{"id":441769,"date":"2025-12-04T06:15:00","date_gmt":"2025-12-04T09:15:00","modified":"2025-12-03T16:02:23","modified_gmt":"2025-12-03T19:02:23","slug":"a-forca-da-comunicacao-positiva-espiritual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/felipe.lemos\/a-forca-da-comunicacao-positiva-espiritual\/","title":{"rendered":"A for\u00e7a da comunica\u00e7\u00e3o positiva espiritual"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/12\/comuncacaopositiva1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"750\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/12\/comuncacaopositiva1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-441770\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/12\/comuncacaopositiva1.png 750w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/12\/comuncacaopositiva1-250x250.png 250w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A comunica\u00e7\u00e3o positiva, sobretudo espiritual, \u00e9 uma rea\u00e7\u00e3o muito importante ao tipo de comunica\u00e7\u00e3o que se prop\u00f5e atualmente nas redes sociais. (Foto: Shutterstock e Gemini)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A famosa Universidade de Oxford, na Inglaterra, anunciou que a palavra oficial do ano de 2025 \u00e9 <em>rage bait<\/em>. Em portugu\u00eas, alguns t\u00eam traduzido como \u201cisca de raiva\u201d. No comunicado, Oxford informou que tr\u00eas palavras chegaram como finalistas e, ap\u00f3s tr\u00eas dias de vota\u00e7\u00e3o, mais de 30 mil pessoas participaram, elegendo <em>rage bait<\/em> como o termo do ano.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Leia tamb\u00e9m:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/felipe.lemos\/a-relevancia-de-uma-comunicacao-que-ensina\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A relev\u00e2ncia de uma comunica\u00e7\u00e3o que ensina<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p><em>Rage bait<\/em> pode ser definido como um conte\u00fado online pensado e planejado para provocar raiva ou indigna\u00e7\u00e3o nas pessoas. Muitas vezes \u00e9 ofensivo, agressivo e deliberadamente polarizador. O grande objetivo desse tipo de publica\u00e7\u00e3o \u00e9 aumentar tr\u00e1fego e engajamento em p\u00e1ginas da web ou em conte\u00fados espec\u00edficos de redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de isca \u00e9 bem adequada. A isca no anzol n\u00e3o \u00e9 a finalidade da pescaria; ela existe para atrair o peixe. No ambiente digital, algo semelhante ocorre: um dos motores que t\u00eam movido as intera\u00e7\u00f5es \u00e9 o \u00f3dio, a agressividade e o embate constante. A isca \u00e9 a raiva; a captura \u00e9 o clique, o coment\u00e1rio e o compartilhamento.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Menos a\u00e7\u00e3o concreta, mais viraliza\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>Algu\u00e9m poderia argumentar: se a raiva gera mobiliza\u00e7\u00e3o e a\u00e7\u00f5es para melhorar a vida, ser\u00e1 que n\u00e3o valeria a pena tolerar esse tipo de linguagem nas redes sociais? O problema \u00e9 que pesquisas recentes indicam exatamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, com um clique, uma pessoa curte, compartilha ou comenta conte\u00fados ligados ao que se chama de indigna\u00e7\u00e3o moral: rea\u00e7\u00f5es de raiva e repulsa diante de injusti\u00e7as, frequentemente justificadas por um desejo de ver algum tipo de justi\u00e7a acontecer. No entanto, essa indigna\u00e7\u00e3o moral nem sempre se converte em a\u00e7\u00e3o concreta.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo intitulado <em><a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/10.1177\/19485506251335373\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Moral Outrage Predicts the Virality of Petitions for Change on Social Media, But Not the Number of Signatures They Receive<\/a><\/em>, publicado na revista <em>Social Psychological and Personality Science<\/em>, analisou 24.785 peti\u00e7\u00f5es ativas no site Change.org e 1.286.442 posts em ingl\u00eas na plataforma X\/Twitter que continham links para essas peti\u00e7\u00f5es. O objetivo era entender se a indigna\u00e7\u00e3o moral, as postagens carregadas de raiva e repulsa diante de injusti\u00e7as, levaria a a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas ou seria apenas recompensada pelo sistema algor\u00edtmico das plataformas.