{"id":430975,"date":"2025-09-16T14:52:21","date_gmt":"2025-09-16T17:52:21","modified":"2025-09-16T16:43:19","modified_gmt":"2025-09-16T19:43:19","slug":"esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/maurabrandao\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo\/","title":{"rendered":"Esclarecendo alguns mal entendidos acerca do criacionismo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo-960x540.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-431089\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo-240x135.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">O di\u00e1logo sincero, sem barreiras, ajuda a compreender cosmovis\u00f5es distintas, como a criacionista (Imagem: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Dentro do contexto social e cultural em que vivemos, imersos nas redes sociais, tem sido bastante desafiador dialogar de forma aut\u00eantica. Muitas pessoas se escondem atr\u00e1s de avatares e, quando se expressam, frequentemente repetem, como um disco riscado, ideias equivocadas propagadas por pseudoinfluenciadores. Por isso, tem sido uma tarefa \u00e1rdua distinguir o fato da distor\u00e7\u00e3o e a verdade da mentira. O resultado \u00e9 uma esp\u00e9cie de disson\u00e2ncia cognitiva coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Dentro da \u00e1rea da ci\u00eancia, a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 muito diferente. O conceito de verdade se tornou um terreno de disputa. Ao longo dos s\u00e9culos e influenciados por distintas correntes filos\u00f3ficas, o conceito de verdade tornou-se fluido: paradigmas que em determinada \u00e9poca foram considerados inquestion\u00e1veis, se revelaram equivocados. Um exemplo marcante \u00e9 a cren\u00e7a no geocentrismo. Durante s\u00e9culos, acreditou-se que a Terra era o centro do universo, uma convic\u00e7\u00e3o sustentada at\u00e9 ser derrubada pelas observa\u00e7\u00f5es de Nicolau Cop\u00e9rnico, Galileu Galilei e Johannes Kepler. Os cientistas, portanto, redefinem continuamente o que se entende por verdade conforme novos conhecimentos surgem.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Leia tamb\u00e9m:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/maurabrandao\/o-medo-de-darwin-e-justificado-registro-fossil-esta-longe-de-confirmar-a-evolucao\/\">O medo de Darwin \u00e9 justificado: registro f\u00f3ssil est\u00e1 longe de confirmar a evolu\u00e7\u00e3o<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/maurabrandao\/religiao-ponte-ou-barreira-ao-conhecimento-cientifico\/\">Religi\u00e3o: Ponte ou barreira ao conhecimento cient\u00edfico?<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>J\u00e1 para aqueles que possuem a cosmovis\u00e3o crist\u00e3, a verdade n\u00e3o \u00e9 relativa nem transit\u00f3ria. Ela se ancora em Deus e sua palavra como fonte absoluta, independentemente de varia\u00e7\u00f5es culturais ou interpreta\u00e7\u00f5es humanas. Essa compreens\u00e3o oferece um senso de prop\u00f3sito que vai al\u00e9m da mera sobreviv\u00eancia: orienta decis\u00f5es, molda valores e d\u00e1 sentido \u00e0 exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Naturalismo e criacionismo: duas cosmovis\u00f5es concorrentes<\/h4>\n\n\n\n<p>Atualmente, duas cosmovis\u00f5es disputam espa\u00e7o na interpreta\u00e7\u00e3o da realidade: o naturalismo, que \u00e9 um pressuposto b\u00e1sico da cosmovis\u00e3o evolucionista, e o criacionismo, caracter\u00edstica da cosmovis\u00e3o b\u00edblico-crist\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>O naturalismo sustenta que todos os fen\u00f4menos podem ser explicados sem recorrer a agentes sobrenaturais ou a um Criador. Nessa perspectiva, as ferramentas da ci\u00eancia seriam suficientes para descrever e explicar a origem e o funcionamento do universo. O criacionismo, por outro lado, combina pressupostos b\u00edblicos e filos\u00f3ficos \u00e0 an\u00e1lise cient\u00edfica, reconhecendo como plaus\u00edveis hip\u00f3teses que o naturalismo descarta por princ\u00edpio. Essa abordagem interpretativa amplia o horizonte de leitura dos dados, permitindo que f\u00f3sseis, rochas ou evid\u00eancias geol\u00f3gicas sejam entendidos sob diferentes lentes, sem que determinadas hip\u00f3teses sejam negadas.