{"id":416931,"date":"2025-05-15T18:02:31","date_gmt":"2025-05-15T21:02:31","modified":"2025-05-15T18:03:03","modified_gmt":"2025-05-15T21:03:03","slug":"reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/maurabrandao\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso\/","title":{"rendered":"Reviver esp\u00e9cies extintas: \u2018desextin\u00e7\u00e3o\u2019 reacende debate cient\u00edfico, ambiental e religioso"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"563\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-417087\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso.jpg 1000w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso-240x135.jpg 240w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os avan\u00e7os da engenharia gen\u00e9tica tamb\u00e9m trazem implica\u00e7\u00f5es para a perspectiva criacionista (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em abril de 2025, uma not\u00edcia cient\u00edfica surpreendente estampou as manchetes: a empresa de biotecnologia Colossal Biosciences, dos Estados Unidos, anunciou ter \"trazido de volta\" o lobo-terr\u00edvel (Aenocyon dirus), um can\u00eddeo extinto h\u00e1 milhares de anos. T\u00e9cnicas de engenharia gen\u00e9tica possibilitaram essa fa\u00e7anha \u2013 um feito in\u00e9dito que, se confirmado, marcaria a primeira recria\u00e7\u00e3o bem-sucedida de uma esp\u00e9cie extinta h\u00e1 aproximadamente 12 mil anos [1] (de acordo com a cronologia convencional).<\/p>\n\n\n\n<p>Acredita-se que o lobo-terr\u00edvel tenha coexistido com outras esp\u00e9cies not\u00e1veis da megafauna do Pleistoceno. F\u00f3sseis revelam que esses animais possu\u00edam pernas e mand\u00edbulas mais robustas que as dos lobos modernos, priorizando a for\u00e7a em detrimento da velocidade. Eram predadores de grande porte da Era do Gelo, dominantes em vastas \u00e1reas da Am\u00e9rica do Norte.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Leia tamb\u00e9m:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/coluna\/carlos.magalhaes\/membro-2-0-o-cristao-na-era-da-inteligencia-artificial\/\">Membro 4.0: O crist\u00e3o na era da Intelig\u00eancia Artificial<\/a><\/li>\n\n\n\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/conheca-a-riqueza-do-livro-de-ezequiel\/\">Conhe\u00e7a a riqueza do livro de Ezequiel&nbsp;<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>A Colossal Biosciences revelou o nascimento de tr\u00eas filhotes entre o final de 2024 e o in\u00edcio de 2025: Romulus, Remus e Khaleesi. Em comunicado oficial, a empresa descreveu o evento como \u201co primeiro animal desextinto com sucesso no mundo\u201d [2]. A not\u00edcia viralizou, dominando sites e portais de not\u00edcias, e desencadeou intensos questionamentos \u00e9ticos: Estaria a humanidade ultrapassando limites perigosos ao \"brincar de Deus\" e manipular a vida? Quais seriam as implica\u00e7\u00f5es de reintroduzir uma criatura extinta em nosso mundo contempor\u00e2neo?<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">\u2018Recriando\u2019 um lobo pr\u00e9-hist\u00f3rico<\/h4>\n\n\n\n<p>Para \"recriar\" o lobo-terr\u00edvel, foram empregadas t\u00e9cnicas de engenharia gen\u00e9tica de ponta. Pesquisadores da Colossal sequenciaram o DNA extra\u00eddo de f\u00f3sseis do animal, incluindo um dente de aproximadamente 13 mil anos e um osso do ouvido de 72 mil anos [3]. Ao analisar esse material gen\u00e9tico e compar\u00e1-lo com o DNA do lobo cinzento (Canis lupus), seu parente vivo mais pr\u00f3ximo, identificaram cerca de 20 sequ\u00eancias em 14 genes exclusivos do lobo-terr\u00edvel, associadas a caracter\u00edsticas f\u00edsicas marcantes, como maior porte, cabe\u00e7a mais larga e pelagem mais espessa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s mapear essas diferen\u00e7as, os cientistas utilizaram a t\u00e9cnica CRISPR* para editar o DNA do lobo cinzento, incorporando caracter\u00edsticas do lobo-terr\u00edvel. Em ess\u00eancia, os cientistas inseriram informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas do lobo-terr\u00edvel em 20 segmentos espec\u00edficos do DNA do lobo cinzento. Essas sequ\u00eancias de DNA modificadas foram ent\u00e3o utilizadas em uma t\u00e9cnica de clonagem.