{"id":8806,"date":"2012-12-27T03:00:00","date_gmt":"2012-12-27T03:00:00","modified":"2013-05-29T16:56:48","modified_gmt":"2013-05-29T19:56:48","slug":"a-busca-por-mbiu-marca-a-realidade-de-aldeia-indigena-em-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/a-busca-por-mbiu-marca-a-realidade-de-aldeia-indigena-em-sao-paulo\/","title":{"rendered":"A busca por \u201cMbi\u00fa\u201d marca a realidade de aldeia ind\u00edgena em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, SP... [ASN]\u00a0Aos p\u00e9s do Pico d<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin: 0px 5px;float: left\" title=\"S\u00e3o v\u00e1rios problemas sociais na aldeia, contudo, os \u00edndios est\u00e3o se mobilizando para melhorar a situa\u00e7\u00e3o\" alt=\"S\u00e3o v\u00e1rios problemas sociais na aldeia, contudo, os \u00edndios est\u00e3o se mobilizando para melhorar a situa\u00e7\u00e3o\" src=\"http:\/\/aws-noticias-pt.s3.amazonaws.com\/2012\/12\/20121220_adra_02.jpg\" width=\"400\" height=\"300\" border=\"0\" \/>o Jaragu\u00e1, ponto mais alto de S\u00e3o Paulo, encontram-se representantes de um dos povos mais antigos do Brasil. L\u00e1 est\u00e3o presentes duas aldeias ind\u00edgenas, descendentes dos Tupis-Guaranis. Chegando \u00e0 menor delas, o visitante rapidamente \u00e9 cercado por uma multid\u00e3o de crian\u00e7as, acompanhadas de cachorros, muitos deles. Quase todas descal\u00e7as, sujas de barro, com olhares tristes e baixos, parecem assim, juntamente com o farejar dos animais, dar as boas vindas.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1\u2019evete reju Tekoa Pyau\u201d (Bem-vindo a aldeia Tekoa Pyau), diriam na l\u00edngua materna se o contato fosse com outros \u00edndios de forma\u00e7\u00e3o semelhante, ou igual. At\u00e9 os seis anos de idade, os jovens s\u00e3o educados somente na cultura Guarani, para preservar esse componente da linha geneal\u00f3gica brasileira. Mas ao homem \u201cbranco\u201d, apenas o sil\u00eancio. A impress\u00e3o marcante \u00e9 que, se n\u00e3o fossem t\u00e3o introvertidas, as palavras que pronunciariam n\u00e3o seriam de cordialidades. Nem de repulsa, pelo contr\u00e1rio. Com tom de clem\u00eancia, misturado a urg\u00eancia, o pedido, quase em un\u00edssono, \u00e9 transmitido por meio do olhar: \u201cMbi\u00fa!\u201d. Ou seja, comida.<\/p>\n<p>A habita\u00e7\u00e3o na aldeia se assemelha a acampamentos de pessoas que foram desalojadas de suas casas. Em meio ao barro, os \u00edndios est\u00e3o estabelecidos em alguns n\u00facleos de moradias. Estas, por sua vez, \u00a0se apresentam em condi\u00e7\u00f5es deplor\u00e1veis, formadas por um amontoado de compensados de madeira e qualquer material que sirva de prote\u00e7\u00e3o. S\u00e3o 130 fam\u00edlias que vivem no local, com mais de 300 crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Os integrantes do lugar preferem se isolar do resto do mundo e por isso o desenvolvimento na aldeia n\u00e3o acompanha o mesmo ritmo do restante da sociedade. Se isso \u00e9 bom ou ruim, as discuss\u00f5es s\u00e3o infind\u00e1veis. A realidade \u00e9 que eles n\u00e3o trabalham, n\u00e3o t\u00eam dinheiro, a educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as \u00e9 defasada e a preserva\u00e7\u00e3o da sa\u00fade \u00e9 prec\u00e1ria. Os poucos recursos que conseguem s\u00e3o oriundos de atividades artesanais e doa\u00e7\u00f5es de entidades que se mobilizam em prol dessa comunidade. Contudo, os bens adquiridos mal servem para alimentar as crian\u00e7as; \u201cTemos uma lista de 60 desnutridos aqui\u201d, afirma Claudete Azevedo, volunt\u00e1ria que trabalha h\u00e1 seis anos na aldeia.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 atualmente a coordenadora do Conselho de Mulheres, formado dentro da comunidade ind\u00edgena. Ele foi criado com o objetivo de promover melhorias nos aspectos humanit\u00e1rios do local. Adventista do S\u00e9timo Dia, Claudete sempre gostou de se envolver com assist\u00eancia social. Mora na regi\u00e3o do Pico do Jaragu\u00e1 e resolveu fazer uma visita \u00e0 aldeia. Engajada na \u00e1rea musical, logo formou um grupo com as crian\u00e7as que passou a levar para se apresentar em outras escolas, mas percebeu que antes de m\u00fasica e passeios, eles tinham uma necessidade maior. \u201cEles tinham fome, precisavam de comida. Ningu\u00e9m quer cantar\u00a0 se estiver com a barriga vazia\u201d, conta.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, ela se esfor\u00e7ou para conseguir coletar o m\u00e1ximo de alimentos poss\u00edvel destinados aos \u00edndios. Atualmente, j\u00e1 conseguiu implantar um sistema em que a cozinha da aldeia funciona pelo menos tr\u00eas dias da semana. Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, antes n\u00e3o funcionava em nenhum. Somente quando algum grupo fazia algum projeto social. O grande problema \u00e9 que essas a\u00e7\u00f5es acontecem de forma muito espor\u00e1dica.