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">A heran\u00e7a cient\u00edfica da cosmovis\u00e3o crist\u00e3<\/h4>\n\n\n\n<p>Embora muitas vezes caricaturada como anticient\u00edfica ou pseudoci\u00eancia (o que \u00e9 um equ\u00edvoco), a cosmovis\u00e3o crist\u00e3 criacionista desempenhou papel central na constru\u00e7\u00e3o dos pilares da ci\u00eancia moderna. Cientistas como Cop\u00e9rnico, Galilei, Kepler e Newton desenvolveram suas teorias movidos pela convic\u00e7\u00e3o de que a natureza refletia a racionalidade e a ordem do Criador. Estudar os fen\u00f4menos naturais era, para eles, uma forma de compreender a mente divina. <\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo marcante \u00e9 o de Isaac Newton. Em uma carta enviada em 1692 a um amigo, Richard Bentley, Newton afirmou que o objetivo de seus estudos (como em seu c\u00e9lebre livro <em>Princ\u00edpia<\/em>), era levar as pessoas a pensarem e acreditarem em Deus. Ele registrou: \u201cQuando escrevi meu tratado sobre nosso sistema, eu tinha em mente princ\u00edpios que pudessem funcionar na considera\u00e7\u00e3o dos homens quanto \u00e0 cren\u00e7a em uma Divindade; e nada pode me alegrar mais do que consider\u00e1-lo \u00fatil para esse prop\u00f3sito.\u201d\u00b9<\/p>\n\n\n\n<p>Testemunhos como esse evidenciam que f\u00e9 e ci\u00eancia n\u00e3o precisam ser vistas como opostas. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o abordagens complementares: enquanto a ci\u00eancia busca explicar como os fen\u00f4menos acontecem, a f\u00e9 aponta para o quem e o prop\u00f3sito respons\u00e1vel pela ordem observada no universo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo nesse contexto, ainda h\u00e1 quem defenda que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel realizar pesquisa cient\u00edfica de qualidade levando em conta, por exemplo, o relato b\u00edblico a respeito das origens. A cosmovis\u00e3o criacionista, com frequ\u00eancia, \u00e9 alvo de cr\u00edticas sendo muitas vezes rotulada como pseudoci\u00eancia ou associada \u00e0 Teoria do Design Inteligente, vista por alguns como criacionismo disfar\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p>A seguir ser\u00e3o discutidas quatro cr\u00edticas comuns direcionadas \u00e0 cosmovis\u00e3o criacionista e por que elas n\u00e3o fazem o menor sentido.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">1. Criacionistas ignoram evid\u00eancias evolutivas<\/h4>\n\n\n\n<p>Uma cr\u00edtica comum dirigida ao criacionismo \u00e9 a de que seus defensores ignoram as chamadas \u201cevid\u00eancias evolutivas\u201d. No entanto, \u00e9 importante destacar que n\u00e3o existem \u201cevid\u00eancias evolutivas\u201d ou \u201cevid\u00eancias criacionistas\u201d: evid\u00eancia \u00e9 evid\u00eancia. Um f\u00f3ssil, por exemplo, n\u00e3o pode ser rotulado como evolucionista ou criacionista. Ele \u00e9 simplesmente um f\u00f3ssil. O que pode variar \u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o feita pelo cientista que o estuda, seja a partir da perspectiva evolucionista, seja da criacionista.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo ilustrativo \u00e9 o de um plesiossauro exposto no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres. Esse animal foi preservado quase completo, com as partes ainda articuladas, o que sugere que foi soterrado rapidamente. Caso tivesse permanecido exposto, teria sido consumido por organismos detrit\u00edvoros e sido desmembrado com o tempo. Para que um f\u00f3ssil como esse fosse preservado de forma t\u00e3o \u00edntegra, era necess\u00e1rio um soterramento r\u00e1pido. A cosmovis\u00e3o criacionista interpreta esse processo como resultado da grande cat\u00e1strofe do Dil\u00favio, enquanto a perspectiva evolucionista o entende como eventos localizados ocorridos no passado, sem implica\u00e7\u00f5es globais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/CAPA-artigo-ok.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1600\" height=\"900\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/CAPA-artigo-ok.