consumo. Segundo, nossa inveja por um objeto, pessoa ou ideia do outro acarreta em conflitos que resultam em \u00f3dio capaz de levar a sacrif\u00edcios, como o assassinato de Abel. Por tr\u00e1s desse pensamento est\u00e1 a cultura do narcisismo contempor\u00e2neo, baseada na imita\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos variados que nos levam \u00e0 busca pela felicidade permanente ou pelo corpo perfeito ou pela prosperidade f\u00e1cil ou pela celebridade instant\u00e2nea. As press\u00f5es que resultam da\u00ed explicam o crescimento de ansiedades, depress\u00f5es, suic\u00eddios, viol\u00eancias recorrentes manifestadas por meio do \u00f3dio pol\u00edtico, religioso, ideol\u00f3gico, sexual, social e racial.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Igreja como contraponto<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>A igreja precisa ser o contraponto a essa explos\u00e3o de sentimentos ruins que se manifesta em forma de \u00f3dio f\u00edsico e virtual extremo, contra o semelhante ou contra institui\u00e7\u00f5es. \u00c9 um esfor\u00e7o que precisa ser institucional e pessoal. Existem formas de levar esta ideia adiante. Basta as igrejas dedicarem tempo a criar uma cultura de paz, no bairro onde est\u00e3o inseridas, com representantes participando ativamente do debate com governos e sociedades e com fi\u00e9is evitando a cultura de \u00f3dio que prolifera nas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa \u00e9 a grande responsabilidade do cristianismo, inspirar os crist\u00e3os a n\u00e3o incorrerem neste mapa de \u00f3dio, mas apregoar o amor pelo outro, subverter as cadeias da viol\u00eancia, oferecer a outra face como um ato de contracultura e demonstrar a pessoas esmagadas por opress\u00f5es diversas que \u00e9 poss\u00edvel, sim, viver em paz e com esperan\u00e7a. Segundo a escritora americana Ellen White, as manifesta\u00e7\u00f5es de \u00f3dio provocadas \u201cpelos muros de preconceito ruir\u00e3o por si mesmos, como aconteceu com os muros de Jeric\u00f3, quando os crist\u00e3os obedecerem \u00e0 Palavra de Deus, a qual recomenda que tenham supremo amor a seu Criador e amor imparcial ao pr\u00f3ximo\u201d (Review and Herald, 17 de dezembro de 1895).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Qual a import\u00e2ncia de os crist\u00e3os promoverem a verdadeira paz, em Cristo, e n\u00e3o o \u00f3dio contra os semelhantes?<\/p>\n","protected":false},"author":135,"featured_media":402198,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3668,3658],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-99862","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-biblia","xtt-pa-editorias-institucional","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"B\u00edblia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/06\/shutterstock_1144455143.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/06\/shutterstock_1144455143-768x512.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/06\/shutterstock_1144455143-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/06\/shutterstock_1144455143-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2015\/06\/shutterstock_1144455143-480x270.jpg"}}