<\/p>\n\n\n\n<p>O material gen\u00e9tico editado foi inserido em \u00f3vulos de cachorro dom\u00e9stico, e os embri\u00f5es resultantes foram implantados em f\u00eameas caninas que serviram como barrigas de aluguel [2]. Ap\u00f3s um per\u00edodo gestacional de aproximadamente 62 dias, nasceram tr\u00eas filhotes saud\u00e1veis \u2013 Romulus, Remus e Khaleesi \u2013 exibindo as caracter\u00edsticas do lobo extinto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 crucial ressaltar que o lobo terr\u00edvel \"ressuscitado\" n\u00e3o \u00e9 uma r\u00e9plica 100% fiel aos animais que viveram h\u00e1 mil\u00eanios, mas sim uma modifica\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie existente para se assemelhar \u00e0 extinta. Portanto, afirmar que o lobo terr\u00edvel foi totalmente desextinto pode ser considerado um exagero, alimentando expectativas irreais, compar\u00e1veis ao cen\u00e1rio ficcional de Jurassic Park.<\/p>\n\n\n\n<p>A clonagem em animais n\u00e3o \u00e9 uma novidade. A inova\u00e7\u00e3o reside na edi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via do DNA antes da clonagem propriamente dita. Para a empresa respons\u00e1vel pelo projeto, casos bem-sucedidos como este podem servir como ferramentas de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, oferecendo uma plataforma tecnol\u00f3gica para futuras aplica\u00e7\u00f5es em prol de esp\u00e9cies atualmente amea\u00e7adas \u2013 por exemplo, inserindo genes de resist\u00eancia a doen\u00e7as ou aumentando a variabilidade gen\u00e9tica de popula\u00e7\u00f5es em decl\u00ednio [2, 4].<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/LOBO.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"429\" height=\"308\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/LOBO.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-416942\" style=\"aspect-ratio:1.7777777777777777;object-fit:cover;width:720px;height:auto\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Os filhotes Romulus e Remus. (Imagem: Colossal Biosciences)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Preocupa\u00e7\u00f5es, cr\u00edticas e desafios<\/h4>\n\n\n\n<p>Apesar do entusiasmo, muitos cientistas expressam preocupa\u00e7\u00e3o e ceticismo quanto \u00e0 viabilidade ecol\u00f3gica da \"desextin\u00e7\u00e3o\" do lobo-terr\u00edvel. Embora a Colossal se orgulhe de \"devolver o lobo-terr\u00edvel ao seu devido lugar no ecossistema\", alguns argumentam que essa ideia \u00e9 falha, uma vez que esses animais habitaram um per\u00edodo hist\u00f3rico do planeta que n\u00e3o existe mais, e seu habitat desapareceu.<\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo se aplica aos Mamutes Lanudos, que a empresa tamb\u00e9m planeja desextinguir. A reintrodu\u00e7\u00e3o de um predador desse porte nos ecossistemas atuais pode acarretar consequ\u00eancias imensur\u00e1veis e imprevis\u00edveis, como dificuldades de adapta\u00e7\u00e3o e sofrimento, caso o ambiente n\u00e3o atenda \u00e0s suas necessidades ecol\u00f3gicas. Outra preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 a possibilidade de competi\u00e7\u00e3o ou preda\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies nativas, levando a decl\u00ednios populacionais ou at\u00e9 mesmo novas extin\u00e7\u00f5es locais [5]. Em outras palavras, introduzir um \"novo-velho\" participante na teia da vida atual pode abrir uma \"Caixa de Pandora\" ecol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma quest\u00e3o crucial \u00e9: onde esses animais viveriam em seguran\u00e7a? No caso dos lobos-terr\u00edveis da Colossal, os tr\u00eas filhotes permanecem em um santu\u00e1rio fechado de pouco mais de 800 hectares, em uma localidade n\u00e3o divulgada [1]. A empresa n\u00e3o planeja (pelo menos por enquanto) libertar esses animais na natureza. Mesmo que o fizesse, a reinser\u00e7\u00e3o de criaturas criadas em cativeiro no ambiente selvagem representa um desafio consider\u00e1vel, como j\u00e1 mencionado. Estudos demonstram que esp\u00e9cies nascidas fora de seu habitat frequentemente n\u00e3o desenvolvem comportamentos de sobreviv\u00eancia adequados. Muitas esp\u00e9cies, principalmente mam\u00edferos, dependem do per\u00edodo de conviv\u00eancia com os pais para aprender a ca\u00e7ar, defender-se e esconder-se, estabelecendo, inclusive, estruturas hier\u00e1rquicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme salientado por conservacionistas, animais clonados ou criados em laborat\u00f3rio tendem a enfrentar maiores dificuldades em cativeiro do que prosperariam em liberdade, caso fossem soltos sem o devido preparo [4]. Assim, a realidade mais prov\u00e1vel \u00e9 que esses \u201clobos tem\u00edveis\u201d fiquem sob cuidados humanos permanentes \u2013 o que contradiz o objetivo de restaurar plenamente uma esp\u00e9cie extinta em seu papel ecol\u00f3gico original.<\/p>\n\n\n\n<p>Especialistas tamb\u00e9m alertam para os desafios t\u00e9cnicos envolvidos. A clonagem e a gesta\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies extintas exigem in\u00fameras tentativas e apresentam baixos \u00edndices de sucesso. O caso do bucardo, uma cabra montesa dos Pireneus extinta em 2000, ilustra essa dificuldade. Cientistas espanh\u00f3is clonaram um filhote de bucardo em 2003 \u2013 o primeiro caso de \u201cressurrei\u00e7\u00e3o\u201d de um animal extinto \u2013, mas o clone sobreviveu apenas alguns minutos ap\u00f3s o nascimento, devido a problemas respirat\u00f3rios cong\u00eanitos. A obten\u00e7\u00e3o desse \u00fanico e breve nascimento exigiu a implanta\u00e7\u00e3o de mais de 200 embri\u00f5es em m\u00e3es de aluguel caprinas ao longo de v\u00e1rios anos [6]. Essa experi\u00eancia demonstra os imensos obst\u00e1culos biol\u00f3gicos: mesmo com DNA vi\u00e1vel dispon\u00edvel, recriar uma vida implica enfrentar altas taxas de falha no desenvolvimento embrion\u00e1rio, riscos de malforma\u00e7\u00f5es e complica\u00e7\u00f5es no parto. <\/p>\n\n\n\n<p>No caso dos lobos tem\u00edveis, a Colossal informa que utilizou c\u00e3es dom\u00e9sticos como barrigas de aluguel e recorreu a cesarianas para garantir o parto seguro dos filhotes [2]. Persiste, ainda, a incerteza quanto \u00e0 sa\u00fade a longo prazo desses animais gerados artificialmente \u2013 clones, em geral, podem apresentar envelhecimento acelerado ou vulnerabilidades imunol\u00f3gicas devido aos processos de manipula\u00e7\u00e3o celular, conforme demonstrado em estudos anteriores.