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-430987\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/CAPA-artigo-ok.jpeg 1600w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/CAPA-artigo-ok-480x270.jpeg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/CAPA-artigo-ok-960x540.jpeg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/CAPA-artigo-ok-240x135.jpeg 240w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/CAPA-artigo-ok-768x432.jpeg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/CAPA-artigo-ok-1536x864.jpeg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1600px) 100vw, 1600px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">F\u00f3ssil de plesiossauro em exibi\u00e7\u00e3o no Museu de Hist\u00f3ria Natural de Londres. (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">2. O criacionismo foi refutado pela evolu\u00e7\u00e3o<\/h4>\n\n\n\n<p>Muitos cr\u00edticos afirmam que o criacionismo teria sido refutado pela evolu\u00e7\u00e3o, mas antes de aceitar tal afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental esclarecer o que se entende por evolu\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o termo \u00e9 frequentemente usado de maneira imprecisa. Em sentido amplo, e como foi estabelecido pelo pr\u00f3prio Darwin, evolu\u00e7\u00e3o significa descend\u00eancia com modifica\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, quando indiv\u00edduos transmitem caracter\u00edsticas \u00e0s gera\u00e7\u00f5es seguintes com pequenas varia\u00e7\u00f5es. Exemplos como as diferen\u00e7as no formato do bico dos tentilh\u00f5es ou as varia\u00e7\u00f5es no casco entre as tartarugas gigantes das Ilhas Gal\u00e1pagos ilustram esse processo. <\/p>\n\n\n\n<p>Tais mudan\u00e7as, conhecidas como microevolu\u00e7\u00e3o, correspondem a varia\u00e7\u00f5es dentro de uma mesma esp\u00e9cie, algo que os criacionistas n\u00e3o negam. As diversas ra\u00e7as de c\u00e3es, que v\u00e3o do pug ao husky, s\u00e3o um exemplo claro: todos pertencem \u00e0 mesma esp\u00e9cie (<em>Canis lupus<\/em>), mas apresentam ampla diversidade em tamanho, for\u00e7a e adapta\u00e7\u00e3o. Essas varia\u00e7\u00f5es surgiram ao longo do tempo, estimuladas pela sele\u00e7\u00e3o artificial conduzida pelo ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o criacionismo, tais processos s\u00e3o poss\u00edveis porque entende-se que Deus criou os seres vivos com capacidade de adapta\u00e7\u00e3o, embora dentro de limites. Em contraste, os evolucionistas defendem tamb\u00e9m a exist\u00eancia de macroevolu\u00e7\u00e3o, ou seja, mudan\u00e7as em escala muito maior, capazes de gerar novos grupos de organismos a partir de ancestrais comuns. Nessa perspectiva, a sele\u00e7\u00e3o natural, ao longo de milh\u00f5es de anos, poderia originar novas formas de vida, como os T-Rex dando origem, ap\u00f3s milh\u00f5es de anos, a aves como as galinhas. Contudo, criacionistas consideram essa interpreta\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel, pois n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias observacionais conclusivas e o registro f\u00f3ssil apresenta lacunas significativas.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, enquanto a teoria evolucionista se baseia na ideia de uma \u00fanica \u00e1rvore da vida, o criacionismo prop\u00f5e a baraminologia\u00b2, segundo a qual Deus criou diferentes tipos b\u00e1sicos de organismos, compar\u00e1veis a um pomar, em que cada grupo pode se diversificar internamente, mas sem ultrapassar os limites estabelecidos na cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/FOTO-artigo.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"864\" height=\"477\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/FOTO-artigo.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-430988\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/FOTO-artigo.png 864w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/FOTO-artigo-768x424.png 768w\" sizes=\"(max-width: 864px) 100vw, 864px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Representa\u00e7\u00e3o esquem\u00e1tica do surgimento da diversidade da vida na perspectiva evolutiva Darwinista (A \u2013 \u00e1rvore da vida), representando o gradualismo com apenas um \u00fanico ancestral comum universal; e a representa\u00e7\u00e3o criacionista com v\u00e1rios tipos b\u00e1sicos ancestrais (B - Pomar da vida), dando origem a descendentes dentro de limites. Adaptado