{"id":375457,"date":"2024-05-20T10:47:23","date_gmt":"2024-05-20T13:47:23","modified":"2024-07-31T07:36:54","modified_gmt":"2024-07-31T10:36:54","slug":"um-olhar-cientifico-sobre-as-inundacoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/um-olhar-cientifico-sobre-as-inundacoes\/","title":{"rendered":"Um olhar cient\u00edfico sobre as inunda\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/shutterstock_2457837747-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/shutterstock_2457837747-1-960x540.jpg\" alt=\"inunda\u00e7\u00f5es\" class=\"wp-image-375465\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/shutterstock_2457837747-1-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/shutterstock_2457837747-1-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/shutterstock_2457837747-1-240x135.jpg 240w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Inunda\u00e7\u00f5es no Rio Grande do Sul tomaram boa parte do estado (Foto: Shutterstock)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O tema das grandes inunda\u00e7\u00f5es \u00e9 antigo e este tipo de cat\u00e1strofe sempre preocupou a sociedade. Registros d\u00e3o conta de que a inunda\u00e7\u00e3o mais letal da hist\u00f3ria foi a que ocorreu em 1931 na China, quando o rio Amarelo e os principais rios do pa\u00eds asi\u00e1tico transbordaram e vitimaram mais de 1 milh\u00e3o de pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no ano de 2023, entre as graves inunda\u00e7\u00f5es ou enchentes ocorridas no planeta, chamaram a aten\u00e7\u00e3o trag\u00e9dias ocorridas em locais como a L\u00edbia (morte de 11 mil pessoas), Gr\u00e9cia (15 mil pessoas mortas), al\u00e9m da Turquia e Espanha.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Leia tamb\u00e9m:<\/h4>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><a href=\"https:\/\/noticias.adventistas.org\/pt\/campanha-da-igreja-adventista-no-sul-do-parana-arrecada-60-toneladas-de-donativos-para-o-rs\/\">Campanha da Igreja Adventista no sul do Paran\u00e1 arrecada 60 toneladas de donativos para o RS<\/a><\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>No ano de 2024, as enchentes registradas no Rio Grande do Sul, no sul do Brasil, ainda mostram seus efeitos. Afetaram, at\u00e9 o fechamento desta publica\u00e7\u00e3o, mais de 2 milh\u00f5es e 290 mil pessoas. Al\u00e9m disso, as cheias ocorridas em dez dos dezenove departamentos (equivalente a estados brasileiros) do Uruguai j\u00e1 deixaram mais de 2 mil pessoas desabrigadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/Sem-Titulo-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"540\" src=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/Sem-Titulo-2-960x540.jpg\" alt=\"inunda\u00e7\u00f5es\" class=\"wp-image-375460\" srcset=\"https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/Sem-Titulo-2-960x540.jpg 960w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/Sem-Titulo-2-480x270.jpg 480w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/Sem-Titulo-2-240x135.jpg 240w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/Sem-Titulo-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/Sem-Titulo-2-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/files.adventistas.org\/noticias\/pt\/2024\/05\/Sem-Titulo-2.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Alesi Mendes fala sobre as causas das grandes inunda\u00e7\u00f5es e o que fazer para prevenir os desastres (Foto: Arquivo pessoal)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Mas como \u00e9 poss\u00edvel entender este tipo de calamidade sob o ponto de vista cient\u00edfico? Resolvemos conversar com um especialista a respeito do assunto. A Ag\u00eancia Adventista Sul-Americana de Not\u00edcias (ASN) entrevistou Alesi Teixeira Mendes. Ele \u00e9 engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Tocantins e mestre em Engenharia Ambiental pela mesma Universidade. Atualmente, faz doutorado em Tecnologia Ambiental e Recursos H\u00eddricos pela Universidade de Bras\u00edlia. \u00c9, tamb\u00e9m, membro do grupo <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/c\/CientistasAdventistas\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Cientistas Adventistas<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual sua vis\u00e3o t\u00e9cnica a respeito das causas ou origens de enchentes da magnitude como a que vemos, por exemplo, no sul do Brasil e no Uruguai? Tem a ver com quest\u00f5es apenas clim\u00e1ticas ou tamb\u00e9m h\u00e1 outros fatores envolvidos?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Alesi - Os rios transbordam, e isso \u00e9 c\u00edclico. As regi\u00f5es que margeiam os rios s\u00e3o chamadas de v\u00e1rzeas de inunda\u00e7\u00e3o, ou seja, s\u00e3o as \u00e1reas que naturalmente se inundam quando o rio transborda. O problema surge quando tais locais s\u00e3o ocupados. Nesses casos, o fen\u00f4meno que era \u201cnatural\u201d se torna um desastre.<\/p>\n\n\n\n<p>A causa mais prov\u00e1vel do aumento de tais desastres, em magnitude e frequ\u00eancia, \u00e9 a mudan\u00e7a clim\u00e1tica. Muitas pesquisas t\u00eam evidenciado altera\u00e7\u00f5es significativas nos regimes de chuva, seja para mais, e ocasionando enchentes e inunda\u00e7\u00f5es, seja para menos, com as estiagens e secas.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente de qual for o caso (mais \u00e1gua ou menos \u00e1gua), quando esses fen\u00f4menos se somam \u00e0s vulnerabilidades sociais, surge um problema.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Costuma-se falar muito, quando se assiste a inunda\u00e7\u00f5es de grandes propor\u00e7\u00f5es, em invas\u00e3o das cidades em rela\u00e7\u00e3o a \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o. Como voc\u00ea v\u00ea isso?