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Cosmovis\u00e3o crist\u00e3 e a manipula\u00e7\u00e3o da vida<\/h4>\n\n\n\n<p>Existe um limite para a interven\u00e7\u00e3o humana na natureza, especialmente quando se trata de trazer de volta esp\u00e9cies j\u00e1 extintas? Alguns cr\u00edticos alertam para o perigo da arrog\u00e2ncia de acreditar que detemos o controle absoluto sobre os seres vivos. N\u00e3o estar\u00edamos instrumentalizando a vida e tratando-a como um mero objeto de laborat\u00f3rio, com o \u00fanico prop\u00f3sito de explorar comercialmente essas criaturas geneticamente modificadas? Investidores e celebridades j\u00e1 investem em iniciativas como esta, visando transformar animais extintos em atra\u00e7\u00f5es de zool\u00f3gico ou produtos de mercado, o que gera desconforto \u00e9tico em muitos observadores [5].<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de avan\u00e7os cient\u00edficos t\u00e3o impressionantes, como o an\u00fancio do \"retorno\" do lobo-terr\u00edvel, surge naturalmente uma reflex\u00e3o sob a cosmovis\u00e3o crist\u00e3, particularmente no contexto adventista e criacionista. Como podemos interpretar o desenvolvimento da ci\u00eancia, especialmente no campo da biotecnologia, a partir de uma perspectiva crist\u00e3?<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, a B\u00edblia ensina que Deus \u00e9 o Criador e sustentador de todas as formas de vida, e que a Terra e tudo que nela existe pertence a Ele. No livro de G\u00eanesis, aprendemos que Deus concedeu aos seres humanos \u201cdom\u00ednio\u201d sobre os animais (G\u00eanesis 1:26-28), mas essa autoridade n\u00e3o deve ser interpretada como uma permiss\u00e3o irrestrita para a explora\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio \u2013 quando compreendida corretamente, a ordem para \u201cdominar\u201d e \u201csujeitar\u201d a Terra reflete o desejo divino de que cuidemos do planeta e tratemos os seres vivos com respeito. \u201cAs Escrituras defendem a mordomia ambiental\u201d, afirmam te\u00f3logos, ressaltando que Deus incumbiu o ser humano de cultivar e guardar a cria\u00e7\u00e3o (como no \u00c9den, em G\u00eanesis 2:15) e proteger as criaturas (como exemplificado na conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies na arca de No\u00e9, G\u00eanesis 6:19). Em resumo, de uma perspectiva b\u00edblica, somos mordomos do planeta, n\u00e3o seus donos absolutos [7]. O planeta pertence a Deus, n\u00e3o a n\u00f3s \u2013 um lembrete constante de humildade diante de qualquer empreendimento cient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p>Aplicando esses princ\u00edpios ao caso em quest\u00e3o, um crist\u00e3o criacionista valoriza profundamente a vida como um dom de Deus e encara com cautela qualquer manipula\u00e7\u00e3o dessa vida. Isso n\u00e3o implica rejeitar a ci\u00eancia ou os esfor\u00e7os de conserva\u00e7\u00e3o \u2013 muito pelo contr\u00e1rio. Significa reconhecer que existem limites morais para o dom\u00ednio humano sobre a natureza. A tecnologia de desextin\u00e7\u00e3o, embora fascinante, aborda quest\u00f5es sagradas: a vida e a biodiversidade que comp\u00f5em a obra da cria\u00e7\u00e3o divina. Se, por um lado, h\u00e1 valor na tentativa de reparar danos ambientais (afinal, cuidar da cria\u00e7\u00e3o est\u00e1 em conson\u00e2ncia com a miss\u00e3o dada por Deus), por outro lado, \u00e9 fundamental avaliar se estamos honrando ou violando os prop\u00f3sitos do Criador ao intervir de forma t\u00e3o profunda. Estar\u00edamos restaurando algo belo que se perdeu ou transgredindo fronteiras impostas pela pr\u00f3pria ordem natural estabelecida por Deus? Essa tens\u00e3o exige ora\u00e7\u00e3o, reflex\u00e3o e humildade.