pela autora de orchardoflifescience.com<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">3. Criacionismo \u00e9 Design Inteligente disfar\u00e7ado<\/h4>\n\n\n\n<p>Recentemente, a revista Superinteressante publicou um texto criticando o Design Inteligente, classificando-o como \u201cuma pseudoci\u00eancia criacionista que tenta se infiltrar nas escolas\u201d\u00b3. Contudo, \u00e9 preciso esclarecer que criacionismo n\u00e3o \u00e9 pseudoci\u00eancia, nem Design Inteligente disfar\u00e7ado: tratam-se de perspectivas distintas. O Design Inteligente \u00e9 apresentado por diversos te\u00f3ricos, como Michael Behe e Stephen Meyer, que defendem ser poss\u00edvel utilizar o m\u00e9todo cient\u00edfico para identificar evid\u00eancias de um designer na natureza. Entre os crit\u00e9rios utilizados, destacam-se os conceitos de complexidade irredut\u00edvel e a de informa\u00e7\u00e3o especificada. <\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de complexidade irredut\u00edvel \u00e9 frequentemente ilustrado pelo exemplo da ratoeira: se qualquer uma de suas pe\u00e7as falhar ou estiver ausente, o mecanismo deixa de cumprir sua fun\u00e7\u00e3o. De maneira an\u00e1loga, sistemas biol\u00f3gicos como a estrutura propulsora do flagelo bacteriano ou o complexo enzim\u00e1tico da ATP sintase dependem da presen\u00e7a e do funcionamento adequado de todos os seus componentes. A aus\u00eancia ou o defeito de uma \u00fanica parte compromete todo o sistema, impossibilitando seu funcionamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o gradualismo \u00e9 real, esses sistemas n\u00e3o poderiam ser formados ao longo dos milh\u00f5es de anos, pois seriam eliminados pela sele\u00e7\u00e3o natural. J\u00e1 o conceito de informa\u00e7\u00e3o especificada se refere \u00e0 informa\u00e7\u00e3o presente nos seres vivos, como o c\u00f3digo do DNA. Essas mol\u00e9culas n\u00e3o poderiam ter surgido unicamente por meio da sele\u00e7\u00e3o natural, j\u00e1 que esta n\u00e3o teria capacidade de gerar informa\u00e7\u00e3o nova com esse n\u00edvel de organiza\u00e7\u00e3o. Assim, o Design Inteligente busca analisar processos naturais e avaliar se \u00e9 mais prov\u00e1vel que tenham sido resultado de uma causa inteligente do que por mecanismos puramente naturais, sem assumir compromisso direto com a identidade desse designer.<\/p>\n\n\n\n<p>O criacionismo, por sua vez, \u00e9 uma cosmovis\u00e3o que reconhece esse designer como o Criador revelado nas Escrituras e envolve uma dimens\u00e3o de f\u00e9 racional com base em evid\u00eancias fornecidas pelo m\u00e9todo cient\u00edfico. Portanto, embora ambos critiquem limita\u00e7\u00f5es da teoria evolutiva, n\u00e3o podem ser confundidos. H\u00e1 inclusive pessoas agn\u00f3sticas ou sem v\u00ednculo religioso que aceitam o Design Inteligente sem se identificarem como criacionistas. Por isso, ao se reduzir o debate a uma associa\u00e7\u00e3o simplista entre criacionismo e Design Inteligente, corre-se o risco de incorrer em fal\u00e1cias, em vez de promover uma discuss\u00e3o consistente sobre as fragilidades e implica\u00e7\u00f5es de cada perspectiva.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">4. Criacionismo \u00e9 religi\u00e3o, n\u00e3o tem base cient\u00edfica<\/h4>\n\n\n\n<p>O criacionismo n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o em si, mas uma cosmovis\u00e3o. Enquanto existem diversas denomina\u00e7\u00f5es religiosas, o criacionismo se caracteriza por compreender que h\u00e1 evid\u00eancias cient\u00edficas, hist\u00f3ricas e arqueol\u00f3gicas que d\u00e3o suporte \u00e0 f\u00e9 no relato b\u00edblico da cria\u00e7\u00e3o \u2014 n\u00e3o apenas no livro de G\u00eanesis, mas em toda a B\u00edblia como um conjunto coerente e digno de confian\u00e7a. Al\u00e9m disso, reconhece que a pr\u00f3pria natureza, em suas dimens\u00f5es vis\u00edveis e invis\u00edveis, aponta para o Criador. <\/p>\n\n\n\n<p>Como afirma o salmista: \u201cOs c\u00e9us proclamam a gl\u00f3ria de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas m\u00e3os\u201d (Salmos 19:1-2). De forma semelhante, Paulo escreve: \u201cOs atributos invis\u00edveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, s\u00e3o vistos claramente desde a cria\u00e7\u00e3o do mundo, sendo percebidos por meio das coisas criadas\u201d (Romanos 1:20). Isso mostra que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que Deus fa\u00e7a um discurso direto; pela observa\u00e7\u00e3o e pelo estudo da natureza \u00e9 poss\u00edvel reconhecer Sua interven\u00e7\u00e3o na vida dos seres criados. A f\u00e9, portanto, n\u00e3o deve ser cega, mas fundamentada em evid\u00eancias que apelam \u00e0 raz\u00e3o humana, como o ap\u00f3stolo Paulo afirma em Romanos 12:1 ao exortar ao culto racional.