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Um dos melhores livros que temos no pa\u00eds sobre esse tema se chama&nbsp;<em>Drenagem urbana e controle de enchentes<\/em>. Nele, o professor Alu\u00edsio Canholi diz uma coisa da qual nunca me esque\u00e7o: a drenagem urbana (e aqui estou sintetizando todas as quest\u00f5es que envolvem \u00e1gua das chuvas no ambiente urbano) \u00e9 uma quest\u00e3o de aloca\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que quando um local antes ocupado pela \u00e1gua \u00e9 suprimido por alguma raz\u00e3o, haver\u00e1 um movimento para tomar de novo esse espa\u00e7o em algum momento. O que vemos nesses epis\u00f3dios de enchentes \u00e9 \u00e1gua reocupando lugares que antes lhe eram naturais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 refer\u00eancias no mundo de cidades e pa\u00edses que lidaram melhor com esse controle das redes pluviais e do preparo para inunda\u00e7\u00f5es em zonas urbanas?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, houve um fortalecimento significativo na abordagem do manejo das \u00e1guas no meio urbano, com uma nova percep\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel do controle das \u00e1guas pluviais.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns modelos se destacaram nessa linha. Nos Estados Unidos e na Nova Zel\u00e2ndia podemos citar o chamado desenvolvimento de baixo impacto, e na Austr\u00e1lia o design urbano sens\u00edvel \u00e0 \u00e1gua. Mais tarde, j\u00e1 por volta de 2015, a China passou a incentivar as chamadas&nbsp;<em>cidades esponjas.&nbsp;<\/em>Apesar dos nomes diferentes, os princ\u00edpios s\u00e3o bem semelhantes: tentar resgatar algumas caracter\u00edsticas do ambiente de antes do processo de urbaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversas cidades no mundo progressivamente t\u00eam adotado tais modelos. No Brasil, ainda estamos apegados ao paradigma anterior e as iniciativas de ado\u00e7\u00e3o dessas medidas sustent\u00e1veis ainda s\u00e3o embrion\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Levando em conta que voc\u00ea \u00e9 um profissional crist\u00e3o e adventista, como enxerga a necessidade de cuidado com o meio ambiente por parte dos crist\u00e3os?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Fomos criados na condi\u00e7\u00e3o de cuidadores, mordomos. E o cuidado com o planeta est\u00e1 inclu\u00eddo nessa responsabilidade. Institucionalmente, me orgulho da postura de Igreja Adventista do S\u00e9timo Dia (IASD) com rela\u00e7\u00e3o a isso. Conhe\u00e7o pelo menos tr\u00eas declara\u00e7\u00f5es oficiais da Associa\u00e7\u00e3o Geral da IASD  sobre meio ambiente, ecologia e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A primeira delas intitulada&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/biblia.com.br\/perguntas-biblicas\/o-cuidado-com-a-criacao-uma-declaracao-sobre-o-meio-ambiente\/#:~:text=Nesta%20cria%C3%A7%C3%A3o%2C%20colocou%20os%20humanos,com%20o%20culto%20a%20Ele.\">O cuidado com a Cria\u00e7\u00e3o<\/a><\/em>, publicada em 1992. Depois, em 1995, durante a sess\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Geral em Utrecht, na Holanda, foi votado e aprovado o documento&nbsp;<em>Meio Ambiente<\/em>, e em 1996, a Igreja votou e aprovou o documento&nbsp;<em><a href=\"https:\/\/centrowhite.org.br\/declaracao-sobre-a-mordomia-do-meio-ambiente\/#:~:text=A%20Igreja%20Adventista%20do%20S%C3%A9timo,%C3%A9%20um%20dom%20de%20Deus.\">Mordomia do Meio Ambiente<\/a><\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, tanto pessoalmente quanto em minha comunidade, temos uma vis\u00e3o clara da import\u00e2ncia do cuidado com o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ao mesmo tempo, de que forma o que muitos consideram como um caos clim\u00e1tico global poderia ser um fen\u00f4meno meramente c\u00edclico e n\u00e3o um pren\u00fancio de que o mundo est\u00e1 sendo destru\u00eddo pelo pr\u00f3prio ser humano? Qual sua avalia\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 na academia adeptos \u00e0s duas ideias. Minhas convic\u00e7\u00f5es e minhas pesquisas me conduzem a enxergar o problema clim\u00e1tico como consequ\u00eancia de a\u00e7\u00f5es humanas aos longos dos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Particularmente, \u00e9 at\u00e9 pouco respons\u00e1vel n\u00e3o atribuir a devida import\u00e2ncia ao impacto negativo do nosso modelo de desenvolvimento no meio ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo disso \u00e9 nosso modelo de consumo e como ele gera res\u00edduo (lixo). Existem ilhas de lixo nos oceanos. Essas ilhas existem porque o pl\u00e1stico e outros materiais demoraram muito para se decompor. Animais e ecossistemas s\u00e3o afetados. E o fato gerador? \u00c9 uma coisa ordin\u00e1ria da nossa rotina. Dif\u00edcil de ser alterada se n\u00e3o for percebida. E esse \u00e9 um exemplo. \u00c9 dif\u00edcil n\u00e3o perceber a rela\u00e7\u00e3o entre a maneira como tratarmos o nosso planeta, e os desafios ambientais que temos enfrentado nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Veja epis\u00f3dio do podcast Cevada com plut\u00f4nio com a participa\u00e7\u00e3o de Alesi sobre o assunto:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Spotify Embed: Desastres na Natureza - Cevada com Plut\u00f4nio 0014\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/2hU2aYEDVLzIEJgQ9N6KLW?si=5Diu2DaLRkS5yFPeTwphcQ&utm_source=oembed\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\" \/>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea tamb\u00e9m pode receber esse e outros conte\u00fados&nbsp;<strong>diretamente<\/strong>&nbsp;no seu dispositivo. 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