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto relevante diz respeito \u00e0 no\u00e7\u00e3o de mordomia respons\u00e1vel e esperan\u00e7a escatol\u00f3gica. N\u00f3s, adventistas, interpretamos a guarda do s\u00e1bado \u2013 memorial da cria\u00e7\u00e3o \u2013 como um lembrete constante de nossa \u201cobriga\u00e7\u00e3o moral de cuidar e preservar as obras da cria\u00e7\u00e3o de Deus\u201d. Em outras palavras, a f\u00e9 refor\u00e7a a responsabilidade de zelar pelo meio ambiente e pelas criaturas, pois a natureza \u00e9 uma express\u00e3o do car\u00e1ter divino e um presente a ser conservado. Ao mesmo tempo, cremos que este mundo, corrompido pelo pecado, ser\u00e1 um dia restaurado por Deus \u00e0 sua perfei\u00e7\u00e3o original. Essa cren\u00e7a oferece uma perspectiva singular: n\u00e3o cabe ao ser humano, por si s\u00f3, \u201csalvar\u201d ou \u201crecriar\u201d a cria\u00e7\u00e3o, mas sim cooperar em sua preserva\u00e7\u00e3o enquanto aguarda a reden\u00e7\u00e3o final. Em suma, h\u00e1 uma t\u00eanue linha divis\u00f3ria entre atuar como cuidadores inovadores e usurpar um papel que pertence exclusivamente a Deus [7].<\/p>\n\n\n\n<p>No equil\u00edbrio entre o avan\u00e7o cient\u00edfico e o respeito \u00e0 cria\u00e7\u00e3o divina, a cosmovis\u00e3o crist\u00e3 nos convida \u00e0 modera\u00e7\u00e3o e \u00e0 sabedoria. A engenharia gen\u00e9tica e outros avan\u00e7os podem \u2013 e devem \u2013 ser utilizados para o bem, incluindo a prote\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas e a melhoria da qualidade de vida. No entanto, a m\u00e1xima de que \u201cnem tudo que \u00e9 cientificamente poss\u00edvel \u00e9 moralmente desej\u00e1vel\u201d deve orientar nossas decis\u00f5es. Ao contemplar o retorno de criaturas extintas, o crist\u00e3o se recordar\u00e1 das palavras do Salmo 24:1: \u201cDo Senhor \u00e9 a terra e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam\u201d. Essa verdade implica um profundo respeito: a vida pertence a Deus e deve ser tratada com santidade. Resgatar um lobo-terr\u00edvel do passado pode ser interpretado como um tributo \u00e0 incr\u00edvel criatividade humana concedida por Deus \u2013 mas tamb\u00e9m como um alerta contra a soberba de ultrapassar os limites de nosso papel de mordomos.<\/p>\n\n\n\n<p>* A t\u00e9cnica CRISPR \u00e9 uma ferramenta de edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica que permite modificar o DNA das c\u00e9lulas. Utilizam-se enzimas que atuam como \"tesouras moleculares\". Isso possibilita inserir, corrigir ou remover genes do DNA. A t\u00e9cnica tem diversas aplica\u00e7\u00f5es e vem sendo usada inclusive para o tratamento de doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias<\/h4>\n\n\n\n<p><mark class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">[1]<\/mark> Scientists say they revived dire wolf through biotech company's de-extinction process. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/abcnews.go.com\/US\/dire-wolf-revived-biotech-companys-de-extinction-process\/story?id=120558562#:~:text=last%20walked%20the%20Earth%20roughly,years%20ago%3A%20the%20dire%20wolf\">https:\/\/abcnews.go.com\/US\/dire-wolf-revived-biotech-companys-de-extinction-process\/story?id=120558562#:~:text=last%20walked%20the%20Earth%20roughly,years%20ago%3A%20the%20dire%20wolf<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><mark class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">[2]<\/mark> Has the dire wolf come back to life? Here is what we know. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2025\/4\/8\/has-the-dire-wolf-come-back-to-life-here-is-what-we-know#:~:text=The%20company%20has%20described%20the,extinct%20animal%E2%80%9D\">https:\/\/www.aljazeera.com\/news\/2025\/4\/8\/has-the-dire-wolf-come-back-to-life-here-is-what-we-know#:~:text=The%20company%20has%20described%20the,extinct%20animal%E2%80%9D<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><mark class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">[3] <\/mark>A biotech company says it has bred three pups with