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, o criacionismo \u00e9 uma cosmovis\u00e3o sustentada por m\u00faltiplos tipos de evid\u00eancias, incluindo as cient\u00edficas, que revelam ordem e prop\u00f3sito no universo. Da mesma forma que n\u00e3o vemos a gravidade ou as leis que regem o movimento dos planetas, mas as reconhecemos por meio de c\u00e1lculos e observa\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m compreendemos que onde h\u00e1 leis, h\u00e1 um legislador.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante perceber que as cr\u00edticas ao criacionismo e os debates entre defensores do Design Inteligente e da teoria da evolu\u00e7\u00e3o revelam muito mais do que uma simples disputa de evid\u00eancias: eles mostram como diferentes perspectivas moldam nossa compreens\u00e3o da realidade, inclusive no que diz respeito \u00e0 exist\u00eancia ou n\u00e3o do transcendente. Diante disso, podemos ser tentados a adotar uma postura combativa, como se a aceita\u00e7\u00e3o da nossa cosmovis\u00e3o dependesse unicamente da nossa habilidade de argumenta\u00e7\u00e3o e persuas\u00e3o. No entanto, \u00e9 fundamental lembrar de dois pontos essenciais. Primeiro, n\u00e3o somos n\u00f3s, mas a a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo que convence as pessoas (Jo\u00e3o 16:8). Segundo, por tr\u00e1s das discuss\u00f5es sobre cria\u00e7\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o existe um pano de fundo maior: o grande conflito.<\/p>\n\n\n\n<p>Nosso advers\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 aquele com quem dialogamos, mas Satan\u00e1s. Por isso, nossa prepara\u00e7\u00e3o deve ir al\u00e9m dos argumentos cient\u00edficos e filos\u00f3ficos, incluindo tamb\u00e9m o estudo profundo da Palavra de Deus. Assim, mesmo que o resultado imediato n\u00e3o seja o esperado, podemos ter a certeza de que estamos acompanhados pelo maior e melhor aliado: o nosso Criador.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h4>\n\n\n\n<p>[1]Carta original de Isaac Newton para Richard Bentley. The Newton Project . 10 de dez de 1692. University of Oxford, publicado online em out de 2007. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.newtonproject.ox.ac.uk\/view\/texts\/normalized\/THEM00254\">https:\/\/www.newtonproject.ox.ac.uk\/view\/texts\/normalized\/THEM00254<\/a>. Acesso em: 31 ago. 2025.<\/p>\n\n\n\n<p>[2] MARSH, Frank L. Variation and fixity in nature. Creation Research Society Quarterly, v. 11, p. 60-68, jun. 1974.<\/p>\n\n\n\n<p>[3] Bruno Carbinato. O que \u00e9 \u201cdesign inteligente\u201d, a pseudoci\u00eancia criacionista que tenta se infiltrar nas escolas. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/ciencia\/o-que-e-o-design-inteligente-a-pseudociencia-criacionista-que-tenta-se-infiltrar-nas-escolas\/\">https:\/\/super.abril.com.br\/ciencia\/o-que-e-o-design-inteligente-a-pseudociencia-criacionista-que-tenta-se-infiltrar-nas-escolas\/<\/a>. Acesso em 20 de ago de 2025.Amazon<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos em que a verdade tem se tornado relativa, a cosmovis\u00e3o crist\u00e3 traz uma base \u00fanica e forte: Deus como o Criador <\/p>\n","protected":false},"author":362,"featured_media":431089,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3216],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[61],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-430975","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-ciencia","xtt-pa-regiao-brasil","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"Ci\u00eancia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo-768x384.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/09\/esclarecendo-alguns-mal-entendidos-acerca-do-criacionismo-480x270.jpg"}}