<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo mostrou que posts com maior carga de indigna\u00e7\u00e3o moral recebem mais curtidas e repostagens. Em outras palavras, se encaixam perfeitamente na l\u00f3gica b\u00e1sica das redes sociais: manter todos dentro do mesmo ecossistema digital, ainda que indignados, protestando e reagindo, mas muitas vezes bem distantes dos problemas reais e no conforto do clique f\u00e1cil. Por\u00e9m, n\u00e3o houve evid\u00eancia de que essa indigna\u00e7\u00e3o moral tenha levado a um n\u00famero maior de assinaturas nas peti\u00e7\u00f5es (efeito praticamente nulo nesse sentido).<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Comunica\u00e7\u00e3o que move<\/h4>\n\n\n\n<p>Nesse contexto digital e, tamb\u00e9m, b\u00edblico-crist\u00e3o, \u00e9 importante refletir que tipo de comunica\u00e7\u00e3o desejamos praticar. Especialmente se buscamos uma alternativa mais saud\u00e1vel e eficaz do que a comunica\u00e7\u00e3o baseada em \u00f3dio, agressividade e embate, t\u00e3o estimulada pelos algoritmos.<\/p>\n\n\n\n<p>A l\u00f3gica das redes favorece uma indigna\u00e7\u00e3o que se esgota em postagens raivosas, sem muito resultado pr\u00e1tico. Em contraste, a comunica\u00e7\u00e3o crist\u00e3 se apresenta como uma comunica\u00e7\u00e3o positiva, que move as pessoas a fazer algo concreto em favor dos outros. Ela se sustenta, principalmente, em dois aspectos: ensino e chamado \u00e0 a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Gosto dos conselhos do ap\u00f3stolo Paulo a Tim\u00f3teo, que estava em \u00c9feso quando recebeu uma ep\u00edstola de incentivo e orienta\u00e7\u00e3o. Ali o jovem l\u00edder \u00e9 aconselhado: \u201cAt\u00e9 a minha chegada, dedique-se \u00e0 leitura p\u00fablica das Escrituras, \u00e0 exorta\u00e7\u00e3o, ao ensino\u201d (1 Tim\u00f3teo 4:13, vers\u00e3o NAA). O ensino sempre foi fundamental na ent\u00e3o embrion\u00e1ria igreja crist\u00e3, porque, a longo prazo, transforma pessoas e muda realidades. O cristianismo dificilmente teria exercido tanto impacto se n\u00e3o houvesse um trabalho s\u00f3lido de educa\u00e7\u00e3o de base, em que ap\u00f3stolos e pregadores sa\u00edram ensinando em v\u00e1rias partes do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, por\u00e9m, valoriza-se pouco a comunica\u00e7\u00e3o que ensina. O imediatismo adoecido de parte da sociedade contempor\u00e2nea busca respostas r\u00e1pidas, relacionamentos superficiais e conte\u00fados descart\u00e1veis. Quase tudo \u00e9 facilmente esquecido em meio \u00e0 profus\u00e3o de dados descontextualizados e mal compreendidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pessoas e organiza\u00e7\u00f5es que investem em comunica\u00e7\u00e3o por meio da educa\u00e7\u00e3o de conceitos, valores e princ\u00edpios est\u00e3o plantando hoje para colher amanh\u00e3. Isso realmente demanda mais tempo e, muitas vezes, n\u00e3o gera conte\u00fados virais nem produz explos\u00f5es de engajamento em curto prazo. Mas o ensino deixa marcas consistentes e profundas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica<\/h4>\n\n\n\n<p>Um dos grandes dilemas da comunica\u00e7\u00e3o digital moderna \u00e9 a capacidade das pessoas de se indignarem sem agir. O cristianismo b\u00edblico nos mostra que o ensino verdadeiro leva \u00e0 a\u00e7\u00e3o; no caso da religi\u00e3o, conduz a uma f\u00e9 pr\u00e1tica que opera em favor do pr\u00f3ximo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, Paulo orienta Tim\u00f3teo. Desta vez, j\u00e1 preso em Roma. Em sua segunda ep\u00edstola, ele afirma: \u201cPorque Deus n\u00e3o nos deu esp\u00edrito de covardia, mas de poder, de amor e de modera\u00e7\u00e3o\u201d (2 Tim\u00f3teo 1:7, vers\u00e3o NAA). Poder, amor e modera\u00e7\u00e3o s\u00e3o, em ess\u00eancia, a f\u00e9 em a\u00e7\u00e3o. Paulo declara que o esp\u00edrito de covardia n\u00e3o deve guiar o crist\u00e3o. Logo, quem cr\u00ea \u00e9 chamado a agir de maneira concreta, agradando a Deus e auxiliando as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ellen White, profetisa e pioneira adventista, escreveu que \u201ca f\u00e9 genu\u00edna se manifestar\u00e1 em boas obras, pois boas obras s\u00e3o frutos da f\u00e9\u201d. Em outras palavras, f\u00e9 que n\u00e3o se traduz em atitude fica apenas no discurso.