traits of the extinct dire wolf. <a href=\"https:\/\/www.npr.org\/2025\/04\/08\/nx-s1-5355686\/dire-wolf-extinct-colossal-biosciences#:~:text=Colossal%20says%20it%20extracted%20dire,ear%20bone%20discovered%20in%20Idaho\">https:\/\/www.npr.org\/2025\/04\/08\/nx-s1-5355686\/dire-wolf-extinct-colossal-biosciences#:~:text=Colossal%20says%20it%20extracted%20dire,ear%20bone%20discovered%20in%20Idaho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><mark class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">[4]<\/mark> These fluffy white wolves explain everything wrong with bringing back extinct animals. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.vox.com\/future-perfect\/407781\/dire-wolves-deextinction-colossal-biosciences\">https:\/\/www.vox.com\/future-perfect\/407781\/dire-wolves-deextinction-colossal-biosciences<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><mark class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">[5]<\/mark> De-extinction of Dire Wolves via Genetic Engineering: Feasibility, Ethics, and Ecological Impacts \u2013 A Cautious Path Forward? Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.forwardpathway.us\/de-extinction-of-dire-wolves-via-genetic-engineering-feasibility-ethics-and-ecological-impacts-a-cautious-path-forward#:~:text=Here%E2%80%99s%20an%20interesting%20fact%3A%20the,declines%20or%20even%20local%20extinctions\">https:\/\/www.forwardpathway.us\/de-extinction-of-dire-wolves-via-genetic-engineering-feasibility-ethics-and-ecological-impacts-a-cautious-path-forward#:~:text=Here%E2%80%99s%20an%20interesting%20fact%3A%20the,declines%20or%20even%20local%20extinctions<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><mark class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">[6] <\/mark>First Extinct-Animal Clone Created. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/news-bucardo-pyrenean-ibex-deextinction-cloning\">https:\/\/www.nationalgeographic.com\/science\/article\/news-bucardo-pyrenean-ibex-deextinction-cloning<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><mark class=\"has-inline-color has-vivid-green-cyan-color\">[7] <\/mark>Mordomos do planeta. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.revistaadventista.com.br\/da-redacao\/destaques\/mordomos-do-planeta\/#:~:text=fornecendo,Gn%206%3A19\">https:\/\/www.revistaadventista.com.br\/da-redacao\/destaques\/mordomos-do-planeta\/#:~:text=fornecendo,Gn%206%3A19<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existem limites para a manipula\u00e7\u00e3o da vida?<\/p>\n","protected":false},"author":362,"featured_media":417087,"comment_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"xtt-pa-format":[3879],"xtt-pa-classification":[],"xtt-pa-editorias":[3216],"xtt-pa-departamentos":[],"xtt-pa-projetos":[],"xtt-pa-regiao":[61],"xtt-pa-sedes":[119],"xtt-pa-owner":[1170],"class_list":["post-416931","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","xtt-pa-format-coluna","xtt-pa-editorias-ciencia","xtt-pa-regiao-brasil","xtt-pa-sedes-dsa","xtt-pa-owner-divisao-sul-americana"],"acf":{"embed_url":"","embed_length":"","custom_author":""},"terms":{"editorial":"Ci\u00eancia","format":"Coluna"},"featured_media_url":{"full":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso.jpg","medium":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso-768x432.jpg","small":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso-240x135.jpg","pa-block-preview":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso-240x135.jpg","pa-block-render":"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2025\/05\/reviver-especies-extintas-desextincao-reacende-debate-cientifico-ambiental-e-religioso-480x270.jpg"}}