<br \/>\nEm per\u00edodos espec\u00edficos, como no final do ano, em que s\u00e3o organizadas v\u00e1rias campanhas de arrecada\u00e7\u00e3o de recursos humanos como alimentos e roupas,\u00a0 a aldeia vira praticamente uma refer\u00eancia tur\u00edstica. S\u00e3o v\u00e1rios grupos de ONGs, igrejas, empresas exercendo sua parte na responsabilidade social, que levam aos \u00edndios a ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Em 2012, uma dessas a\u00e7\u00f5es foi mobilizada pela Igreja Adventista de Bosque da Sa\u00fade, em parceria com a Ag\u00eancia Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA). Ela conseguiu arrecadar meia tonelada de alimentos e 700 pe\u00e7as de roupas. Tudo foi destinado para a aldeia Tekoa Pyau. O dia de entrega foi planejado com anteced\u00eancia e era grande a expectativa das pessoas envolvidas com o projeto. Praticamente todos, nunca haviam tido contato mais pr\u00f3ximo com \u00edndios. Qual n\u00e3o foi a surpresa, por\u00e9m, ao chegar ao local e perceber que outro grupo j\u00e1 estava realizando \u00a0brincadeiras e outras atividades recreativas e educativas com todas as crian\u00e7as. Mesmo assim, os bens arrecadados foram entregues.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin: 0px 5px;float: right\" title=\"Em meio a tanta confus\u00e3o as crian\u00e7\u00e5s encontram tempo para brincar e se divertir\" alt=\"Em meio a tanta confus\u00e3o as crian\u00e7\u00e5s encontram tempo para brincar e se divertir\" src=\"http:\/\/aws-noticias-pt.s3.amazonaws.com\/2012\/12\/20121220_adra_01.jpg\" width=\"400\" height=\"300\" border=\"0\" \/>Frustra\u00e7\u00e3o por um lado mas aprendizado e motiva\u00e7\u00e3o por outro. O l\u00edder do grupo da igreja, pastor Jo\u00e3o Ver\u00edssimo, conversou por um bom tempo com a Claudete Azevedo, coordenadora do Conselho de Mulheres. Ela explicou a situa\u00e7\u00e3o e a necessidade de envolvimento cont\u00ednuo dos agentes externos. Apresentou as dificuldades e desafios que ainda existem. Para o pastor, o alerta foi ligado. \u201cNormalmente fazemos essas campanhas para os mutir\u00f5es de natal. Mas no natal, todo mundo faz. Queremos ir al\u00e9m e, em 2013 iremos nos envolver mais com a ajuda a essa comunidade\u201d, declara Ver\u00edssimo.<\/p>\n<p>A palavra chave \u00e9 compromisso. \u201cSabe aquele que voc\u00ea tem com o trabalho? Ir todo dia, para ganhar o seu dinheiro. Quem for realmente interessado em mudar essa comunidade, tem que ter compromisso\u201d, declara Claudete. Ela diz que tem muito para ser feito. A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 um desafio muito grande que precisa ser resolvido. Existe uma escola da rede p\u00fablica bem perto da aldeia. Mas as crian\u00e7as n\u00e3o gostam de frequent\u00e1-la. Normalmente, com 13 anos j\u00e1 casam e se consideram adultos. No entanto, a demanda \u00e9 maior do que o material humano dispon\u00edvel. Claudete, apesar de agradecida a todos que a ajudam, diz que n\u00e3o consegue fazer tudo sozinha. Portanto, em 2013, continuar\u00e1 \u201cbatendo na tecla\u201d da fome. \u201cVamos erradicar esse problema\u201d, afirma com confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Maria Arapot\u00e3, representante da aldeia, conta que eles, os \u00edndios, sabem que n\u00e3o vivem na melhor realidade social do mundo. Mas ela defende que n\u00e3o existe um formato de integra\u00e7\u00e3o do \u00edndio, com sua cultura, na sociedade comum. E reclama por serem abandonados por todos, at\u00e9 mesmo pelo governo que, segundo a mulher, faz muito pouco. Contudo, ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o do Conselho das Mulheres, eles, ou somente elas, entenderam que se n\u00e3o se mobilizarem, a mis\u00e9ria nunca vai acabar. Algumas mudan\u00e7as j\u00e1 foram realizadas, como a cria\u00e7\u00e3o da cozinha, adequa\u00e7\u00e3o da caixa d\u2019\u00e1gua, entre outras. E agora, a comunidade, com a colabora\u00e7\u00e3o de volunt\u00e1rios, como Claudete, est\u00e1 mobilizada atr\u00e1s de parcerias para a melhoria das moradias, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade.<\/p>\n<p>E Maria, animada com as perspectivas de mudan\u00e7as, n\u00e3o se esquece de agradecer a todos que j\u00e1 os ajudaram. \u201cFicamos muito felizes com essas pessoas que t\u00eam um grande cora\u00e7\u00e3o. Temos v\u00e1rios problemas e queremos mudar. Ficamos felizes por saber que ainda se lembram da exist\u00eancia do \u00edndio em S\u00e3o Paulo\u201d.\u00a0[Equipe ASN, Gabriel Stein de Servi]<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">[fve]http:\/\/youtu.be\/EtZOqD59h_I|560|315[\/fve]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o Paulo, SP... 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