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Dicas pr\u00e1ticas<\/h4>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea n\u00e3o deseja ser v\u00edtima e nem agressor, pense em algumas possibilidades:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Pause antes de reagir: n\u00e3o comente no calor da emo\u00e7\u00e3o<\/strong><strong><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de curtir, comentar ou compartilhar um conte\u00fado que provoque raiva, fa\u00e7a uma pausa intencional. Pergunte a si mesmo: Isso \u00e9 verdade? Isso me ajuda a entender melhor a situa\u00e7\u00e3o ou s\u00f3 me deixa mais irritado?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Verifique fonte e inten\u00e7\u00e3o: quem ganha com a minha raiva?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de clicar ou espalhar um conte\u00fado indignado, vale checar se as fontes s\u00e3o confi\u00e1veis ou s\u00f3 t\u00eam pol\u00eamica; al\u00e9m disso, \u00e9 preciso analisar se o texto ou v\u00eddeo apresentam fatos, ou apenas frases inflamadas e generaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando voc\u00ea se acostuma a perguntar \u201cquem ganha com a minha raiva?\u201dfica mais f\u00e1cil perceber quando est\u00e1 sendo manipulado. E, assim, evita ser v\u00edtima do <em>rage bait<\/em> e, tamb\u00e9m, deixa de funcionar como multiplicador dessa agressividade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Transformar indigna\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00e3o concreta e linguagem respeitosa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Indignar-se com a injusti\u00e7a pode ser algo leg\u00edtimo, mas a sa\u00edda crist\u00e3 n\u00e3o \u00e9 o ataque pessoal, e sim a a\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e a comunica\u00e7\u00e3o respeitosa. Ao inv\u00e9s de partir para o desabafo agressivo nas redes: procure se informar melhor sobre o tema e apoie iniciativas s\u00e9rias que enfrentam o problema (projetos, institui\u00e7\u00f5es, a\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas).<\/p>\n\n\n\n<p>A comunica\u00e7\u00e3o positiva, especialmente no \u00e2mbito espiritual, convida as pessoas a sa\u00edrem do terreno confort\u00e1vel do discurso negativo e est\u00e9ril. \u00c9 um movimento em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a real \u2014 no pr\u00f3prio comportamento e no mundo ao redor. A f\u00e9 b\u00edblica n\u00e3o \u00e9 inativa, nem meramente contemplativa, muito menos restrita a reclama\u00e7\u00f5es e cr\u00edticas gen\u00e9ricas. Ela opera para fazer diferen\u00e7a concreta na vida de muitas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, ensino que leva \u00e0 a\u00e7\u00e3o \u00e9 o que realmente precisa acontecer. \u00c9 menos chamativo do que o <em>rage bait<\/em>, mas tende a ser mais efetivo e a produzir resultados mais duradouros, tanto na vida de quem comunica quanto na de quem recebe a mensagem.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias:<\/h4>\n\n\n\n<p>1.OXFORD UNIVERSITY PRESS. <strong>The Oxford Word of the Year 2025 is rage bait.<\/strong> 1 dez. 2025. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/corp.oup.com\/news\/the-oxford-word-of-the-year-2025-is-rage-bait\/\\&gt;. Acesso em: 3 dez. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>2. WHITE, Ellen G. Justificados pela f\u00e9. In: WHITE, Ellen G. <em>Mensagens escolhidas<\/em>. Vol. 1. Tatu\u00ed, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2021. p. 397.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea tamb\u00e9m pode receber esse e outros conte\u00fados&nbsp;<strong>diretamente<\/strong>&nbsp;no seu dispositivo. 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